Marina abandona discurso antipetróleo e adere ao pré-sal após crítica de Dilma

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo | - Atualizada às

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Criticada pela presidente por sequer citar a reserva em seu programa, candidata do PSB muda o foco e diz que "Petrobras é destruída pelo seu uso político e corrupção"

Foi sob aplausos entusiasmados que a candidata do PSB à presidência, Marina Silva, concluiu sua fala na Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética, em Sertãozinho (SP): “Temos de sair da idade do petróleo”, sentenciou em 28 de agosto. No dia seguinte, lançava seu programa de governo sem fazer qualquer menção ao pré-sal, a gigante reserva de petróleo descoberta no sudeste do País em 2006.

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Petrobras/Divulgação
Pré-sal: descoberta de 2006 é trunfo da campanha petista

No capítulo dedicado à geração de energia, seu programa deu total atenção ao investimento em matriz renovável, cuja participação no mercado teria caído de 95% para 45% entre em 1990 e 2010. O texto, que na página 65 recomenda a "redução do consumo de combustíveis fósseis", também advoga uma "incisiva atuação da diplomacia brasileira para a mistura do etanol à gasolina em escala mundial, diminuindo a emissão de gases que causam o efeito estufa".

Assim que a polêmica ganhou o noticiário, Dilma Rousseff chamou de "retrocesso" a decisão da rival de ignorar o pré-sal em seu programa de governo de 242 páginas. "Quem acha que o pré-sal tem de ser reduzido não tem uma verdadeira visão do Brasil", afirmou a presidente.

Reprodução
Dilma Rousseff e Marina Silva: candidatas à Presidência da República

Coincidência ou não, Marina mudou seu discurso após a alfinetada de Dilma. Embora mantenha sua defesa ao fomento da energia renovável, ela disse em seu pronunciamento do dia 7 de setembro que as riquezas do pré-sal "garantirão projetos estratégicos para o País viabilizando investimentos para a saúde e educação" e, sem citar nomes, disse ser "caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil". Então atacou: "Enquanto essa mentira é alardeada por todos os meios, a Petrobras é destruída pelo seu uso político, apadrinhamento e corrupção."

Para afastar todas as dúvidas, Marina marcou para esta quinta-feira (11) um encontro no Rio de Janeiro para falar exclusivamente sobre essas reservas. A decisão, estratégica, tenta antecipar encontro parecido programado pelo PT na semana que vem.

E com Dilma?

Enquanto a palavra pré-sal não aparece no programa de Marina, surge 16 vezes nas diretrizes de 25 páginas do PT (o partido ainda não divulgou seu programa completo). O texto cita cinco campos atualmente em exploração e diz que, somente neles, "estima-se haver um volume de petróleo equivalente a 1,5 vezes as reservas provadas no País até 2013". São 500 mil barris por dia, um volume só alcançado no Brasil depois de 31 anos de exploração.

A última menção ao pré-sal serviu para prometer que os recursos obtidos com ele seriam destinados à educação. "No novo governo de Dilma, estarão gradativamente disponíveis para a Educação 75% dos royalties do petróleo e 50% dos excedentes em óleo do pré-sal." De acordo com a campanha, esses recursos vão tirar do papel o Plano Nacional de Educação, sancionado este ano, que prevê a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o setor.

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