Dr. Rey: “Vou encontrar muita salsicha velha e corrupta em Brasília”

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Após fama de Dr. Hollywood na TV, cirurgião busca vaga de deputado e prevê que seu estilo renderá preconceito com os colegas mais velhos no Congresso: ‘Olha o Dr. Gay'

Após ganhar o título de Dr. Hollywood pelo mundo, o brasileiro e cirurgião plástico Robert Rey percorre as ruas do Estado de São Paulo para conquistar neste ano o cargo de deputado federal pelo PSC. Confiante, Rey acredita que após eleito seu maior desafio será ser aceito pelos políticos de Brasília. Para ele, o Congresso Nacional é um reflexo das ruas, onde enfrenta diariamente apelidos como “Dr. Gay” de alguns eleitores pelo seu “estilo e carisma”.

Lembra deles? Silvio Santos, Milton Gonçalves e famosos que foram candidatos

“Sei que vou encontrar muita salsicha velha e corrupta em Brasília. Já vejo alguns grupos me olhando e falando: ‘Olha o Dr. Gay’. Se isso acontecer, vou direto para a imprensa denunciar os velhos que encherem o meu saco”, garante ao iG, em entrevista na zona sul de São Paulo, que começou com três horas de atraso. Além da reportagem, uma equipe de ao menos 10 profissionais o aguardava para a gravação de novas inserções do horário eleitoral.

iG acompanha os bastidores do horário eleitoral com Dr. Rey. Assista:

Rey conserva o sotaque americano, sente dificuldades com o português e mantém o discurso “da democracia quase perfeita” que conheceu após 37 anos nos EUA. Mas dispensa a pontualidade dos gringos. Seus atrasos são corriqueiros e não surpreendem os profissionais que o acompanham em campanha pelo Estado. Com um rápido pedido de desculpas, o cirurgião entrou na produtora com sua mala de mão Louis Vuitton, onde leva todos os itens “essenciais”, entre cosméticos, santinhos e dois diplomas de Harvard plastificados.

“Plásticas no SUS para as minas”

Na sua presença, é comum também ouvir frases soltas e xingamentos em inglês e até cantadas direcionadas para todas as mulheres presentes no mesmo espaço, especialmente a maquiadora logo apelidada de “nojentinha” por não corresponder às investidas de Rey. A sua dedicação à brasileira vai além da atração, segundo ele, dizendo ainda que as mulheres serão alvo do seu primeiro projeto de lei em Brasília. O uso de gravatas com cores femininas cravaria o seu compromisso com essa parcela do eleitorado.

Candidato do PSC, Dr. Rey disputa vaga de deputado federal por São Paulo. Foto: Edu Cesar / iGA pronúncia do português é ainda um desafio para Rey, como a palavra 'privatização', por exemplo. Foto: Edu Cesar / iGRey diz que aprendeu noções de maquiagem após estrear na TV americana o reality show 'Dr. 90210'. Foto: Edu Cesar / iG'[A produção] não me maquiava. Aí tinha cena que parecia que eu estava fugindo da PM, todo suado", contou ao iG. Foto: Edu Cesar / iGRey em produtora na zona sul de São Paulo, responsável pelas gravações do horário eleitoral e material de campanha. Foto: Edu Cesar / iGVaidoso, Rey diz que aprendeu na universidade de Harvard que o segredo da liderança é o estilo. Foto: Edu Cesar / iGCandidato dispensou 'as colas' do seu discurso na câmera. Foto: Edu Cesar / iGAcessórios fixos na campanha do Dr. Rey: estetoscópio, gravata com cores fortes e broche com bandeira do Brasil. Foto: Edu Cesar / iGO cirurgião não desgruda do celular e ainda distribui cantadas e olhares para mulheres em sua volta. Foto: Edu Cesar / iGFaixa preta em artes marciais, Rey fez movimentos aleatórios de luta no estúdio. Foto: Edu Cesar / iGMala da Louis Vuitton carrega os item "essenciais" da campanha, explica Rey. Foto: Edu Cesar / iGA pedido do iG, Rey topou abrir sua mala e mostrou o que carrega durante a campanha nas ruas. Foto: Edu Cesar / iGDr. Rey: 'Eu abraço mais ou menos 5 mil meninas por dia'. Foto: Edu Cesar / iGLivro 'Body by Dr. Rey' e diplomas de Harvard que foram exibidos durante a entrevista ao iG. Foto: Edu Cesar / iGDr. Rey: 'Será que eu sou o único brasileiro a acreditar no Brasil?'. Foto: Edu Cesar / iGEle constantemente usa a cópia do próprio diploma de Harvard para dizer que está pronto para lutar pelo Brasil. Foto: Edu Cesar / iGAlém do funk carioca, Rey gosta de ouvir a cantora Wanessa Camargo. Na foto, exibe celular tocando a música 'Worth it' da cantora. Foto: Edu Cesar / iGSe perder as eleições, Rey garante que voltará para a sua mansão em Beverly Hills, nos EUA. Foto: Edu Cesar / iGDetalhe da abotoadura de Rey que leva o nome de Harvard. 'Só três políticos brasileiros estudaram lá. Collor, Alckmin e eu' . Foto: Edu Cesar / iG'Kit palestra' de Dr. Rey leva próteses de testículo, nariz, lábios e até botóx. Foto: Edu Cesar / iGNo detalhe, Rey exibe uma prótese de testículo e pergunta: 'Você sabe o que é isso?'. Foto: Edu Cesar / iG'Vou do masculino ao feminino em apenas uma batida do coração', disse o candidato usando um protetor de boca, usado em treinos de luta. Foto: Edu Cesar / iG‘O povo precisa escolher. Que tal um sotaque americano em Brasília? Já tentamos outros sotaques, mas não deu certo’. Foto: Edu Cesar / iG'Gringo não ganha de 2 x 1. Gringo ganha de 7 x 1', concluiu Rey relembrando a derrota brasileira na Copa do Mundo. Foto: Edu Cesar / iGSe eleito, Rey garante que começará a planejar sua candidatura à Presidência do Brasil. Foto: Edu Cesar / iG

“As minas nos apoiam porque somos o sonho de consumo delas. No meu primeiro dia como deputado anunciarei o pacote contra a violência da mulher”, justifica Rey, prometendo ainda satisfazer suas eleitoras, que o abordam nas ruas e imploram por intervenções cirúrgicas milagrosas. “Elas querem abdominoplastias para tirar estrias após gravidez, querem levantar o peitinho, né? As minas perguntam: ‘Rey, vai ter plástica no SUS?’. Eu digo: ‘Sim, bebê, vou colocar no SUS’. São cirurgias simples que levam uma hora.”

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Além do voto feminino, o candidato diz que recebe apoio dos jovens eleitores e dos gays. Questionado se dividir a legenda com notórios inimigos da comunidade LGBT, como os deputados Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e o presidenciável Pastor Everaldo, poderia distorcer sua imagem com homossexuais, Rey demonstra desconforto e se compara ao atual presidente dos EUA, Barack Obama, seu calouro em Harvard.

“Você acha que o presidente Obama é responsável por todos os comentários do partido democrata?”, rebate. Rey se classifica como fruto do clamor das manifestações de junho de 2013, que pediram uma nova política, “um sangue novo”.

“Os jovens ambiciosos e patriotas mandaram uma mensagem para Brasília. Eles queriam sangue novo e eu voltei para o Brasil após um convite do partido, mas não sou responsável por toda porcaria que os membros falam”. E os planos não param no Congresso. Em quatro anos, o cirurgião promete anunciar sua candidatura à Presidência da República.

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