Pela primeira vez, candidato do PT está atrás nas pesquisas de intenção de voto para o Senado por São Paulo; adversários fortes e partido enfraquecido minam desempenho

Neste ano, Eduardo Suplicy (PT) perdeu um posto que ocupa há 24 anos: o de líder nas pesquisas de intenção de voto para o Senado por São Paulo. Entre seus adversários estão um ex-governador, um ex-prefeito e o desempenho dos candidatos do seu próprio partido no Estado. Mas Suplicy continua otimista apesar disso. 

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“Na medida em que as pessoas vêm tomando conhecimento de que eu sou candidato, a minha curva de intenção de votos está crescente. Eu tenho plena convicção de que vão caminhar para um resultado favorável”, aposta o candidato, ao iG .  "Todas [ as eleições ] têm sido difíceis", completa ele.  

Cenário apertado

Vantagem/desvantagem de Suplicy sobre os demais candidatos ao Senado

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Fonte: Datafolha; elaboração da reportagem

Dono de três vitórias em eleições ao Senado (1990, 1998 e 2006), Suplicy tem atualmente 32% das intenções de voto, cedendo o primeiro lugar nas pesquisas ao ex-governador José Serra (PSDB), que tem 35%, segundo pesquisa Datafolha de 2 e 3 de setembro. O quadro configura empate técnico.

A última vez que Suplicy ficou atrás nas pesquisas foi no período entre 10 e 11 de setembro de 1990, segundo os levantamentos feitos pelo Datafolha e tabulados pela reportagem. Foram levadas em conta apenas as pesquisas do segundo semestre de cada ano, quando os nomes dos concorrentes já estão oficializados pelos partidos.

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Naquela ocasião, a desvantagem de Suplicy era de dois pontos percentuais - 21% contra 23% - para o então deputado federal Guilherme Affif Domingos (hoje no PSD, então no PL), que havia sido candidato à Presidência um ano antes.

Desde então, o candidato do PT quase sempre esteve mais de dez pontos à frente de todos os seus adversários. A regra só foi quebrada em meados de setembro de 1998, quando o ex-jogador de basquete Oscar Schmidt chegou a 4 pontos do senador, concorrendo pelo PPB (hoje PP).

Neste ano, Suplicy apareceu atrás de José Serra nas três pesquisas já realizadas pelo Datafolha, apesar de ter conseguido diminuir a distância para o líder de cinco para três pontos percentuais, segundo o mesmo instituto.

O Ibope, por sua vez, aponta uma vantagem de seis pontos para Serra (33% a 27%), em pesquisa feita entre 4 a 9 de setembro.

“Há 17% de indecisos, uma margem grande para trabalhar. E mesmo aqueles que declaram preferência por outros candidatos, eu também tenciono trabalhar para conquistar", pondera o candidato do PT, antes da divulgação dos dados do Ibope.

Adversários ocuparam cargos executivos

Responsável pela campanha publicitária de Suplicy, Chico Malfitani atribui o cenário mais difícil à maior exposição obtida por Serra, prefeito de São Paulo entre 2005 e 2006, governador entre 2007 e 2010, e candidato à Presidência em 2010. Gilberto Kassab (PSD), que tem 8% das intenções de voto, foi prefeito de São Paulo de 2006 a 2012.

“A última eleição que o Suplicy disputou foi em 2006. De lá para cá, apareceu muito esporadicamente nos meios de comunicação”, diz Malfitani, responsável pela campanha do petista. “E é claro que não dá para comparar um [ ocupante de cargo ] Executivo para um Legislativo.”

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O senador também tem podido contar menos com o desempenho de seus correligionários no Estado. A presidente Dilma Rouseff (PT) tem 23% de intenções de voto no Estado, segundo o Datafolha. Em 2006, nesta mesma época do ano, o ex-presidente Lula tinha 37% no Estado.

Candidato ao governo, Alexandre Padilha (PT) está com 7% - além de ostentar uma rejeição de 37% -, enquanto em 2006, Aloizio Mercadante registrava 18% de intenções de voto e rejeição de 21%

Questionado, Suplicy reconhece indiretamente que as condições são piores. Mas continua otimista. “Com os debates eleitorais e os programas do horário eleitoral gratuito, eu tenho confiança de que tanto a presidenta Dilma Rouseff como o candidato Alexandre Padilha vão melhorar significativamente nas próximas pesquisas de opinião, e isso deverá refletir também sobre o posicionamento a meu respeito”, afirma o senador.

Nota da redação: uma versão anterior desta reportagem informava incorretamente o período durante o qual Gilberto Kassab foi prefeito de São Paulo. O período correto é 2006 a 2012.

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