Na primeira da série de entrevistas com principais candidatos à Presidência da República, presidente atribuiu à adversária problemas no andamento de usinas de Jirau e Santo Antonio e disse que mudança no cenário internacional abrirá caminho para alterar política econômica num eventual 2º mandato

Decidida a endurecer o tom contra a ex-senadora Marina Silva, a presidente Dilma Rousseff jogou sobre a adversária a responsabilidade pelo atraso em obras consideradas estratégicas pelo governo petista. Em entrevista ao iG e à RedeTV!, Dilma disse que projetos como as usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau não foram executados como planejado pelo governo “por responsabilidade” da ex-senadora.

Dilma falou aos jornalistas Tales Faria, publisher do iG , e Amanda Klein, apresentadora da RedeTV!, no Palácio da Alvorada, na primeira da série de sabatinas com os principais candidatos à Presidência da República. Ao lembrar os tempos em que dividia espaço com Marina na Esplanada dos Ministérios, ainda no governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a petista reconheceu que houve “divergências”. Na época, a presidente era ministra da Casa Civil, responsável por assegurar a execução de projetos, e Marina comandava o Ministério do Meio Ambiente, a quem cabia liberar licenças ambientais para as obras.

Veja vídeo com entrevista de Dilma Rousseff ao iG e à RedeTV!:

2º bloco da entrevista: 

3º bloco da entrevista:

“Houve muitas demoras, sempre por responsabilidade dela”, criticou Dilma. “Houve divergência, sim. A candidata tinha uma reação muito acentuada quando se tratava de licenciamentos de hidrelétricas”, disparou.

Propina na Petrobras

Dilma tratou também das denúncias sobre um suposto esquema de pagamento de propina na Petrobras. Reportagem da revista Veja no último fim de semana aponta que o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa teria listado políticos supostamente beneficiados pelo esquema, entre os quais estaria o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Preparação para entrevista RedeTV/iG com Dilma Rousseff
Alan Sampaio / iG Brasília
Preparação para entrevista RedeTV/iG com Dilma Rousseff

Dilma cobrou da campanha de Marina que tome em relação à citação ao nome de Campos as mesmas providências que ela própria tomou diante da reportagem: pedir informações às instâncias cabíveis para, então, definir as medidas a serem tomadas.

Dilma reiterou que pediu informações ao Ministério da Justiça e ao Ministério Público sobre o envolvimento de servidores públicos no esquema. “No caso específico do Eduardo Campos, como fiz com os servidores, acho que o partido e a coligação da Marina deveriam fazer em relação ao Eduardo Campos”, disse.

Ainda em relação às denúncias envolvendo a Petrobras, Dilma voltou a dizer que estranhou o envolvimento de Paulo Roberto Costa, dado o fato de o ex-diretor integrar há anos os quadros da estatal. A presidente disse que nunca desconfiou das irregularidades.

Questionada sobre se pretende manter o mesmo critério de indicações na empresa num eventual segundo mandato, ela disse que seguirá adotando o mesmo modelo usado até agora. “No meu governo, escolhi dentre aqueles que eu considerava os melhores quadros da Petrobras. Vou continuar fazendo. E é isso o que eu acredito que o ex-presidente Lula fez”, disse Dilma.

‘Nova realidade’

Dilma voltou a sinalizar para o mercado que está disposta a fazer mudanças significativas na política econômica, num eventual segundo mandato. A presidente reforçou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, permanecerá no governo “até o último dia” do atual mandato. O que permitirá uma mudança na área, diz ela, é o surgimento de uma nova realidade no cenário internacional.

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“Quando a realidade muda, nós temos que mudar. Eu espero e acredito que isso é uma grande possibilidade, que o mundo melhore sua situação econômica nos próximos meses e anos”, afirmou a presidente. Dilma disse que a crise já se arrasta há três anos e apontou que o Brasil, ao discordar da estratégia seguida, por exemplo, por países europeus, conseguiu segurar indicadores.

Ao acenar para o novo governo, Dilma também falou sobre o fato de ser criticada por ser autoritária e centralizadora. “Nessa coisa de autoritária, de mandona, já cheguei à conclusão de que sou a única pessoa autoritária cercada de homens meigos”, disse. “Tem um viés um pouco machista, mais do que machista, é discriminatório no seguinte sentido: tem certas características num homem que são consideradas normais; tem certas características na mulher que são consideradas normais. Eu tinha que ser doce, eu tinha que aceitar bastante tudo o que me dissessem, aceitando opiniões.”

Dilma sobre saída de Guido Mantega do ministério da Fazenda: “Quando a realidade muda, nós temos que mudar
Alan Sampaio / iG Brasília
Dilma sobre saída de Guido Mantega do ministério da Fazenda: “Quando a realidade muda, nós temos que mudar"

Dilma aproveitou para alfinetar mais uma vez Marina, ao fazer referência velada às mudanças feitas no programa de governo da candidata do PSB após críticas feitas pelo pastor Silas Malafaia nas redes sociais. “Não se é presidente da República curvando-se às pressões. Podem me fazer um Twitter, eu não me curvo a pressões.”

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