Parlamentares dizem que comissão tende a 'morrer', a não ser que Supremo libere documentos da investigação da PF

Sem obter o depoimento do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa na sessão da última quarta-feira (17), os parlamentares que integram a CPMI que investiga irregularidades na estatal acreditam que a investigação perdeu fôlego e só tem chance de apresentar algum resultado se o Supremo Tribunal Federal (STF) liberar documentos sobre a Operação Lava Jato, desencadeada pela Polícia Federal (PF).

O ex-diretor da Petrobras foi à CPMI em sessão realizada na tarde de quarta. O presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) ainda tentou ouvi-lo em sessão secreta, mas não conseguiu. Por 11 votos a 8, os integrantes da CPMI decidiram ouvi-lo em sessão aberta, o que foi visto por membros da oposição como uma manobra para que Costa não falasse oficialmente sobre supostas irregularidades na Petrobras.

Leia também: Ex-diretor de Abastecimento e Refino fica em silêncio em CPMI

O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa na CPMI da Petrobras
Reprodução
O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa na CPMI da Petrobras


Conforme reportagem da revista Veja do início do mês, em depoimento prestado para a Polícia Federal, Costa teria afirmado que três ex-governadores, deputados federais, senadores, além do ministro Edison Lobão (PMDB-MA) teriam sido supostamente beneficiados por um esquema de corrupção na Petrobras.

Integrantes da CPMI terão uma audiência com os ministros Ricardo Lewandowski, presidente do STF, e Teori Zavascki, que comanda a investigação da Lava Jato no STF, além do Procurador-Geral da República, na próxima terça-feira (23), para que sejam compartilhados os documentos da operação da PF com a CPMI. A esperança de membros da investigação é que, a partir do compartilhamento desses documentos, os parlamentares possam ter uma ideia do depoimento prestado por Paulo Roberto Costa, no processo de delação premiada, junto à PF.

A audiência já foi marcada, faltando apenas confirmação das agendas dos ministros. Apesar disso, os próprios parlamentares não acreditam que haja uma liberação substancial dos documentos obtidos pela Polícia Federal. “A delação é a única forma de continuidade das investigações dentro do Congresso Nacional. Essa CPI está morta se não conseguirmos o compartilhamento das informações da delação premiada com o PGR (Procurador-Geral da República) e o Supremo Tribunal Federal (STF)”, afirmou o líder do Solidariedade, Fernando Francischini (SDD-PR).

Mais: Empresa investigada pela PF tocou obra da Petrobras apadrinhada por Lobão

Outros deputados ouvidos pelo iG , inclusive da oposição, acreditam que, sem esses documentos, a CPMI não terá resultados. Para eles, o “homem chave” das irregularidades na Petrobras era justamente Paulo Roberto Costa. “Qualquer trabalho a partir de agora será inócuo”, disse o deputado Simplício Araújo (PPS-MA). “Há os que querem iluminar e os que querem iludir”, afirmou Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Alem disso, a própria eleição, conforme parlamentares ouvidos pelo iG , vai colaborar para que a CPMI não avance. Não existem novas sessões deliberativas previstas antes do primeiro turno, dia 5 de outubro e mesmo depois das eleições, já existe um movimento de partidos aliados ao governo para que não ocorram novas sessões da CPMI.

Apesar da possibilidade de não ter resultados concretos, o presidente da CPMI já informou que pretende estender o prazo de encerramento das investigações no congresso até o final de dezembro. Atualmente, o prazo para o término da CPMI é 7 


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.