Afirmação de candidato tucano ao Senado contradiz declaração de Aécio Neves dada ao iG na última sexta-feira

José Serra, candidato ao Senado pelo PSDB-SP, ao lado de Luis Maida, publisher da revista lounge
Ana Flávia Oliveira/iG São Paulo
José Serra, candidato ao Senado pelo PSDB-SP, ao lado de Luis Maida, publisher da revista lounge

Em almoço com empresários do setor de entrenimento nesta terça-feira (16), o candidato ao Senado pelo PSDB de São Paulo, José Serra, deu indícios de que o partido pode apoiar Marina Silva , presidenciável pelo PSB, em uma eventual disputa entre ela e a petista Dilma Rousseff .

"Acho que é fundamental trocar o sistema de poder, de partidos. Estou com o Aécio [Neves, candidato a presidência pelo PSDB], mas tem a Marina que está despontando. Prefiro o Aécio, mas qualquer solução que não seja o PT continuar é importante até para que o novo governo tenha um crédito de confiança para fazer as coisas", disse.

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A afirmação do ex-governador de São Paulo vai contra a declaração de Aécio Neves ao iG na última sexta-feira (12). "Temos duas alternativas: ou ganhamos as eleições e vamos governar o Brasil, e é a alternativa que eu prefiro e vou lutar por ela, ou perdermos as eleições. Se essa for a decisão dos brasileiros, e espero que não seja, vamos para oposição e quem decide um papel de um partido político é o povo", disse, na ocasião, o candidato tucano.

Veja imagens da corrida presidencial:

O ex-governador mineiro é o terceiro colocado na disputa ao Palácio do Planalto, com 15% das intenções de voto, atrás de suas principais adversárias, de acordo com pesquisa Vox Populi divulgada nesta segunda-feira . Dilma tem 36% das intenções de voto e Marina aparece com 27%.

O senador Agripino Maia, coodenador de campanha de Aécio, gerou desconforto dentro do partido ao fazer uma declação parecida com a de Serra no começo do mês. Agripino disse, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", que os tucanos querem "realizar um segundo turno". “Se não for possível, avalizar a transição para o segundo turno. Ou seja, com uma aliança com Marina Silva, por exemplo. É tudo contra um mal maior que é o PT.”  A declaração foi vista como precipitada pelos tucanos. 

Em São Paulo, o PSB apoia a candidatura do PSDB, com a dobradinha Alckmin e o pessebista Márcio França, como vice de chapa.

Almoço na piscina

O encontro que contou com a participação de Serra, promovido pelo empresário Luis Maida, aconteceu à beira da piscina de um hotel luxuoso na região do Brooklin, zona sul de São Paulo. Geraldo Alckmin , candidato a reeleição ao governo do Estado, era esperado, mas não compareceu.

José Serra, um dos homens fortes entre os tucanos, chegou acompanhado do vereador paulistano Eduardo Tuma (PSDB) e de Bruno Caetano, candidato a deputado estadual do partido, para quem pediu votos. O candidato cumprimentou alguns convidados e permaneceu a maior parte do tempo conversando a mulher de Caetano. Ele comeu ragu de polenta com calabresa e não bebeu durante o almoço. 

Em sua fala a empresários e convidados, Serra aproveitou para criticar a condução econômica do governo federal. "Vamos batalhar para tirar o Brasil dessa situação, de escândalos e estagnação. Não é possível a gente continuar funcionando com a economia parada, inflação pressionando e um pessimismo que é terrivel."

O candidato ao Senado prometeu ainda a criação da nota fiscal brasileira, à exemplo do modelo de São Paulo, que devolve parte dos impostos ao comprador.

"Ganhamos com ela em São Paulo, apesar da devolução de 30% do imposto agregado na atividade determinada e dos R$ 150 milhões que deixamos para sorteio. A gente vai conseguir fazer isso no plano nacional, tirando [impostos] PIS e Cofins de maneira que vai aumentar a arrecadação. Acho uma coisa boa para a atividade, porque estimula o consumo nos bares e restaurantes", avaliou Serra.


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