Rede tenta eleger 104 candidatos em 12 partidos de diferentes ideologias

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo* |

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Siglas das mais diversas abrigam os simpatizantes da candidata Marina Silva; principais apostas têm poucas chances de vitória

A candidata à presidência Marina Silva não esconde de ninguém que deixará o PSB assim que seu partido, a Rede Sustentabilidade, sair do papel, provavelmente no ano que vem. Assim como ela, que se abrigou na legenda para não ficar de fora destas eleições, outros 104 políticos da Rede se refugiaram em diferentes siglas, de diferentes ideologias, para concorrer a um cargo público.

José Cruz/ABr
Em fevereiro de 2013, Marina lançou sua nova legenda: a Rede Sustentabilidade

Ao todo, 12 partidos receberam os seguidores de Marina. Mesmo que emplaquem seus hóspedes, essas agremiações perderão seus eleitos quando a Rede conseguir os 50 mil votos restantes para atingir o mínimo de adesões exigidas pela Justiça Eleitoral: 492 mil assinaturas.

Leia também: PSDB deve apoiar Marina em eventuais 2º turno e governo

O principal destino dos marineiros foi o mesmo de sua líder: 71 candidatos se filiaram ao PSB do falecido Eduardo Campos, que em outubro do ano passado ofereceu sua legenda à Marina.

O PSOL recebeu um candidato, assim como PTN, PRB e PRP. PROS, Solidariedade e PHS aceitaram a filiação provisória de dois. No PDT e no PEN se filiaram quatro, no PV seis e no PPS oito pessoas.

Além da candidata a presidente, um membro da Rede é candidato a vice-governador, quatro disputam uma vaga no Senado, 37 tentam uma cadeira na Câmara dos Deputados, enquanto 57 querem lugar nas assembleias legislativas.

José Cruz/ABr
Temporariamente no PSOL, Heloísa Helena disputa vaga no Senado com Collor

Na prática, poucos têm chance. Vice na chapa de Marcelo Ramos (PSB), o marineiro Júnior Brasil (PSB) não deve se eleger vice-governador do Amazonas, já que o cabeça de chapa tem apenas 3% das intenções de voto, de acordo com a última pesquisa Ibope.

Para o Senado, o único com chances de vencer é José Antônio Reguffe, filiado ao PDT. Ele lidera as pesquisas no Distrito Federal com 29% das menções, longe do segundo colocado, o petista Geraldo Magela, com 16%.

Em Alagoas, Heloísa Helena – filiada provisoriamente ao PSOL – está em segundo lugar (26%), atrás do atual ocupante do cargo, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o preferido de 43% dos entrevistados.

Eliana Calmon (PSB), na Bahia, e Aguimar Jesuíno (PSB), em Goiás, devem ter o mesmo destino. Ela tem 4% das intenções; ele, 2% da preferência.

Marina terá apoio se vencer?

Representante da Rede na coordenção da campanha presidencial, Walter Feldmann nega a adesão automática dos 12 partidos em um hipotético governo Marina Silva. "A Rede não é um instrumento de governabilidade, acho que será até pequeno, não tem sentido inflar um partido já que a nossa intenção é imprimir uma nova forma de fazer política. Se tivermos uma bancada com 15 deputados será maravilhoso."

Mesmo que todos os 37 candidatos à Câmara Federal se elejam, Marina teria o suporte de apenas 7% dos 513 assentos em disputa. É por essa razão que Marina promete “tirar do banco de reservas os melhores quadros de todos os partidos”, como os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP).

Para Maria do Socorro Braga, cientista política da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), Marina, se vencer, terá de se aliar a um grande partido, que provavelmente será o PSDB, em razão da recente aproximação de seus dirigentes e similaridade das políticas econômicas. “Tudo indica que eles estarão juntos. É difícil fazer maioria no Congresso sem o apoio de pelo menos um grande partido.”

Porta-voz da Rede no Estado de São Paulo, Hadia Feitosa não acha contraditório ver os futuros filiados da Rede em legendas tão distintas ideologicamente. “Essa é a prova de que não estamos nem na direita nem na esquerda. A filosofia do partido é chegar ao consenso por meio do diálogo. Não impomos lado.”

*Com reportagem de Luciana Lima e Marcel Frota, iG Brasília

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