Índios se unem para enfrentar os ruralistas nas urnas

Por Brasil Econômico -Gilberto Nascimento |

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PEC que passa o poder de fazer demarcações de terras para Congresso Nacional provocou uma mobilização entre os líderes indígenas para tentar eleger representantes

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A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 215, que passa o poder de fazer demarcações de terras para o Congresso Nacional, provocou uma mobilização entre os líderes indígenas para tentar eleger representantes nas eleições deste ano. Ao todo, serão 85 candidatos. PSOL, PT e PDT são alguns partidos que receberam nomes ligados às diversas etnias de povos tradicionais, mas o PV se tornou o principal aliado da causa. Para atendê-los, o partido chegou a criar secretarias para assuntos indígenas em todos os diretórios estaduais. A união de diferentes grupos indígenas se formou em abril do ano passado, depois de uma série de protestos contra a PEC em Brasília. O projeto é da bancada ruralista, que faz pressão contra os pareceres antropológicos da Funai, ligada ao Executivo.

Mais: Sem representatividade no Congresso, eleições têm 85 candidatos indígenas

Divulgação
Kaká Wera (PV), antropólogo e fundador do Instituto Arapoty, é candidato ao Senado por SP


Um dos líderes indígenas que se tornou candidato para defender as reivindicações de seus povos é Kaká Werá, criado entre os guaranis no bairro de Parelheiros, no extremo sul da capital paulista. Ele disputa o Senado pelo PV de São Paulo. Kaká enfrenta políticos conhecidos como o ex-governador José Serra (PSDB), o senador Eduardo Suplicy (PT) e o ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab (PSD). Além da questão da demarcação de terras, ele aponta como questões importantes para os povos tradicionais o aprimoramento dos programas de educação e saúde indígena e uma alteração no Código Florestal para facilitar o manejo sustentável. Kaká destaca a importância de dar visibilidade para a questão indígena e cita como exemplo o massacre praticado contra os kaiowá no Mato Grosso do Sul. “É uma disputa desigual, pois os ruralistas têm muito mais recursos para fazer campanha. Mas vamos começar a colocar a nossa voz”, afirma.

Ippon na coerência

Candidato a deputado estadual, Chico do Judô (PEN) foi quem mais levou militantes ao comício da presidenciável Marina Silva (PSB) em São Bernardo (SP), na sexta-feira. Sua equipe tomou a praça com bandeiras. Mas, ao menos oficialmente, seu partido apoia as candidaturas do PSDB, de Aécio Neves.

Aliança forçada

Na cidade do ABC paulista, Marina foi recebida com propaganda de Alex Manente (PPS) com fotos dela e do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição. Apesar do PPS e do PSB, de sua coligação, estarem com o tucano, ela resiste a apoiá-lo e evita materiais com Alckmin.

Milagre errado

Com os problemas de falta de água em São Paulo, os aliados de Marina comemoraram a chuva da última sexta-feira em São Bernardo, pouco antes do comício que ela faria. Mas a candidata “fez chover” no lugar errado. A crise afeta o Sistema Cantareira, cuja captação é feita a muitos quilômetros de lá.

Moradores de hospital querem votar

Com título de eleitor desde os anos 1990, Paulo Henrique Machado e Eliana Zagui sonham em votar pela primeira vez nas eleições deste ano. Os dois moram dentro do Hospital das Clínicas de São Paulo desde crianças, quando foram vítimas da poliomelite (paralisia infantil), que lhes afetou a capacidade respiratória. A história de ambos ficou conhecida em 2012, quando Eliana lançou o livro “Pulmão de Aço”, em que relata a vida deles no hospital, onde vivem há mais de 30 anos.

Ida às urnas depende de estrutura do HC

Paulo Henrique conta que, para votar, eles dependem de uma logística que teria de ser fornecida pelo hospital, com ambulâncias equipadas para transportá-los às respectivas seções eleitorais. Segundo ele, a direção do hospital ainda não respondeu sobre a possibilidade. “Acho que é um momento importante para exercermos nossa cidadania”, comenta.

“Lula parece ter perdido a aura da invencibilidade, embora mantenha seu carisma e ainda seja a maior liderança política do País” - José Sarney, senador (PMDB-AP), aliado dos últimos governos, sobre o líder petista

*Com Leonardo Fuhrmann

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