Para estancar crescimento de adversário e evitar segundo turno, campanha de Alckmin ataca aliados de peemedebista

Candidato Paulo Skaf ao lado de Luiz Antônio Fleury Filho e do candidato ao Senado Gilberto Kassab (30/7)
Wanderley Preite Sobrinho/iG
Candidato Paulo Skaf ao lado de Luiz Antônio Fleury Filho e do candidato ao Senado Gilberto Kassab (30/7)

Mesmo com uma vantagem de 31 pontos percentuais sobre Paulo Skaf (PMDB), o segundo colocado na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes, o candidato a reeleição pelo PSDB, Geraldo Alckmin, teme o recente crescimento do rival e quer liquidar a fatura já no primeiro turno. Como estratégia, a campanha tucana tem usado a propaganda eleitoral para atacar os principais aliados do peemedebista, políticos impopulares como o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), o deputado federal Paulo Maluf (PP) e o ex-governador do Estado, Luiz Antônio Fleury Filho.

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Deputado Paulo Maluf
Reprodução
Deputado Paulo Maluf

A candidatura peemedebista tornou-se o alvo do tucano depois que Skaf ganhou seis pontos percentuais em um mês. De acordo com a última pesquisa Datafolha, Alckmin perdeu três pontos percentuais e agora tem 53%. Skaf foi de 16% para 22%, enquanto Alexandre Padilha (PT) variou de 5% para 7%.

Alckmin começou a série de ataques ao rival com um vídeo em seu horário eleitoral, que dizia: “O Skaf esconde, mas ele está com o Kassab, com o Maluf e esconde até o [Luiz Antônio] Fleury, aquele governador que quebrou São Paulo e hoje é chefe de sua campanha. Skaf, um novo caminho ou um novo problema?”, diz o narrador em ironia ao slogan do PMDB.

Skaf rebateu sem mencionar as supostas pedras no sapato. Preferiu dizer que os ataques adversários revelariam preocupação. “Eles estão há 20 anos no governo e não querem largar [...] Nós tivemos um crescimento muito significativo em muito pouco tempo."

Embora concordem com a má reputação de Kassab, Maluf e Fleury, especialistas consultados pelo iG acreditam que a estratégia tucana não vai interferir no crescimento de Skaf.

Lucio Flávio Rodrigues de Almeida, professor do departamento de Política da PUC-SP, lembra que o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi eleito com apoio do deputado Paulo Maluf. Antes do início da campanha, o deputado chegou a confirmar apoio ao petista Padilha, mas mudou de lado. “O Maluf manifestou apoio ao Padilha, mas o PP, que é o partido dele, decidiu me apoiar", justifica Skaf.

O candidato do PMDB tenta descolar da imagem de Maluf ao combater a influência que o candidato tem na secretaria Estadual da Habitação. “Isso não vai acontecer no meu governo. Não haverá indicações políticas. Haverá indicações de nomes de especialistas”, promete.

Frequentemente lembrado pelo bordão “rouba, mas faz”, Paulo Maluf, que é candidato a deputado federal, teve a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral no início do mês por suposto ato de improbidade administrativa durante a construção de um túnel quando ele era prefeito de São Paulo (1993-1996).

Massacre do Carandiru

Ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho
Alan Morici / Futura Press - 26/06/2010
Ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho

Principal articulador da campanha Skaf no interior de São Paulo – maior reduto tucano –, o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho comandou o Estado entre 1990 e 1994, após construir sua carreira com forte inclinação para o setor de segurança pública. Sua gestão ficou marcada pelo Massacre do Carandiru, que terminou com 111 detentos mortos em 1992. Ao deixar o governo, foi acusado de contrair inúmeras dívidas, deixadas para o seu sucessor, Mário Covas (PSDB).

Professor de Ciências Políticas da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Pedro Floriano Ribeiro acredita que Alckmin está tentando mostrar como era São Paulo antes de o PSDB chegar ao poder. “Os governos do Quércia e depois do Fleury foram marcados por problemas de gestão, como a quebra do Banespa. O Estado foi à falência.” Para o professor, parte da população mais velha pode se sensibilizar com essa lembrança, mas não os mais jovens. “Eles pensam que São Paulo sempre foi governado pelo PSDB.”

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Para evitar que as acusações do adversário prejudiquem sua campanha, Skaf tem minimizado a influência do ex-governador ao dizer que, em caso de vitória, Fleury não terá participação efetiva no governo. “O governador serei eu. Não sou de transferir responsabilidades.”

Gilberto Kassab
Último Segundo
Gilberto Kassab

Sob o guarda-chuva de Skaf também se protege Gilberto Kassab, candidato ao Senado e responsável por acrescentar 1m15s ao programa eleitoral do aliado. Skaf ironiza as críticas do tucano ao frisar que Alckmin “insistiu” para que o novo aliado fosse candidato na chapa dele. “Foi uma escolha do Kassab que eu tenho a agradecer.”

O presidente do PSD, que deixou a prefeitura em dezembro de 2011, teve a pior avaliação desde Celso Pitta (PP). A gestão dele foi considera ruim ou péssima por 42% dos paulistanos. “Ele terminou muito mal avaliado. Mas isso tem um impacto muito pequeno porque o eleitor pode até olhar a história, mas não quem está por trás dela”, concluiu Ribeiro.

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