Crescimento de Marina na periferia surpreendeu petistas

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento |

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De acordo com o parlamentar Rui Falcão, a direção do PT ficou “estupefata”, sem saber inicialmente como reagir

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O crescimento de Marina em áreas da periferia de São Paulo surpreendeu petistas. Um deputado do PT se mostrou espantado com o apoio. O presidente do PSB de São Paulo, Márcio França, candidato a vice-governador, disse que Marina ganha "de lavada" de Dilma nos bairros pobres.

O presidente do PSB de São Paulo, Márcio França, candidato a vice-governador na chapa de Alckmin, disse que Marina está ganhando de Dilma "de lavada" nos bairros pobres de periferia. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou que os números de pesquisas internas do seu partido são melhores e não refletiriam os índices divulgados. Mas um deputado petista, reservadamente, se mostrou espantado com o apoio a Marina entre os segmentos menos favorecidos da população. Segundo ele, é amplo o favoritismo da ex-ministra “em qualquer lugar onde se faça campanha em São Paulo”. De acordo com o parlamentar, a direção do PT ficou “estupefata”, sem saber inicialmente como reagir. Ele compactua com a ideia de que Marina cresceu porque representaria uma “Lula de saias”.

Para ele, a alternativa agora do PT é mostrar que “Marina não é Lula”. Tanto petistas quanto tucanos passaram a apontar as contradições da candidata. Ataques mais duros a Marina são esperados. A expectativa do PT é de que o crescimento seja estancado após polêmicas como a do recuo no texto do programa da candidato a respeito dos direitos dos homossexuais. A saída de intelectuais e militantes LGBT da campanha por causa desse recuo podem trazer desgastes ao PSB. No PT, a ordem agora é colocar os militantes nas ruas. O partido começou a organizar “bandeiraços” em áreas do centro de São Paulo e tenta integrar na campanha sindicalistas e integrantes de movimentos sociais ligados ao partido. Mas há dúvidas se esses militantes têm a mesma disposição manifestada nos primeiros anos de fundação do partido para mudar o jogo.

“Salvadores” não estão mais juntos

Às vésperas do segundo turno na eleição de 2010, a então candidata Dilma foi criticada duramente por evangélicos e católicos conservadores por causa de suas posições sobre o aborto. Líderes de três igrejas – Edir Macedo, da Universal; Manoel Moreira, da Assembleia de Deus (ministério Madureira) e Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra – lideraram um movimento de apoio a Dilma, dividindo os evangélicos. Rodovalho diz que essa iniciativa salvou a candidata Dilma de uma derrota naquele momento. Desse grupo, agora, a Universal está com Dilma e a Sara Nossa Terra, com Marina. A Assembleia ramo Madureira apoia o Pastor Everaldo (PSC) e deve optar pela petista no segundo turno.

Humildade

O deputado Paulo Bornhausen (PSB-SC) não teme que o aumento da tensão entre PSB e PSDB tenha impacto em seu Estado. Ele tenta vaga no Senado em uma aliança com o senador Paulo Bauer (PSDB), que concorre ao governo. “A disputa deve se concentrar nos grandes colégios eleitorais, como São Paulo e Minas”, afirma.

Padilha adere ao discurso de Chalita

Candidato ao governo paulista, Alexandre Padilha (PT) resolveu criticar os líderes nas pesquisas de intenção de votos. Disse que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o empresário Paulo Skaf estão com “picuinha”. O termo era muito usado por Gabriel Chalita (PMDB) na eleição paulistana de 2012, para se referir às divergências entre o prefeito Fernando Haddad (PT) e seu principal adversário, José Serra (PSDB). Chalita terminou a disputa em quarto. Padilha segue em terceiro.

Pouco disposto a colaborar em Minas

Candidato ao governo de Minas pelo PSB, Tarcísio Delgado aproveitou a presença do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que busca a reeleição, em eventos da presidenciável Marina Silva (PSB) para tentar convencê-lo a colaborar com sua campanha. O ex-deputado mineiro enfrenta o PT e o PSDB no Estado, apesar de sua proximidade de Aécio Neves. A ideia parece não ter empolgado muito o veterano parlamentar gaúcho.

“Se eu estivesse no lugar do Pastor Everaldo, pensaria em migrar para Marina, para não haver divisão no meio cristão”

Marcos Feliciano, deputado federal (PSC-SP), sobre a possibilidade de formação de uma frente evangélica em favor da candidata do PSB

*Com Leonardo Fuhrmann

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