Sugestões de partidos coligados para mudança de tom incluem contraponto ao PT sem agressividade e tom propositivo

Em meio a resultados fracos nas pesquisas de intenção de votos, aliados do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves , dão palpites sobre como acreditam que o tucano deva lidar com esse momento difícil da disputa. Poucos arriscam fazer críticas abertamente. Até pelo momento delicado da campanha para o senador mineiro , que se vê cada vez mais distante dos índices de intenção de voto de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) e, portanto, do segundo turno. Reservadamente, entretanto, apoiadores de Aécio afirmam que o tucano poderia fazer para melhorar sua posição no tabuleiro eleitoral. Moderar o "economês", por exemplo, facilitaria o diálogo com o eleitor, dizem alguns apoiadores.

Aécio Neves (PSDB) faz campanha nas ruas da cidade mineira de Montes Claros (11/09)
Divulgação/PSDB
Aécio Neves (PSDB) faz campanha nas ruas da cidade mineira de Montes Claros (11/09)

Alguns integrantes de partidos coligados ao tucano (DEM, SDD, PMN, PEN, PTN, PTB, PTC e PT do B) acreditam que Aécio deve reforçar discursos que destaquem suas propostas na área social, como seu projeto que prevê mudanças no Programa Bolsa Família. Aécio é autor de proposta que transforma o Bolsa Família em política de Estado. A estratégia do senador foi desarmar algo que considerava óbvio: o governo tentaria usar a tática do medo para convencer o eleitor de que a eleição de Aécio poderia significar o fim do programa.

A proposta do senador mineiro ainda abre espaço para que beneficiários do programa continuem a receber os valores durante período de seis meses após ter conseguido emprego formal. O texto foi aprovado em comissão e aguarda votação no plenário. Na visão de alguns aliados, Aécio permanece tempo demais falando “economês” e com isso se distancia do eleitorado. Apesar de reconhecerem a importância do tema para a vida das pessoas, apoiadores do senador creem que o candidato precisa abrir vias mais eficientes de diálogo com a população mais pobre.

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Para o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Mendonça Filho (DEM-PE), Aécio sofre do fenômeno do “voto útil”. “Foi o voto útil que tirou dele (Aécio) uma boa quantidade de votos”, diz o parlamentar, que arriscou um palpite sobre os índices do tucano caso não tivesse sofrido com o que avaliou como migração de votos. Segundo ele, o tucano já estaria na casa dos 25%. Na opinião do líder do DEM, o eleitor deixou de votar em Aécio para votar em Marina por acreditar que ela poderá vencer Dilma no segundo turno. “Mas isso é muito relativo”, pondera ele.

Mendonça Filho acredita que a melhor forma de lidar com a questão do “voto útil” é reforçar um discurso propositivo. “Linha propositiva é que conquista voto”, resume ele. Até na forma de se contrapor ao PT Mendonça Filho acredita ser algo que deva ser feito com alguns cuidados. “É preciso fazer esse contraponto ao PT, mas sem que isso saia de forma demasiadamente agressiva”, afirma ele.

“Ele tem que manter a tranquilidade, fazer propostas e dizer como melhorar o Brasil, e esperar essa tempestade passar. É agora que as pessoas vão começar a pensar em eleição para valer”, emendou o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (SDD-SP). Para ele, é mais fácil neste momento para Aécio tirar votos de Dilma do que de Marina.

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Telma Ribeiro, presidente nacional do PMN, questiona a eficácia de estratégias eleitorais em vista do quadro atual. Para ela, poucos eleitores estão de fato engajados e têm disposição para discutir com profundidade os problemas do país durante o processo eleitoral. Ela defende que esse quadro só poderá ter alguma mudança com a melhora da qualidade da educação no país. “Nossa Educação está sucateada”, diz ela. Ela acredita que Aécio deve se colocar nesse debate com discurso sóbrio e voltado para propostas. Deve evitar o palavrório em torno dos embates de Dilma com Marina. Embora reconheça que as circunstâncias que envolveram a chegada de Marina na disputa ainda tenham peso na escolha do eleitor, a comoção pode abrir espaço mais a frente pela busca por propostas, numa abordagem mais racional da eleição. “Ainda veremos alterações nesse processo”, diz ela.

Apesar disso, a presidente do PMN faz uma reflexão sobre algo que na opinião dela poderia ter ajudado Aécio a consolidar seu voto de forma mais sólida, o que poderia ter evitado o processo de desidratação de sua candidatura verificado nas pesquisas de intenção de votos. “O (governador paulista Geraldo) Alckmin está numa posição mais tranquila. Talvez ele não tenha tanto carisma na TV, mas pessoalmente tem. E ele correu o estado todo, mesmo antes (na pré-campanha). Talvez o que tenha faltado ao Aécio tenha sido isso, ter percorrido mais tempo os estados antes da eleição, na pré-campanha”, avaliou a dirigente.

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