Tucano tem buscado reforçar antigos laços entre as duas adversárias: “conviveram durante muito tempo no próprio PT”

No dia em que mais um instituto de pesquisa registrou tendência de queda do senador mineiro Aécio Neves, candidato do PSDB à presidência da República, o tucano reforçou o bombardeio a Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT). Os ataques têm sido feitos de forma casada. Aécio tem procurado aproximar Marina, ex-petista, e Dilma para dessa forma se colocar como opositor de ambas e tentar sua vaga no segundo turno. Em visita a Goiânia, Aécio voltou à carga contra suas adversárias ao dizer que ambas “conviveram durante muito tempo no próprio PT”.

“Hoje, o que percebo de forma cada vez mais clara são semelhanças em relação às duas candidaturas que se colocam também nessa eleição, até porque conviveram durante muito tempo no próprio PT. É fácil voltarmos um pouco no tempo e ver onde cada um de nós estava, seja no momento do Plano Real, na Lei de Responsabilidade Fiscal, quando surgiram as denuncias do Mensalão. Eu não mudarei a nossa proposta ao sabor das conveniências, das circunstâncias. Tenho um projeto para o Brasil, e o Brasil enfrentará dificuldades a partir do ano que vem. E dificuldades que não contemplam improvisos”, disse o tucano.

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Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Goiânia com o candidato tucano à reeleição pelo governo de Goiás, Marconi Perillo (09/09)
Divulgação/PSDB
Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Goiânia com o candidato tucano à reeleição pelo governo de Goiás, Marconi Perillo (09/09)


Aécio vem repetindo o discurso mais duro com Marina há alguns dias, mas a estratégia não tem surtido efeito, já que por enquanto, o tucano não tem conseguido estancar sua queda nas pesquisas de intenção de votos. Ele voltou a insinuar que Marina não tem experiência para gerir a presidência da República, novamente a aproximando de Dilma.

“Na verdade, a inexperiência da atual presidente da República custou muito caro ao Brasil. Estamos aí com a inflação de volta, um quadro de recessão na economia, perda crescente da nossa contabilidade, os nossos indicadores sociais piorando a cada ano. Uma nova experiência no governo não acredito que faça bem ao Brasil”, disse o mineiro.

“Sou oposição”


Ao colocar Marina e Dilma no mesmo balaio, Aécio tenta imprimir em sua candidatura a marca de oposição viável. “As duas alternativas que estão aí têm que ser analisadas em profundidade, o que cada uma representa”, afirmou Aécio. “Eu sou mudança e sou oposição a esse modelo a esse modelo desde sempre”, acrescentou o candidato do PSDB.

Ele também procurou ironizar Marina pelas queixas que a candidata do PSB faz às críticas que recebe. “É preciso que a candidata Marina não se incomode com as críticas que recebe, até porque vejo hoje ela reclamando muito do terrorismo que o PT vem fazendo, dizendo que ela vai acabar com o Bolsa Família, porque vai acabar com os benefícios se vencer as eleições. Eu quero dizer que esse terrorismo do PT existe desde sempre, desde que ela era parte do PT, parte importante do PT, desde que ela era Ministra de Estado, nós sofríamos com esse terrorismo do PT, com essa leviandade em véspera de eleição”, disse Aécio.

Em suas falas, Aécio tem buscado não apenas aproximar Dilma e Marina, mas sobretudo colar na candidata do PSB sua marca como ex-petista. “Ela (Marina) certamente conhece muito bem como o PT age, até porque por mais de 20 anos esteve ali, e sempre fomos oposição ao aparelhamento da máquina pública, oposição a esse baixo compromisso com valores, com a retidão, com a ética na vida da pública. Eu me lembro, um pouco mais atrás, a luta que tivemos para estabelecer o Plano Real, para aprová-la do Congresso, para aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal, avanços extraordinários na vida dos brasileiros. E as duas candidatas estavam do mesmo lado, contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, e absolutamente omissas quando vieram os escândalos do Mensalão”, declarou ele.

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