Continuidade marca propostas de Marina e Dilma para área da Saúde

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Programa da candidata do PSB elogia avanços de tucanos e petistas, mas promete verba para universalizar serviços

Anunciada por seu partido como opção de mudança nestas eleições, a presidenciável Marina Silva (PSB) não é tão diferente da principal rival, a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), quando o assunto é Saúde, considerado o pior serviço público por 87% dos brasileiros, segundo pesquisa CNI/Ibope. Em seu programa de governo, Marina rasga elogios aos resultados conquistados por petistas e tucanos nas últimas décadas e defende o aprofundamento desses programas por meio de mais verba.

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Agência Brasil
Saúde é considerado o pior serviço público

Única a apresentar um programa de governo, Marina Silva dedica duas páginas para comprovar a melhora nos indicadores de saúde de 1994 até hoje. Ela menciona, por exemplo, a queda da mortalidade materna de 143 para 68 por mil habitantes e da infantil de 45 para 16 por mil nascidos vivos. Vice de Marina, o deputado federal Beto Albulquerque (RS) admitiu ao iG que o Sistema Único de Saúde (SUS) cresceu nos últimos anos e que é referência mundial. "Como criticar?"

O SUS, não por acaso, está nas diretrizes entregues por Dilma Rousseff ao Tribunal Superior Eleitoral - o PT ainda não divulgou seu programa de governo. Sem se comprometer com números, Dilma prevê melhorar o Sistema Único, além de universalizar o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) e ampliar as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) destinadas às emergências de baixa e média gravidade.

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Essas diretrizes preferem dar visibilidade ao que foi feito nos últimos quatro anos, como a inauguração de farmácias populares que atenderiam 6,8 milhões de pessoas ao mês. O texto atribuiu "a melhoria das condições de saúde do povo brasileiro" à expansão do SUS, ao crescimento econômico e à "implementação de políticas sociais de combate à pobreza".

Programa de Saúde da Família

A principal estratégia de Marina para a Saúde será a ambiciosa proposta de, em quatro anos, dobrar o atendimento do Programa de Saúde da Família, criado para prevenir doenças. O projeto, de 1994, levou 20 anos para atender 100 milhões de pessoas. Questionado pelo iG sobre a ambição da proposta, Albuquerque preferiu não se comprometer com a promessa do plano, mas também não a rejeitou. "A meta para se perseguir é a universalização desse serviço. A prevenção reduz gastos futuros com saúde."

Marina também quer construir centenas de policlínicas - ao saltar das atuais 79 para 356 unidades - e tirar dos alicerces 100 hospitais e 50 maternidades, além de aumentar os convênios com a rede particular "para reincorporar os leitos perdidos pelo SUS", descreve o programa. 

Para bancar tanta obra, Marina incorporou ao seu programa um Projeto de Lei de Inciativa Popular que reserva 10% do Orçamento Geral da União para investimentos em saúde, o Saúde +10. "Para bombar os programas é preciso ter mais orçamento", aposta o candidato a vice. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), gasta-se no Brasil uma média anual de US$ 466 por pessoa, 80,4% da média internacional, de US$ 571.

Reprodução
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Mais Médicos

O programa alardeado pela campanha petista por levar atendimento para 50 milhões de pessoas em 3.800 municípios é defendido parcialmente por Marina. E deve ter vida curta nas mãos da candidata do PSB, que o considera uma resposta "emergencial" para a falta de médicos em regiões distantes do País. No Brasil, há 1,8 médico para cada mil habitantes, enquanto no Uruguai tem 3,7 e em Cuba 6,7. No Distrito Federal, a média é de 3,46, mas no Maranhão é de 0,58 e no Amazonas, 1,09.

A pessebista promete financiar universidades que priorizem a formação de médicos especializados em atenção básica e saúde da família, especialmente em regiões carentes. Dilma também quer incentivar o perfil desses formandos para diminuir o déficit, mas, até lá, promete expandir o Mais Médicos.

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