Candidatas apontam para continuidade de projetosexistentes; socialista fala em prever Bolsa Família em lei, enquanto petista promete ampliar Mais Médicos e Minha Casa, Minha Vida

O programa de governo divulgado pela candidata do PSB, Marina Silva, apresenta propostas de manutenção das políticas sociais implantadas durante os governos petistas e adota ideias já apresentadas pelo tucano Aécio Neves. Marina propõe, por exemplo, tornar uma política de Estado, prevista em lei, o programa Bolsa Família, uma das mais fortes marcas da administração do PT.

Antes da campanha, essa ideia já havia sido apresentada no Senado, na forma de projeto de lei de autoria de Aécio. O objetivo do tucano, naquela época, era esvaziar qualquer discurso do PT na campanha que insinuasse o término do programa de distribuição de renda em um eventual governo tucano.

Marina tem tentado dar uma cara nova às velhas propostas, ao dizer que pretende implantar uma “terceira geração de programas sociais”. Segundo ela, as políticas públicas não podem se destinar a garantir apenas a “mera sobrevivência”, mas também “igualdade de oportunidades, acesso a serviços públicos de qualidade e plena emancipação das famílias”.

CNI/Ibope: Dilma está com 39%, Marina, 31%, e Aécio, 15%

Continuidade de projetos sociais já existentes marcam propostas de Dilma Rousseff e Marina Silva
Divulgação
Continuidade de projetos sociais já existentes marcam propostas de Dilma Rousseff e Marina Silva

“O Brasil conseguiu retirar da extrema pobreza uma parcela da população por meio de programas de transferência de renda direta às famílias. As desigualdades sociais e regionais permanecem, porém. É tempo de adotar programas sociais de terceira geração, que incluam qualidade de vida e bem-estar, essenciais à construção de uma sociedade fraterna”, destaca o texto.

A campanha de Dilma ainda não apresentou um programa de governo detalhado. A candidata tem apresentado suas propostas de políticas sociais paulatinamente, em entrevistas, eventos dirigidos a segmentos específicos ou mesmo em seu programa de TV.

Dilma tem se baseado em suas principais marcas para apresentar ideias de ampliação em um eventual segundo mandato. Um exemplo é o programa Mais Médicos, que contratou profissionais brasileiros e estrangeiros para trabalharem principalmente nas periferias das grandes cidades e nos municípios do interior do país. A presidente já anunciou que estenderá essa política para outras especialidades médicas além do atendimento básico, como funciona atualmente.

Proposta de Dilma e Marina: 
- Na economia, Dilma mantém desenvolvimentismo e Marina flerta com liberalismo
- Dilma e Marina têm mais semelhanças que diferenças em relação à agenda LGBT
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Continuidade marca propostas de Marina e Dilma para área da Saúde
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Marina abandona discurso antipetróleo e adere ao pré-sal após crítica de Dilma

Outra marca de Dilma na área social é o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que a presidente propõe estender a moradias rurais.

Na falta de propostas originais, o discurso usado por Marina também indica a necessidade de um diagnóstico mais preciso sobre as demandas sociais. “Levantar as reais necessidades da população atendida pelos programas sociais para identificar os serviços a oferecer”, aponta como uma das metas do programa de governo divulgado pela candidata.

O programa de Marina também sinaliza para uma menor tutela, por parte do governo, das populações atendidas e propõe parcerias com entidades privadas na definição de políticas sociais. “Buscar convênios e outras formas de associação com entidades públicas e privadas que contribuam para a diferenciação das políticas sociais, de acordo com as diversidades regionais e culturais”, destaca o texto.

Veja imagens da campanha dos presideciáveis: 

Na área da Saúde, Marina tenta reeditar o programa de Saúde da Família, criado em 1994, no governo de Itamar Franco, e o aponta como “chave para alcançar uma nova realidade”.

Desde que foi criado, em 1994, ele evoluiu progressivamente e, hoje, configura-se como política pública orientadora da Atenção Básica no Brasil.

“Suas equipes atuam para promover o bem-estar, prevenir doenças e orientar a demanda pela rede de atendimento, levando cuidados a mais de 100 milhões de brasileiros atualmente. Ocorre que seu trabalho não chegou à totalidade dos municípios e está ainda concentrado em zonas urbanas, com especial déficit no interior do Norte e do Nordeste do país”, diz o texto divulgado por Marina.

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