Para sociólogo, falta PT em campanha petista

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

compartilhe

Tamanho do texto

Assessor em outras campanhas petistas, Aldo Fornazieri critica a pasteurização das candidaturas da presidenta Dilma, à reeleição, e do ex-ministro Padilha ao governo paulista

Brasil Econômico

Ligado historicamente ao PT, o sociólogo Aldo Fornazieri, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, critica o excesso de pasteurização das campanhas eleitorais do partido, em especial da presidenta Dilma Rousseff à reeleição e do ex-ministro Alexandre Padilha ao governo paulista. Para ele, os candidatos acabam aparecendo na TV praticamente sem diferencial em relação aos adversários. “Antigamente os partidos determinavam o rumo da campanha para os especialistas em marketing político. Hoje é o contrário”, compara. Fornazieri defende uma mudança no tom da campanha, para torná-la capaz de mexer mais com a razão e a emoção dos eleitores, em especial dos militantes petistas. “Está faltando paixão na campanha”, diz.

Paulo Pinto/Analitica
Padilha visita visita a estação do monotrilho na Vila Prudente, em São Paulo (16/9)


Para ele, é importante que a presidenta Dilma entre nos debates mais polêmicos com seus adversários e rebata as acusações com ênfase. "Assim, ela vai dar munição para que os militantes saiam em defesa de seu governo nas ruas, com os mesmos argumentos usados por ela", acredita. Segundo ele, um dos principais exemplos é a questão do combate à corrupção. "O PT apanha dos adversários e não sabe reagir às acusações, embora tenha fortalecido as instituições e criado a Controladoria Geral da União", diz.

Mais: Até mau desempenho de Alexandre Padilha atrapalha Aécio Neves

Fornazieri cita ainda o exemplo da atuação do prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT). "Ele desmontou um esquema de corrupção, afastando uma série de servidores corruptos, mas não soube dar ênfase a essas ações", exemplifica. O sociólogo admite, no entanto, que Dilma não diáloga com a sociedade como Lula.

Dificuldade para convencer os fiéis

Um pastor candidato da Assembleia de Deus garante que Manoel Ferreira, líder do ministério Madureira de sua igreja, não conseguirá levar os fiéis para o apoio a Dilma no segundo turno, como é o seu desejo. Da mesma forma que outros segmentos da Assembleia, o ramo Madureira apoia no primeiro turno o Pastor Everaldo (PSC). Na prática, porém, os seguidores, em sua maioria, já prometem voto para Marina, de acordo com o religioso. Ferreira é suplente do candidato do PT ao Senado em Brasília, Geraldo Majela. “Ele anunciou o apoio a Dilma por essa razão. Mas quando perceber que todos estão com Marina, vai acabar aceitando”, disse o candidato.

Dor do abandono

Onze candidatos a deputado filiados ao nanico PSL desistiram de concorrer às eleições deste ano. O partido faz parte da coligação que apoia a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Eles alegam ter sofrido o “abandono e desrespeito” dos tucanos, que não os ajudaram a fazer campanha.

Presidente do PP não foi à CPMI

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) não foi ao depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto à CPMI que investiga a estatal. Integrante da comissão, o presidente nacional do PP foi citado como um dos políticos que supostamente participavam do esquema de corrupção na empresa.Nogueira chegou a anunciar que renunciaria ao cargo caso fosse comprovada a sua ligação com o grupo liderado por Costa e o doleiro Alberto Youssef. Na sessão, não havia representantes do PP.

Desta vez, Cunha ficou mais perto de governistas

O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ) foi o único entre os citados como suposto integrante do esquema de propinas a comparecer na sessão da CPMI. Quando o governo trabalhava contra a investigação, Cunha trabalhou ao lado da oposição para que a comissão mista fosse criada. Na sessão de ontem, votou com o governo pela reunião aberta.

“Com todo o respeito, linha auxiliar do PT, uma ova, candidato Aécio” – Luciana Genro, presidenciável do PSOL, ao discutir com o adversário tucano sobre os mensalões do PT e do PSDB

*Com Leonardo Fuhrmann, Edla Lula e Patrycia Monteiro Rizzotto

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas