Cúpula do Partido dos Trabalhadores se reúne em São Paulo para discutir rumos da candidatura à releição de Dilma

A campanha de Dilma Rousseff não tem sido capaz de explorar adequadamente a extensa vantagem de tempo no horário eleitoral gratuito, avaliam integrantes da direção nacional do PT, que criticaram também a falta de diálogo com a militância e os movimentos sociais. Com mais de 11 minutos,  a petista tem quase o dobro de tempo de TV que seus adversários.

"Temos que fazer na campanha que dialogue melhor com a nossa militância. A televisão é muito fria", diz Raul Pont, deputado estadual do Rio Grande do Sul e integrante da ala mais à esquerda do partido.

Para o deputado, o eleitor - sobretudo o mais jovem - não tem conseguido fazer relação entre os benefícios que obteve nos últimos anos e o governo do PT.

Pont cobrou uma postura mais "coloquial" de Dilma e Lula no horário eleitoral gratuito, e menos apresentação de números e resultados do governo, como tem sido a tônica até agora.

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"O Lula fazia isso muito bem", afirmou Pont, num intervalo de uma reunião da cúpula do partido, que acontece em São Paulo nesta sexta-feira (5). O encontro é para tentar dar mais fôlego à campanha de Dilma. Apesar de Dilma liderar as intenções de voto para o primeiro turno tanto no Ibope quanto no Datafolha, Marina é a favorita para vencer num eventual segundo turno, de acordo com os dois institutos de pesquisa. 

Deputado estadual em Minas Gerais, Durval Angelo também cobrou uma postura mais "emocional" da campanha nesta reta final, e acusou o governo Dilma de ter dialogado pouco com os movimentos sociais mais à esquerda - o que tem se refletido num menor engajamento em favor da reeleição da petista.

"A gente está colhendo o que plantou. Faltou um pouco durante o governo Dilma um diálogo com movimentos sociais mais à esquerda", disse Ângelo.

O deputado aponta como uma das falhas no diálogo social o fato de Dilma só ter publicado neste ano em decreto que cria novas formas de participação social.

Ângelo afirmou ainda que o PT não conseguiu compreender os protestos de junho de 2013 - Marina tem se apresentado como a porta-voz dessas manifestações.

"Nós não entendemos bem (...) a cobrança de algo novo na política. E, ao mesmo tempo, não tivemos coragem de ir para o confronto", disse, em referência ao abandono da ideia de realização de uma reforma política.

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