Tucanos acreditam que crescimento verificado nas pesquisas foi fruto da mistura entre ataques à presidente e a desmistificação da candidata do PSB

A tendência de alta registrada pelo tucano Aécio Neves (PSDB) nas últimas pesquisas de intenção de voto para presidente foi fruto de uma estratégia que parece ter encontrado ouvidos entre os eleitores. A opinião é de tucanos que pareciam quase desanimados, mas viram na ascensão tímida uma esperança. Aliados de Aécio acreditam que ele encontrou o ponto e deve apostar tudo numa abordagem que mescla críticas diretas ao governo Dilma Rousseff (PT) com o distanciamento cada vez maior de Marina Silva (PSB).

Entre as fileiras tucanas, acredita-se que criticar o governo Dilma com todo o vigor não deverá desagradar ao eleitor. Existe um consenso entre políticos de que críticas excessivas durante a campanha acabam gerando antipatia no eleitorado. Entretanto, apostam, o caso agora seria diferente, dados os elevados índices registrados em pesquisas em que a população manifesta o desejo de mudança. E é com base nesse argumento que os tucanos defendem que as críticas a Dilma sejam cada vez mais intensas.

Infográfico: conheça o mapa eleitoral brasileiro

Alckmin acompanha presidenciável Aécio Neves no VI Coletivo da Mulher Metalúrgica, em São Paulo (18/9)
Emiliano Capozoli/Coligação Muda Brasil
Alckmin acompanha presidenciável Aécio Neves no VI Coletivo da Mulher Metalúrgica, em São Paulo (18/9)


Por outro lado, Aécio não deve seguir essa receita com Marina. Para os aliados do senador mineiro, a candidata do PSB deve receber outro tratamento. Aécio deve continuar a criticá-la, mas dentro da estratégia que busca mostrar uma candidatura repleta de contradições, daí a necessidade de se distanciar cada vez mais de Marina.

Avalia-se nos bastidores do PSDB que quando Marina chegou à disputa, recebeu a cordialidade de Aécio em função do momento e das circunstâncias que a trouxeram para tal posição. Em seguida veio o momento de explorar contradições, mas agora, esse esquema estratégico eleitoral deverá ser levemente ajustado, fazendo com que Aécio dê pequenas estocadas, abusando da sutileza, mas muito mais de olho numa lógica em que se mostre diferente dela. Daí vem o discurso da “mudança com segurança” que Aécio tem usado nos últimos dias.

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Alguns deputados tucanos também acham que além de perigoso, o ataque frontal que defendem sobre Dilma não se aplica a Marina por uma questão de necessidade. Essa ala crê que o PT sonha com uma recuperação de Aécio para que ele, e não Marina, esteja no segundo turno. Por esse raciocínio, caberia ao partido da presidente gastar munição, tempo e arcar com os desgastes envolvidos nesse tipo de operação. Na prática, deixar que o PT faça o “serviço sujo” no sentido de desconstruir o mito em torno de Marina.

Uma demonstração de como Aécio deve se comportar nessa trajetória de distanciamento da candidata socialista apareceu no momento em que ele afirmou que, em caso de derrota, o PSDB iria para a oposição, sinalizando que não haverá apoio a uma eventual gestão de Marina. Tucanos dizem que foi uma forma de Aécio dizer ao eleitor que as dificuldades de governabilidade de um governo do PSB, em função da pequena bancada no Congresso, não serão resolvidas com ajuda do PSDB. Um jeito de minar a confiabilidade da candidatura Marina.

Otimismo relativo

Apesar de enxergarem esse desenho no espectro eleitoral com alguma esperança, os tucanos não estão 100% certos de que isso possa ser suficiente para levar Aécio ao segundo turno. Acreditam que isso dependerá também de circunstâncias eleitorais e a manutenção de quadro atual, se confirmada a curva de ascensão em outras pesquisas. Novas reviravoltas poderiam brecar o crescimento do tucano.

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Apesar da dificuldade, aliados dizem que Aécio tem conseguido manter o controle emocional. Alguns se surpreeendem com a capacidade de rir de si mesmo que o senador mineiro tem demonstrado nos bastidores. Numa dessas ocasiões, Aécio recebeu um telefonema de um ex-líder do partido na Câmara que se queixou que há muito não via o correligionário. “Estou com saudade”, disse o aliado, ao que teria recebido como resposta de Aécio de bate pronto em tom jocoso: “Achei que ia dizer que estava com pena de mim”.

Esse alto astral de Aécio tem sido apontado como ingrediente motivador para candidatos a deputado que andam pelo Brasil em busca de votos e fazem um importante papel de formiguinha, capilarizando a candidatura do PSDB. Caso Aécio não consiga uma reviravolta, será a primeira vez, em 20 anos de disputas nacionais, que o PSDB não está no segundo turno.

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