Candidato do PSDB ainda lembra escândalo da Petrobrás e diz que País sofre um susto por semana com denúncias

Reuters

O Brasil vive "um susto por semana" por causa das denúncias de corrupção que vêm atingindo a Petrobras, disse neste sábado o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves , durante evento de campanha em Belo Horizonte.

Aécio disse que, por conta das denúncias de irregularidades, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, perdeu a "moral" para governar, e avaliou que a candidata do PSB, Marina Silva, não conseguiu adquirir as condições para governar o Brasil.

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O tucano aparece atualmente em uma distante terceira posição nas pesquisas de intenção de voto , enquanto Dilma e Marina disputam a liderança e caminham para o segundo turno.

Informações vazadas recentemente à imprensa a partir de depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa à Polícia Federal, mediante delação premiada, indicaram um suposto esquema de repasse de recursos a políticos e partidos da base aliada.

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"O Brasil não merece viver com sustos como esses. Nós temos que resgatar o padrão ético na Presidência da República", disparou o tucano.

"O Brasil é um susto por semana. É uma notícia por semana ... A presidente da República perdeu as condições de governabilidade e a candidata Marina não adquiriu essas condições. Governar é muito mais do que ter boas intenções, até porque todos nós as temos."

As pesquisas de intenção de voto mostram que Aécio caminha para se tornar o primeiro candidato do PSDB à Presidência a ficar abaixo da segunda posição numa corrida pelo Palácio do Planalto desde 1989.

Ainda assim, o tucano voltou a manifestar confiança de que estará em uma segunda rodada de votações. Segundo o Ibope, Aécio está 16 pontos percentuais atrás de Marina e 24 atrás de Dilma. Já segundo o Datafolha, a desvantagem do tucano para a candidata do PSB é de 18 pontos, ao mesmo tempo em que ele aparece 21 pontos atrás da petista.

"Nós vamos estar no segundo turno. Não sei com quem. E vamos estar porque a mudança somos nós", afirmou.

Igualdade racial

Aécio Neves também divulgou neste sábado uma lista de 37 ações que serão incluídas no programa de governo para combater a discriminação e valorizar a igualdade étnica no país.

De acordo com Aécio, as ações estão divididas em quatro grupos: fortalecimento do combate ao racismo, promoção de políticas de igualdade racial, arranjos institucionais para assegurar a sustentabilidade das políticas de igualdade racial e participação política e controle social.

Para o candidato tucano, o alto índice de assassinatos de jovens negros nas periferias das grandes cidades representa um genocídio que precisa ser combatido com políticas específicas. “Ano passado, grande parte das 56 mil mortes por assassinatos no Brasil ocorreu por conta do tráfico de drogas. Dessas, 30 mil envolviam jovens negros. Temos de enfrentar isso com políticas de inclusão, como essas que estamos lançando hoje”, disse.

Entre as propostas, estão a regulamentação efetiva do Estatuto da Igualdade Racial em até 12 meses e a instituição de cotas de 50% de mulheres negras no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e de 50% de negros e de povos tradicionais nas candidaturas partidárias.

O candidato prometeu criar lei que garanta a participação de afrodescendentes em pelo menos 50% das propagandas e campanhas publicitárias federais e estaduais. Ele se comprometeu a incluir ações específicas para etnias e raças nos programas sociais do governo.

Propôs, ainda, a criação do Fundo Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e o apoio à criação, em todo o país, de coordenadorias, ouvidorias e delegacias especializadas no combate ao racismo. O documento também sugere o tombamento, como patrimônio imaterial, das manifestações religiosas e das expressões culturais e folclóricas africanas.

*com Reuters e Agência Brasil

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