Padilha pode ter em SP o pior desempenho de um candidato do PT desde 1994

Por Ana Flávia Oliveira -iG São Paulo |

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Com 7% nas pesquisas, candidato está longe dos 30% que o PT costuma ter em SP; petistas apostam na repetição do fenômeno Haddad, mas especialista vê situação diferente da de 2012

Falta exatamente um mês para o primeiro turno das eleições. Esse é o período que o petista Alexandre Padilha tem para reagir nas intenções de voto para o governo de São Paulo. Caso contrário, ele pode amargar uma marca indesejável: a de dono do pior desempenho de um candidato do PT na corrida ao Palácio dos Bandeirantes nos últimos 20 anos. Para especialistas ouvidos pelo iG, o enorme eleitorado conservador paulista, a força do PSDB local, a avaliação do governo Dilma Rousseff no Estado e o desconhecimento de Padilha entre o eleitorado são fatores que explicam o patamar atual do ex-ministro da Saúde.   

Segundo pesquisa Datafolha, divulgada na última quinta-feira (04), Padilha está em terceiro nas intenções de voto, com 7%, muito distante dos dois primeiros colocados. Geraldo Alckmin (PSDB) lidera com folga, marcando 53%, seguido de Paulo Skaf (PMDB), 22%. 

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Divulgação/PT
Há um mês do primeiro turno, Alexandre Padilha não conseguiu passar dos 7% da intenções de voto


Se o patamar de hoje de Padilha se repetir nas urnas, ele terá um desempenho pior que o ex-ministro José Dirceu em 1994, que ficou em terceiro lugar nas eleições, com 14,86% dos votos válidos. Até então, esse era marca negativa histórico da sigla no Estado. Naquele ano, Mário Covas (PSDB) foi eleito pela primeira vez e iniciou o ciclo vitorioso da sigla, que desde então está à frente do Palácio dos Bandeirantes.

Ao longo das últimas duas décadas, o PT não se configurou como uma força capaz de bater de frente com os tucanos no Estado. No entanto, o partido tem apresentado neste período um crescimento considerável, se estabelecendo nas casa dos 30% dos votos válidos nos dois pleitos anteriores para o governo paulista, no primeiro turno. 

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Em 2002, o ex-deputado petista José Genoíno conseguiu passar para o segundo turno, mas foi derrotado pelo próprio Alckmin, com 41,4% dos votos válidos, contra 58,6% do tucano. Quatro anos depois, a eleição se resolveu no primeiro turno, com vitória do ex-ministro José Serra (PSDB), mas o candidato PT, o atual ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, conquistou 31,68% dos votos válidos. 

No último pleito, em 2010, Mercandante foi novamente o candidato do PT, obtendo 35,23% dos votos válidos. Na ocasião, Alckmin conquistou mais um mandato, desta vez no primeiro turno. 

Eleitorado conservador

Segundo Vera Chaia, professora de Política da PUC-SP e pesquisadora do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política, o fraco desempenho de Padilha em São Paulo é um reflexo do conservadorismo da população paulista, historicamente resistente ao PT.

"São Paulo é um Estado que possui uma marca antipetista e tem um eleitorado conservador muito grande", explica Vera, ressaltando ainda da força eleitoral do PSDB no interior paulista.  

Ser pouco conhecido no Estado é outro fator que contribui para que ele não consiga alavancar e colar nos seus adversários. "Apesar de ele ter feito Unicamp [Universidade Estadual de Campinas, onde se formou em Medicina], ele não teve uma presença no Estado como Marta [Suplicy], Mercadante, Genoíno e Dirceu", avalia Vera.

Divulgação/PT
Com intensa campanha nas ruas, Alexandre Padilha tenta convencer eleitores e também subir nas pesquisas - evitando amargar o pior desempenho do PT no Estado em 20 anos


Paulistano do bairro de Campo Limpo, zona sul de São Paulo, Padilha nunca concorreu a um cargo eletivo, mas foi ministro das Relações Institucionais do governo Lula e da Saúde, na administração da presidente Dilma.

A exposição desses cargos não foi suficente para impedir que Padilha fosse o candidato com o maior índice de rejeição desta eleição, pelo Datafolha. O instituto aponta que 23% do eleitorado não votaria no ex-ministro. Enquanto Alckmin tem 17%, e Skaf, 12%.

Professor de Ciências Políticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Claudio Couto entende que "falta de carisma" do candidato também ajuda a explicar parte do desempenho fraco, aliada a uma deterioração da imagem do PT no Estado, que ecoa numa rejeição a Padilha. 

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"O clima político em relação ao PT no Estado vem se tornando negativo, em parte por causa do desempenho do Governo Federal, em parte por causa do desempenho da prefeitura de São Paulo", aponta Couto. 

Segundo pesquisa Ibope de 3 de setembro, a desaprovação ao governo Dilma chega a 46% do eleitorado e a aprovação, a 49%. Em relação a cidade de São Paulo, a avaliação negativa da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) saltou de 36% em junho para 47% em julho, também de acordo com o Datafolha.

Repetição do fenômeno Haddad?

Porém, é do próprio Haddad que vem um exemplo apontado por petistas como uma indicação de que a situação atual pode ser revertida.  O ex-ministro da Educação também era desconhecido de boa parte do eleitorado ao entrar na disputa para a prefeitura de São Paulo, em 2012. Há quatro meses da eleição, ele marcava 8% nas intenções de voto no Datafolha.  

Mas apadrinhado pelo ex-presidente Lula, Haddad conseguiu ser eleito com 55% dos votos no segundo turno, derrotando Serra, que obteve 44,43%. Couto não descarta que esse fenômeno se repita com Padilha, que também é apoiado pelo ex-presidente, mas considera que a situação de agora não é a mesma de dois anos atrás.

"É uma conjuntura diferente, é uma percepção diferente. A gestão Haddad está em vigor e vem enfrentando dificuldade, com avaliação baixa e criticada pelos meios de comunicação", pondera Couto.  

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