Após entrevista de Dilma ao iG e à RedeTV, ex-secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente diz que a presidente considera a Constituição e a lei ambiental como ‘burocracia’

Considerado braço direito da ex-senadora Marina Silva, o biólogo João Paulo Capobianco disse “lamentar profundamente” os ataques feitos pela presidente Dilma Rousseff em entrevista ao iG e à RedeTV. A petista responsabilizou Marina pelo atraso em obras consideradas estratégicas pelo governo federal, como as usinas hidrelétricas de Jirau e Santo Antonio, em função da maneira como a candidata do PSB conduziu licenciamento ambiental dos projetos quando era ministra do Meio Ambiente.

“Os licenciamentos ambientais concedidos na gestão Marina possuem a qualidade necessária para que essas obras sejam de fato empreendidas. O que existe hoje, no governo Dilma, são licenciamentos dados ao gosto da presidente, que só geram incertezas na indústria e alimentam uma guerra de liminares. Vide a beleza do licenciamento de Belo Monte, que ela deve achar lindo”, disse Capobianco ao iG. “A presidente Dilma só prova o quanto tem uma visão atrasada de Estado.”

Dilma ao iG e RedeTV:  "Obras atrasaram por responsabilidade de Marina"

Dilma Rousseff (PT) é entrevistada por Tales Faria, publisher e vice-presidente editoral do iG, e Amanda Klein, apresentadora do RedeTV! News (11/09).
Alan Sampaio / iG Brasília
Dilma Rousseff (PT) é entrevistada por Tales Faria, publisher e vice-presidente editoral do iG, e Amanda Klein, apresentadora do RedeTV! News (11/09).


Capobianco foi secretário-executivo de Marina no ministério, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e é tido como nome praticamente certo num eventual governo da ex-senadora. Hoje integrante da coordenação da campanha, ele argumentou que Marina sempre pautou os processos de licenciamento pela Constituição e pela legislação ambiental. “A presidente julga que isso tudo é burocracia. Para ela, o prazo de um licenciamento é o prazo que ela define, não aquele que determina a lei e que a sociedade deseja. Mas é assim que ela governa, é uma presidente sem ministros, que não ouve ninguém. Ali, tudo se decide no Palácio do Planalto”, emendou.

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Capobianco também rebateu a afirmação da presidente de que a coligação de Marina deveria pedir explicações sobre o fato de o nome do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos aparecer na suposta lista de beneficiários de um esquema de propina na Petrobras, a exemplo do que ela própria fez ao encaminhar ofícios a Ministério da Justiça e ao Ministério Público. O nome de Campos teria sido citado junto com o de outros políticos em depoimentos do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa à Polícia Federa. “Marina diz a mesma coisa que Dilma. A diferença, é que ela não o faz de maneira eleitoreira como faz a presidente. Marina defende desde o início que qualquer denúncia seja investigada e que cabe aos órgãos oficiais fazer isso.”

Sobre a presidente ter dito que “escolhe entre os melhores” ao preencher cargos na Petrobras e que seguirá os mesmos critérios num eventual segundo governo, o aliado de Marina rebateu: “Se for assim, então estamos perdidos. A Petrobras então está perdida. Porque, além de tudo, é assim que ela escolhe também seus ministros de Estado. Tenho certeza que o ministro Edison Lobão é o maior especialista em energia do planeta.”

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Capobianco acrescentou que Dilma “tem responsabilidade objetiva” por todos os recentes acontecimentos envolvendo a Petrobras. “Ela foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Já ficou claro para todos que há um esquema de corrupção ali. A única coisa que está vindo à tona agora é o grau dessa corrupção e a maneira como ela funcionava.”

O ex-secretário do Ministério do Meio Ambiente apontou ainda que, ao criticar a posição de Marina em favor da autonomia do Banco Central, a própria presidente volta atrás no que disse no passado. “Há discursos da presidente Dilma em que ela defende a completa autonomia operacional do Banco Central. Agora, quem foi que transformou o presidente do BC em ministro de Estado? Foi o governo do PT, do qual ela foi ministra”, afirmou. “A surpresa, nesse caso, foi nossa. Como é que uma presidente da República muda de ideia dessa forma?”

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