Dilma continua no ataque durante debate, mas muda o foco para Marina Silva

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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No primeiro debate entre os presidenciáveis, petista havia poupado adversária, favorita segundo Ibope e Datafolha

Alice Vergueiro / Futura Press
A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), durante o debate com os candidatos

Refletindo a consolidação no cenário eleitoral, Dilma Rouseff (PT) mudou o foco de seus ataques para Marina Silva (PSB) no segundo debate presidencial da disputa de 2014, promovido pelo SBT. Ambas têm 34% das intenções de voto, segundo o Datafolha. Aécio Neves (PSDB), que tem 15% e está em terceiro, havia sido alvo no debate anterior, quando aiestava na mesma posição mas tinha 19%, de acordo com o Ibope.

Dilma apresentou o projeto de governo de Marina - definido pela petista como inviável, por não apresentar de onde virá o dinheiro e como será viabilizado politicamente -, e tentou colar à adversária a ideia de que a pessebista é contra a exploração do pré-sal, tema ao qual voltou duas vezes no programa.

Lei mais: Em debate, Dilma e Marina se confrontam e deixam Aécio Neves em segundo plano

Debate de presidenciáveis terá tom mais duro e comparações de projetos

"Não somos nós que escolhemos os bons, quem escolhe os bons é o povo brasileiro", afirmou Dilma, em referência às declarações de Marina de que pretende governar com os melhores quadros de cada partido.  "O amior risco que uma pessoa pode correr é não se comprometer com nada. Ter só frases de efeito não basta."

Os ataques ocorreram desde a primeira intervenção de Dilma no debate. No primeiro bloco, a petista escolheu Marina como alvo de sua pergunta - e não Aécio, como fizera na semana anterior. Ao perguntar, acusou a candidata do PSB de não dizer de onde tirará o dinheiro para cumprir suas promessas, como a de destinar 10% da receita bruta à saúde.  E acrescentou:

"Eu acho incrível que a senhora abandone o pré-sal."

Veja imagens do debate desta segunda-feira

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), durante o debate com os candidatos. Foto: Alice Vergueiro / Futura PressO candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, durante o debate com os candidatos . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressA candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, durante o debate com os candidatos  . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressO candidato à Presidência da República pelo PRTB, Levy Fidelix. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressO candidato à Presidência da República pelo PSC, Pastor Everaldo. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressA candidata à Presidência da República, Luciana Genro . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressO candidato à Presidência da República, Eduardo Jorge (PV). Foto: Alice Vergueiro/Futura PressOs candidatos à Presidência da República, durante o debate . Foto: Alice Vergueiro / Futura Press

No segundo bloco, a petista aproveitou uma pergunta de um jornalista sobre a origem dos recursos que Marina recebeu a título de palestras para acusá-la, indiretamente, de falta de transparência.

"Eu acredito que, quando se assume um cargo público, a transparência é uma necessidade", disse Dilma. 

Datafolha: Marina dispara, empata com Dilma e derruba Aécio

A presidente voltou a questionar Marina no terceiro bloco, quando teve nova oportunidade, e insistiu na sugestão de que a candidata do PSB é contra o pré-sal.

A presidente, entretanto, disparou também contra Aécio Neves, quando comentou uma pergunta feita ao tucano sobre corrupção. A petista retomou o apelido de "engavetador-geral da República" para se referir ao procurador-geral da República Geraldo Brindeiro, que atuou no governo FHC.

Dilma também voltou a usar ironia - como fizera no primeiro debate - ao chamar Aécio de desinformado após o tucano dizer que o governo federal não tinha apoiado projetos de mobilidade urbana em Minas Gerais e em São Paulo, Estados governados pelo PSDB.

"O monotrilho [de São Paulo] só foi viabilizado porque o governo federal coloca financiamento para que fosse viabilizado", afirmou a petista.

PIB baixo é culpa da natureza, da Copa e da crise

Dilma voltou a culpar condições que escapam ao controle do governo pelas dificuldades enfrentadas pela economia. O PIB brasileiro recuou 0,9% no segundo trimestre de 2014  em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para a petista, o resultado foi influenciado pela seca, pelo menor número de dias úteis - em razão, por exemplo, da Copa do Mundo - e pela crise internacional.

"[Mas] nós não estamos em recessão", disse a presidente.

Apesar disso, a petista adotou também o discurso de reconhecer que há problemas no País. No primeiro debate, Aécio havia ironizado o que o sonho de consumo dos brasileiros é morar na propaganda eleitoral do PT.

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