Para presidente, fala de Marina e Aécio não são de “alto nível”. Ela ainda defendeu o fortalecimento de partidos para marcar sua diferença com Marina em relação à reforma política

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (15) que lamenta os ataques de Marina Silva e Aécio Neves ao seu governo em relação ao que eles chamaram de “malfeitos” na Petrobras. De acordo com a presidente, a fala dos seus dois adversários “não são de alto nível”.

“Dos 12 anos aos quais ela (Marina) se refere, oito ela estava no governo, como eu. O resto, ela estava no Senado”, disse Dilma em relação a Marina. “Em qualquer lugar fazem malfeitos, quem não investiga não descobre”, disse Dilma em relação ao governo tucano.

Ao falar sobre reeleição, assunto que os dois candidatos se declararam contrários, Dilma disse que é preciso ter cuidado para não tirar o poder de decisão da população. “Se a reforma política é para tirar o povo das decisões, eu não sou a favor não”, reagiu a presidente.

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Dilma Rousseff (PT) durante lançamento do livro “Um país chamado favela”, no Rio de Janeiro (15/09)
Divulgação/PT
Dilma Rousseff (PT) durante lançamento do livro “Um país chamado favela”, no Rio de Janeiro (15/09)


“Tem gente querendo fazer com que o povo só vote de cinco em cinco anos. Depende, vai coincidir mandato ou não, sem discutir isso, nós não modelamos a reforma política que queremos”, respondeu a presidente ao ser indagada se é contra ou a favor do fim da reeleição.

Dilma ainda marcou sua posição em relação aos partidos políticos que, segundo ela, precisam sair fortalecidos de uma eventual reforma política. A reforma proposta por Marina contêm pontos que acabam enfraquecendo os partidos como a possibilidade de candidaturas avulsas, por exemplo. “Nós precisamos também discutir partidos políticos nas reformas política porque não existe democracia sem partidos políticos, não existe, isso é uma invenção”, opinou Dilma.

“É impossível supor uma democracia sem partidos porque certamente vai ter alguém dirigindo a cena dos bastidores, geralmente gente muito rica. Assim é que se passa de um sistema democrático para o oligárquico, disfarçado de democrático”, disse a presidente após participar do lançamento de um evento organizado pela Central Única de Favelas (Cufa), em Madureira, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.

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Mais cedo, a presidente recebeu o apoio de mais de 70 artistas que lançaram um manifesto intitulado “A primavera dos direitos de todos: ganhar para avançar”.

O documento indica que as eleições deste ano apontam dois caminhos: o da continuidade que “deve ser mantido, melhorado e aprofundado” ou o caminho do retrocesso, que levaria ao “desemprego, entrega, pobreza e humilhação”.

"Os brasileiros decidem agora se o caminho em que o país está desde 2003 é positivo e deve ser mantido, melhorado e aprofundado, ou se devemos voltar ao Brasil de antes - o do desemprego, da entrega, da pobreza e da humilhação”, diz o documento assinado, entre outros, por Chico Buarque, Chico César, Noca da Portela, Alcione, Beth Carvalho, Leci Brandão, o teólogo Leonardo Boff, a economista Maria da Conceição Tavares, a filósofa Marilena Chauí, Vera Niemeyer, viúva do arquiteto Oscar Niemeyer, além de dos escritores Luis Fernando Verissimo, Fernando Morais e Silvano Santiago, dos atores Osmar Prado, Paulo Betti, Matheus Nachtergale, Chico Diaz, Sergio Mamberti, Silvia Buarque, Tonico Pereira, Hugo Carvana e Ângela Vieira.

No documento, os artistas também defenderam que o país precisa das mudanças que motivaram as manifestações nas ruas das principais cidades do país em julho do ano passado, mas que nunca o país “havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e de justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados”.

“O Brasil precisa, sim, de mudanças, como as próprias manifestações de rua do ano passado revelaram”, diz o manifesto. “Consideramos que é essencial assegurar as transformações que ocorreram e ocorrem no país, e que devem ser consolidadas e aprofundadas. Só assim o Brasil será de verdade um país internacionalmente soberano, menos injusto, menos desigual, mais solidário”, destacaram.

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