Em campanha no Rio, candidato do PSDB também voltou a criticar incoerência de Marina e diz crer em “onda da razão”

Agência Brasil

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves , prometeu neste domingo (14), no Rio de Janeiro, que pagará uma bolsa no valor de um salário mínimo por mês para garantir a conclusão dos estudos aos cerca de 20 milhões de jovens brasileiros entre 18 e 29 anos que não completaram o ensino fundamental ou o médio. “Eu vou pagar uma bolsa de um salário mínimo para resgatar esses 20 milhões de jovens que não concluíram esse ensino. Eles vão concluir o fundamental e os que quiserem vão concluir o ensino médio e a gente vai qualificar esses caras no curso técnico, que tem a ver com as oportunidades do mercado”.

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Aécio pretende usar a experiência de Minas Gerais na educação para a sua gestão na Presidência da República, caso seja eleito. A medida adotada em Minas, que estabelecia o depósito de uma quantia no final do ano para cada aluno do ensino médio que, entretanto, só podia ser sacada se comprovada frequência e ficha limpa, reduziu em mais de 50% a evasão escolar. “A gente quer levar isso para o Brasil inteiro”.

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Acompanhado do ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, o Ronaldo Fenômeno , o ex-governador de Minas Gerais participou do lançamento oficial do livro Um País Chamado Favela, que reúne a mais ampla pesquisa já efetuada sobre as favelas brasileiras. O exemplar foi entregue pelos autores Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas (Cufa), e pelo presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles.


“Segurança pública é muito importante”, disse o candidato do PSDB, referindo-se às unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), “mas tem que levar serviços, emprego, qualificação às pessoas para não ficar no meio do caminho”. Aécio Neves disse que o livro sobre as favelas é um roteiro que vai fazer a sociedade e os governantes compreenderem o que se passa nesses locais, ”a partir de uma visão de dentro para fora. Saber o que as pessoas [das favelas] pensam, sentem, acham o que aconteceu de bom e o que precisa ainda acontecer”.

Aécio ressaltou que o livro mostra a opinião da maioria dos habitantes de favelas do país de que não foi nenhum governo que fez a vida do povo melhorar “nesta ou naquela região". "Nós sabemos, na verdade, que quem melhora a vida de cada um é quem acorda cedo, quem rala, que chacoalha em um transporte de péssima qualidade, estuda e trabalha para encontrar um lugar na vida”, disse o candidato do PSDB. O Estado, frisou, deve ser um parceiro do cidadão no sentido de fazer o país crescer e trazer boas condições de vida para seu povo.

Mais críticas a Marina Silva

Candidato Aécio Neves, terceiro nas pesquisas eleitorais, ainda disse confiar em uma “onda da razão” para recuperar terreno e fez críticas diretas à candidata Marina Silva (PSB) por mudar o seu posicionamento.

“Eu não vendo ilusões, eu tenho um projeto para o Brasil amplamente discutido e coerente com o meu passado. Eu não mudo de posição ao sabor dos ventos”, disse Aécio. 

Como exemplo de posturas contraditórias, o tucano fez referência às correções feitas por Marina em seu programa de governo na parte dedicada aos direitos LGBT, supostamente após receber críticas no Twitter, e citou a mudança de posição da ex-ministra do Meio Ambiente em relação ao agronegócio e ao transgênicos, cujo uso foi defendido pelo tucano.

"O errado seria eu mudar de ideia porque alguém tuitou algo contra uma proposta minha, seria eu mudar de ideia porque agora preciso agradar a um setor da economia, porque eles têm voto, mesmo que lá atrás, no caso do agronegócio e da Marina, ela tenha sido frontalmente contrária ao avanço dos transgênicos no país”, disse ele.

Críticas a Dilma

Aécio aproveitou o lançamento do livro “Um país chamado favela”, em que os autores Celso Athayde e Renato Meireles fizeram um diagnóstico estatístico da situação das favelas brasileiras, para alfinetar também a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

Segundo a obra, 76 por cento dos moradores da favela responderam ter melhorado de vida nos últimos anos, mas apenas 1 por cento desses disseram que isso se devia a ações de governo. O dado foi usado por Aécio para acusar o governo de Dilma de enganar a população ao creditar a si uma eventual melhora nas condições de vida dos cidadãos.

“Diferente do que o atual governo defende, esse discurso de que o Estado que modificou a sua vida é uma enganação”, disse Aécio, acrescentando em seguida que “o atual governo fracassou pelo absoluto descompromisso com a ética... e fracassou na condução da economia”.

*com Agência Brasil e Reuters

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