Senador também seria incapaz de compreender novo cenário político, alegam coordenadores de programa da ex-senadora

Ao atacar Marina, Aécio fortalece Dilma, acusa Rands, coordenador de programa do PSB
Agência Brasil
Ao atacar Marina, Aécio fortalece Dilma, acusa Rands, coordenador de programa do PSB

Coordenadores do programa de governo de Marina Silva (PSB) acusaram Aécio Neves (PSDB) de arrogância e incapacidade para compreender o novo cenário políltico brasileiro ao atacar a ex-senadora durante entrevista ao portal iG e à Rede TV! que foi ao ar nessa sexta-feira (12).

ASSISTA: Se perder, PSDB será oposição a Marina Silva, diz Aécio Neves

Aécio, terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, disse temer que um eventual governo Marina possa fracassar por falta de governabilidade e que a adversária vende ilusões ao prometer uma agenda ampla de mudanças sem detalhar como obterá apoio do Congresso.

“Com uma certa arrogância, Aécio mostra que o uso do cachimbo entorta a boca. Ele pensa que o único modelo é o que foi praticado pelo governo do PSDB no episódio da reeleição, em que a única forma de construir uma base aliada é se entregando a tutela da governabilidade a Antônio Carlos Magalhães [senador do então PFL, hoje DEM, morto em 2007], que dispensa comentários”, disse o ex-deputado Maurício Rands, coordenador de programa de Marina e um dos nomes fortes do PSB na campanha. 

Fundador da Rede Sustentabilidade - grupo de Marina que se abrigou no PSB até a fundação de um partido com aquele nome - e também coordenador de programa, Célio Turino acusou Aécio de defender, juntamente com o PT, uma “partidocracia” que afasta a população do Estado.

“O apoio político que Marina tem construído é com a sociedade. Em junho [ de 2013, quando o País viveu uma onda de manifestações ], a sociedade disse que esse método de captura do Estado pelos partidos políticos não dá mais”, disse Turino. “Ela vai fazer um governo em que a sociedade volte a reconquistar o Estado como o espaço dela.”

Rand, ressalva que a ex-senadora não abandonará os partidos, mas que a governabilidade será construída mais diretamente com os parlamentares, e menos com a cúpula das legendas.

“Ele [ Aécio ] diz que o novo modelo de governabilidade vai se basear numa agenda de País, e não percebe que a nova base, além de baseada numa agenda, vai valorizar muito forças dos partidos e os próprios parlamentares em sua integralidade”, diz. “Isso [ a construção de base de apoio ] só é feito [ atualmente ] com as cúpulas dos partidos.”

'O primeiro time está na sociedade'

Durante a entrevista, o candidato do PSDB também sugeriu que, se votar em Marina, o País estaria escolhendo um “segundo time” para governar - numa referência ao argumento da ex-senadora de que irá escolher os melhores integrantes de cada legenda para compor o seu governo -, em oposição ao primeiro time do PSDB.

“Primeiro, isso revela uma profunda arrogância em acreditar que só o PSDB teria um primeiro time e mostra exatamente esse isolamento, esse descolamento [ de Aécio ] da sociedade. O primeiro time está na sociedade”, afirma Turino, da Rede.

LEIA TAMBÉM: PSDB na oposição a Marina é jogo de cena, avaliam cientistas políticos

Rands disse reconhecer que “existem pessoas boas nos outros e também fora dos partidos”, e apresentou o argumento de Aécio como um exemplo do que chama de “velha política” baseada na lógica da polarização entre as legendas.

Aécio Neves durante entrevista ao iG e à RedeTV! (12/09/2014)
Vitor Sorano/iG
Aécio Neves durante entrevista ao iG e à RedeTV! (12/09/2014)

A exploração dos conceitos de nova política por Marina também foi alvo dos ataques de Aécio durante a entrevista, pelo fato de a ex-senadora ter construído  sua carreira dentro do PT - que, junto com o PSDB, encarnaria a velha política.

Para Turino, a crítica de Aécio parte de uma visão “deformada” de que o novo não poderia partir de um processo político do qual o PT e o PSDB fizeram parte. Assim como Rands, o fundador da Rede classificou a fala do tucano como falta de compreensão do atual cenário político do País.

“Como Aécio continua no campo da política tradicional, ele não está compreendendo a renovação política que está se iniciando, com essa candidatura da coligação Unidos pelo Brasil. Ele está acostumado a ver o mundo pelo prisma da velha política”, disse Rands.

Os coordenadores do programa de Marina também atacaram a fala em que Aécio acusou Marina de mudar “ao sabor do vento” - a senadora alterou sua proposta sobre casamento gay e tem sido criticada por adotar uma postura menos crítica aos organismos transgênicos do que no passado.

Turino acusou os adversários de tentarem criar a falsa impressão de que Marina é inconsistente em suas posições, e de não apresentarem suas propostas de governo, à diferença do que fez a ex-senadora. Rands disse que os ideais, princípios e valores da candidata “são os mesmos desde que ele começou a luta pelos povos da floresta junto com Chico Mendes.”

Para o ex-deputado, a postura agressiva de Aécio contra Marina pode beneficiar a candidatura de Dilma Rousseff (PT), que lidera a corrida com 36% das intenções de voto, segundo o Datafolha - Marina tem 33% e Aécio, 15%.

“Ao fazer essas distorções em relação à candidatura de Marina e Beto [Albuquerque, candidato a vice], ele acaba correndo o risco de trabalhar como linha auxiliar da candidatura de Dilma, como teria sido alertado por Fernando Henrique Cardoso”, disse Rands. “Como não está na disputa direta, Aécio fica dirigindo as baterias contra a candidatura de Marina.”

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.