Propaganda do PSB passou a explorar biografia da ex-senadora. Evidenciando campanha de negação, palavra 'não' aparece em destaque nos programas de Dilma, Marina e Aécio

Apresentando-se como representante da nova política, de terceira via frente a polarização PT e PSDB,  a presidenciável  Marina Silva (PSB)  tem aparecido no horário eleitoral na TV com um discurso semelhante ao dos rivais, a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves . Isso é o que mostra o levantamento feito pelo iG das palavras mais usadas na propaganda eleitoral pelos três principais candidatos à Presidência da República nos meses de agosto e setembro.   

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O nome da ex-senadora passou a ser uma das principais palavras citadas na propaganda eleitoral do PSB no horário eleitoral gratuito, tática que já vinha sendo adotada pelas campanhas de Dilma e Aécio. Nas inserções de agosto, o termo “Brasil” foi cinco vezes mais citado que “Marina”. Nas deste mês, “Marina” foi mencionada duas vezes mais que “Brasil”.

Palavras usadas por Dilma em setembro. Clique para interagir Palavras usadas por Dilma em agosto. Clique para interagir Também à semelhança de PT e PSDB, o PSB passou a dar mais peso a promessas eleitorais, como a proposta de implantar escola de tempo integral. Marina também se viu forçada a gastar tempo rebatendo acusações de que acabaria com o Bolsa Família e o pré-sal.

PT e PSDB mantiveram a estratégia de expor os nomes as biografias de seus candidatos, mas fizeram alterações significativas.

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Na campanha de Dilma, "segurança pública" e "crime organizado" - temas caros ao eleitor paulista, o maior colégio eleitoral do País - passaram a ser mais explorados. "Banco Central" – que sequer aparecia em agosto – e "pré-sal" ganharam mais relevância, em razão dos ataques a Marina.

A Polícia Federal também ganhou relevância no discurso da propaganda petista, num contra-ataque às acusações de conivência com a corrupção na Petrobras exploradas por Aécio e Marina. A corporação foi citada 15 vezes em setembro, ante nenhuma em agosto.

Palavras usadas por Marina Silva em setembro. Clique para interagir Palavras usadas por Marina Silva em agosto. Clique para interagir O PSDB, por sua vez, passou a dar mais valor à ideia de que é a melhor opção para quem está insatisfeito com o governo do PT, turbinando o uso das palavras "mudança" e “força política” - numa referência à falta de apoio que Marina teria para governar.

Os dados foram levantados pelo  iG , a partir do que foi dito nas propagandas eleitorais das candidaturas de Marina, Aécio e Dilma Rouseff, e foram tratados com a ferramenta Many Eyes, da IBM.

Foram feitas duas versões até agora. Na primeira, o levantamento levou em conta as inserções disponibilizadas nas páginas oficiais dos candidatos até o dia 28 de agosto. A segunda engloba de 28 de agosto (excluídos os da primeira versão) a 21 de setembro. No total, foram analisadas 15 edições da campanha de Dilma, 23 de Aécio e 16 de Marina.

Palavras usadas por Aécio Neves em agosto. Clique para interagir Palavras usadas por Aécio Neves em setembro. Clique para interagir "Candidatos buscam se reafirmar pela negação"

Para Rudá Ricci, sociólogo, doutor em Ciências Sociais e membro do Observatório Internacional da Democracia Participativa, o uso do "não" - em oposição à apresentação de propostas - é o que mais chama a atenção nas nuvens de palavras das propagandas eleitorais dos candidatos.

"Eles estão tentando se diferenciar pela negação. Dilma e Aécio não apresentam [ propostas ] pois perceberam o erro de Marina [ que voltou atrás em alguns itens do programa de governo que divulgou no fim de agosto ]", diz. "A fala dos três é muito mais uma negação do que apresentação de propostas."

Ricci destaca que Marina, mesmo tendo apresentado um programa, não chega a explorá-lo na propaganda na TV, o que dá ao leitor a sensação de que ela não tem um projeto.

"Do ponto de vista subjetivo, é verossímel que ela não tenha programa porque ela não fala mesmo de programa", diz Ricci.


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