Tucano afirma que partido não comporá governo em uma eventual vitória de Marina Silva, que venceria Dilma no 2º turno

O PSDB irá para oposição caso seja derrotado nas eleições presidenciais, mesmo que a vitoriosa seja Marina Silva (PSB), afirmou o candidato tucano e presidente da legenda, senador Aécio Neves , em entrevista ao iG e à RedeTV!.

Aécio Neves durante entrevista ao iG e à RedeTV! (12/09/2014)
Vitor Sorano/iG
Aécio Neves durante entrevista ao iG e à RedeTV! (12/09/2014)

"Temos duas alternativas: ou ganhamos as eleições e vamos governar o Brasil, e é a alternativa que eu prefiro e vou lutar por ela, ou perdermos as eleições. Se essa for a decisão dos brasileiros, e espero que não seja, vamos para oposição e quem decide um papel de um partido político é o povo", disse o candidato aos jornalistas Amanda Klein, da RedeTV!, e Tales Faria, publisher do iG .

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A entrevista foi a segunda da série que ouvirá propostas dos presidenciáveis. Na quinta-feira (11), Dilma Rousseff foi sabatinada .

Assista ao 1º bloco da entrevista de Aécio Neves ao iG e à RedeTV!:

Assista ao 2º bloco da entrevista de Aécio Neves ao iG e à RedeTV!:

Assista ao 3º bloco da entrevista de Aécio Neves ao iG e à RedeTV!:

Questionado sobre se a postura seria a mesma no caso de uma vitória de Marina Silva, Aécio respondeu: "Se nós perdermos as eleições, vamos ser oposição. A quem ganhar. Como espero ganhar as eleições, espero ser governo." 

A demarcação de distância em relação a Marina ocorre apesar de Aécio ver proximidade entre o programa econômico do PSDB e o da adversária, afirmando que ela "abraça agora a nossa política econômica, inclusive indo além" ao propor a autonomia formal do Banco Central, algo que o tucano não propôs.

Aécio também reconheceu que sua candidatura perdeu eleitores para a de Marina, mas ressaltou que esse movimento começou a se inverter, e que ele estará no segundo turno. O Datafolha de 8 e 9 de setembro dá 15% das intenções de voto para o tucano, um ponto a mais do que no levantamento anterior, e Marina tem 33%, um a menos.

"Esse quadro [segundo turno entre Marina e Dilma ] é impossível de acontecer, porque eu vou estar no segundo turno", afirmou Aécio. "Eu não tenho dúvida que essa movimentação começa acontecer. Na semana que vem espero que as pesquisas já comecem a apontar esse sentido."

Veja imagens de Aécio Neves durante a campanha:

Marina vira alvo

Aécio elegeu Marina Silva como principal alvo de seus ataques durante a entrevista, à semelhança do que fez Dilma Rouseff (PT) na entrevista concedida na quinta-feira (11), reiterando o discurso de que é a opção mais segura para os eleitores que querem mudança.

O tucano acusou a pessebista de mudar “ao sabor do vento” - a candidata alterou seu programa de governo sobre casamento gay após críticas da comunidade evangélica, e tem mostrado uma postura mais aberta ao cultivo de organismos transgênicos do que no passado, por exemplo.

O tucano também questinou a exploração da ideia de nova política por Marina, que militou por 20 anos no PT – partido que ela agora acusa de, junto com o PSDB, praticar a velha política – e afirmou ter medo de fracasso de um eventual governo de Marina.

“Temo que sim. Porque não vejo condições de tudo aquilo que está sendo colocado ser viabilizado. Temo muito isso da descontrução dos partidos, das instituições, da negação de tudo. O que nós enfrentaremos pela frente é um momento de extrema complexidade. O Brasil não é para amadores.”

Aécio também atacou a ideia de Marina de governar com os melhores quadros de cada partido. O senador afirmou que o PSDB tem uma “seleção de nomes” na economia e em outras áreas e que não faria sentido governar “com o segundo time”. E acusou a candidata de “vender ilusões” ao não prever como conseguirá apoio parlamentar para seu programa de governo.

“Você achar que pinça um nome aqui, pinça um nome ali e vai construir uma agenda no Congresso Nacional e vai aprová-la, é vender ilusões.”

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