Após fama de Dr. Hollywood na TV, cirurgião busca vaga de deputado e prevê que seu estilo renderá preconceito com os colegas mais velhos no Congresso: ‘Olha o Dr. Gay'

Após ganhar o título de Dr. Hollywood pelo mundo, o brasileiro e cirurgião plástico Robert Rey percorre as ruas do Estado de São Paulo para conquistar neste ano o cargo de deputado federal pelo PSC. Confiante, Rey acredita que após eleito seu maior desafio será ser aceito pelos políticos de Brasília. Para ele, o Congresso Nacional é um reflexo das ruas, onde enfrenta diariamente apelidos como “Dr. Gay” de alguns eleitores pelo seu “estilo e carisma”.

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“Sei que vou encontrar muita salsicha velha e corrupta em Brasília. Já vejo alguns grupos me olhando e falando: ‘Olha o Dr. Gay’. Se isso acontecer, vou direto para a imprensa denunciar os velhos que encherem o meu saco”, garante ao iG, em entrevista na zona sul de São Paulo, que começou com três horas de atraso. Além da reportagem, uma equipe de ao menos 10 profissionais o aguardava para a gravação de novas inserções do horário eleitoral.

iG acompanha os bastidores do horário eleitoral com Dr. Rey. Assista:

Rey conserva o sotaque americano, sente dificuldades com o português e mantém o discurso “da democracia quase perfeita” que conheceu após 37 anos nos EUA. Mas dispensa a pontualidade dos gringos. Seus atrasos são corriqueiros e não surpreendem os profissionais que o acompanham em campanha pelo Estado. Com um rápido pedido de desculpas, o cirurgião entrou na produtora com sua mala de mão Louis Vuitton, onde leva todos os itens “essenciais”, entre cosméticos, santinhos e dois diplomas de Harvard plastificados.

“Plásticas no SUS para as minas”

Na sua presença, é comum também ouvir frases soltas e xingamentos em inglês e até cantadas direcionadas para todas as mulheres presentes no mesmo espaço, especialmente a maquiadora logo apelidada de “nojentinha” por não corresponder às investidas de Rey. A sua dedicação à brasileira vai além da atração, segundo ele, dizendo ainda que as mulheres serão alvo do seu primeiro projeto de lei em Brasília. O uso de gravatas com cores femininas cravaria o seu compromisso com essa parcela do eleitorado.

“As minas nos apoiam porque somos o sonho de consumo delas. No meu primeiro dia como deputado anunciarei o pacote contra a violência da mulher”, justifica Rey, prometendo ainda satisfazer suas eleitoras, que o abordam nas ruas e imploram por intervenções cirúrgicas milagrosas. “Elas querem abdominoplastias para tirar estrias após gravidez, querem levantar o peitinho, né? As minas perguntam: ‘Rey, vai ter plástica no SUS?’. Eu digo: ‘Sim, bebê, vou colocar no SUS’. São cirurgias simples que levam uma hora.”

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Além do voto feminino, o candidato diz que recebe apoio dos jovens eleitores e dos gays. Questionado se dividir a legenda com notórios inimigos da comunidade LGBT, como os deputados Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e o presidenciável Pastor Everaldo, poderia distorcer sua imagem com homossexuais, Rey demonstra desconforto e se compara ao atual presidente dos EUA, Barack Obama, seu calouro em Harvard.

“Você acha que o presidente Obama é responsável por todos os comentários do partido democrata?”, rebate. Rey se classifica como fruto do clamor das manifestações de junho de 2013, que pediram uma nova política, “um sangue novo”.

“Os jovens ambiciosos e patriotas mandaram uma mensagem para Brasília. Eles queriam sangue novo e eu voltei para o Brasil após um convite do partido, mas não sou responsável por toda porcaria que os membros falam”. E os planos não param no Congresso. Em quatro anos, o cirurgião promete anunciar sua candidatura à Presidência da República.

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