Dilma cai no funk, Aécio joga capoeira e mais candidatos que saíram do protocolo

Por Aretha Martins - iG São Paulo | - Atualizada às

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Para especialistas, momentos de descontração funcionam como uma maneira dos candidatos descerem de seu pedestal e se colocarem de igual para igual com o eleitor

Nos últimos dias, dois dos principais candidatos à Presidência apareceram em momentos bem diferentes das tradicionais agendas de campanha, costumeiramente formais e cheias de discursos. Dilma Rousseff, que tenta a reeleição pelo PT, dançou funk animadamente em Belo Horizonte. Depois, repetiu a dose no Rio de Janeiro. Já Aécio Neves contou com a ajuda de um cabo eleitoral famoso, o ex-jogador Ronaldo, para ter um momento mais descontraído. O tucano arriscou passos no mesmo ritmo escolhido por Dilma e também jogou capoeira. 

Veja momentos descontraídos dos candidatos nas campanhas: 

Dilma atente a pedidos e dança funk em encontro com a juventude em Belo Horizonte (13/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma vai ao lançamento do Livro “Um país chamado favela”, no Rio de Janeiro, e também arrisca passos de funk com membros da comunidade (15/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado de Ronaldo, Aécio Neves dança no lançamento do livro 'Um país chamado favela', em Madureira, no Rio de Janeiro (14/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilAécio Neves ainda joga capoeira em dia de campanha ao lado de Ronaldo, no Rio de Janeiro (14/9). Foto: DivulgaçãoParece que a onda de Aécio é a dança. Ele deu alguns passos com Ana Amélia, candidata do PP ao ao governo do Rio Grande do Sul em encontro em Porto Alegre (2/8). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsAécio visita o abrigo Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e dança com uma das moradoras do local (24/8). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsAécio Neves, presidenciável do PSDB, joga sinuca com eleitores na cidade de Botucatu, em São Paulo (08/07). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves e José Serra, candidato ao Senado pelo PSDB em São Paulo, vestem quimono em visita a feira japonesa. A prática virou moda entre os candidatos. Foto: DivulgaçãoAinda quando era vice de Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em agosto, Marina Silva e o candidato à Presidência também vestiram quimono (5/7). Foto: PSBDilma Rousseff visita a Casa de Cultura do Pelourinho, em Salvador, e se arrisca ao lado de ritmistas (29/8). Foto: Ichiro Guerra/PTLula coloca chapéu em Dilma durante comício no Recife (4/9). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaAécio Neves joga futebol no evento "Futebol entre Amigos" promovido pelo ex-jogador Zico, no Rio de Janeiro (31/8). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilPaulo Skaf, candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB, cobra pênaltis em visita ao bairro de Aracati, no extremo sul da capital (29/8). Foto: ReproduçãoAlexandre Padilha joga futebol durante visita à escola em caminhada em Araras, no interior de São Paulo (10/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha se arrisca com a bola em campo Parque Arariba, no bairro do Campo Limpo, na zona sul paulistana (27/7). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha é carregado por Eduardo Suplicy durante caminhada em Carapicuíba (30/7). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaSuplicy entra no desafio do balde de gelo e desafia rivais na corrida pelo Senado (22/8). Foto: ReproduçãoO ex-prefeito de São Paulo e candidato a reeleição no Senado pelo PT Gilberto Kassab aceitou o desafio de Eduardo Suplicy (23/08). Foto: Reprodução/YoutubeSerra protagonizou diversas cenas na campanha presidencial em 2010 e para a prefeitura de SP em 2012. Agora, que concorre ao Senado, posou ao lado de ginastas no metrô. Foto: Reprodução/FacebookSerra, candidato do PSDB, dança durante a campanha para senador nas eleições 2014. Foto: Facebook/José SerraNo Rio de Janeiro, Eduardo Paes era prefeito e tentava a reeleição em 2012 e também não se deu bem na tentativa de andar de skate em Madureira . Foto: Jornal O DiaEm 1990, a então deputada federal Luiza Erundina foi bem no skate. Foto: ReproduçãoSerra ainda fez uma aula de ginástica com jump, uma cama elástica, em Manaus, durante campanha para Presidência em 2010. Foto: ReproduçãoMas eleições de 1989, Fernando Collor apareceu fazendo exercícios diversas vezes durante a sua campanha à Presidência. Foto: Agência Brasil

Esses momentos fora do protocolo não são novidade nas campanhas eleitorais, pelo contrário, eles fazem parte do script, de acordo com Carlos Ranufo, cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Os candidatos descem do seu pedestal e se colocam como um igual em relação ao eleitor. Ele está ali, junto ao povo, buscando o voto. Ele faz o que é necessário para buscar uma identificação com o eleitorado”, explica Ranufo. 

E em busca desta tal identificação, vale atender aos pedidos dos eleitores, mesmo os mais inusitados. Foi exatamente o que fez Dilma ao cair no funk, durante o encontro com jovens em Belo Horizonte. No evento estava apenas previsto que ela assistiria a uma apresentação de “passinho”, um estilo de dançar funk. Mas aí veio o pedido para a presidente. 

Após a apresentação, os dançarinos começaram gritar “Vai Dilma”, a incentivando a dançar. Ela não resistiu ao convite e entrou na onda. Segundo a assessoria dela, o “sim” da presindente foi tão rápido que eles quase não conseguiram registrar o momento. Dias depois, no Rio, a petista repetiu a dose numa nova apresentação de funk. 

Dançar também faz parte da campanha de Aécio. Da mesma forma que a candidatura do PT, a do PSDB disse que esses atos não são programados. Nestes últimos meses de campanha, o tucano dançou com Ana Amélia Lemos, candidata do PP ao governo do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, e também se divertiu improvisando alguns passos numa visita ao abrigo Cristo Redentor, no Rio. 

Leia mais: Ronaldo vira cabo eleitoral de Aécio Neves em dia de campanha no Rio

Em outro momento de descontração, Aécio mostrou seu lado esportista e suou numa partida de futebol, que reuniu famosos como Zico, Bebeto e Dadá Maravilha.  

Seja no futebol, seja na dança ou em algum evento similar, os políticos se arriscam para mostrar ao eleitor que não são diferentes deles. “O candidato não vai se expor ao ridículo, mas ele tem que demonstrar uma certa flexibilidade. Bater uma bola, dançar um sambinha... Isso faz parte do jogo”, analisa Carlos Ranufo.

Entre os presidenciáveis líderes nas pesquisas, Marina Silva é a mais contida em eventos deste tipo. Mas o comando de sua candidatura diz que ela não é resistente a momentos descontraídos. “A Marina é bastante respeitosa e tem um tratamento muito caloroso com a população. [Se fosse convidada a dançar ou algo assim] Ela faria o que se sentisse a vontade”, argumenta Walter Feldman, coordenador de campanha da candidata do PSB.

Skate, sapato voador, selinho e mais

Nas eleições anteriores, alguns candidatos marcaram por momentos de descontração. Em 2012, por exemplo, na corrida para a prefeitura, andar de skate entrou na agenda das campanhas. José Serra (PSDB), que concorria em São Paulo, quase levou um tombo. Já Eduardo Paes (PMDB), que seria reeleito no Rio, foi parar no chão depois de algumas manobras. Em 1990, Luiza Erundina, na época deputada federal, também subiu na prancha e, pela imagem na galeria acima, mostrou desenvoltura.

Em suas campanhas, Serra virou personagem particular, por sempre aparecer em cenas inusitadas. Em 2010, quando era presidenciável pelo PSDB, ele fez uma aula de jump (cama elástica) durante uma visita a Manaus. “Sempre fiz corpo a corpo e isso significa receber carinho e levar energia”, comentou o político, na época. 

Cenário: Selfie é novo aperto de mão dos políticos, dizem especialistas 

Também em 2012, Serra perdeu um sapato ao tentar chutar uma bola em Ermelino Mattarazzo, em São Paulo, e ainda ganhou um selinho durante caminhada pelo centro paulistano. Mostrando bom humor,  o tucano usou imagens destas situações em seu programa do horário eleitoral.

Em 1989, o então candidato a presidente Fernando Collor abusou das imagens descontraídas em sua campanha, na qual acabou se elegendo. Katia Saisi, professora de marketing político da USP, lembra que ele queria se mostrar como novo e também por isso fugiu do padrão usual de propaganda, aparecendo correndo, jogando tênis e fazendo mais esportes na televisão. 

Entretanto, é preciso ter cuidado. O eleitor pode ficar incomodado se não sentir verdade nas ações. Para a atitude descontraída dar certo e aproximar o político do eleitorado, tem que de haver naturalidade e alguma relação com o comportamento habitual do candidato.

“Funciona ou não dependendo do referencial de informação que o eleitor tem antes. O senador Suplicy no meio de um discurso cantando funciona porque as pessoas já tem referencial desse comportamento dele. Se não tiver essa relação, a atitude pode causar rejeição”, conclui Emmanuel Publio Dias, especialista em marketing político e professor da faculdade ESPM.

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