Campanhas de Dilma e Aécio planejam endurecer as críticas à Marina, que tenta consolidar avanço obtido nas pesquisas

O principais candidatos à Presidência esperam uma subida no tom para o segundo debate presidencial na TV, marcado para esta tarde. De um lado, a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves prepararam discursos mais duros em relação à ex-senadora Marina Silva . O debate marcado para a tarde desta segunda-feira começa às 17h45 e será promovido em parceria por SBT, Folha, Uol e Rádio Jovem Pan. Esta é a segunda vez que os principais postulantes ao Palácio do Planalto participam de um confronto direto.

No último debate, realizado pela Band no dia 26, Marina havia sido confirmada candidata apenas poucos dias antes. Na época, tanto a campanha de Dilma quanto a de Aécio procuravam evitar o confronto direto com a presidenciável do PSB, que ainda capitalizava o clima de comoção provocado pela morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. A ordem era não bater demais, até para não correr risco de fortalecer ainda mais a ex-senadora.

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Nesta noite, tanto a petista quanto o tucano devem investir com mais força em uma estratégia para expor “contradições” da campanha de Marina. As duas campanhas se debruçaram nos últimos dias sobre o programa de governo, que virou centro de polêmica nos últimos dias. Mas a ordem é evitar o confronto direto e os ataques agressivos.

Em terceiro nas pesquisas, Aécio deverá explorar contradições não só de Marina, mas também fará críticas a Dilma. O crescimento de Marina deu aos tucanos a certeza de um segundo turno, a dúvida é saber se Aécio chegará lá, daí a lógica de abrir duas frentes contra as adversárias ao invés de se concentrar apenas na candidata do PSB, a quem veem como candidatura em ascendência.

Uma das linhas que será usada contra a ex-senadora é mostrá-la como uma candidata com menos experiência administrativa. Ele tende a explorar pontos como a qualificação de sua futura equipe de governo – ele já anunciou Armínio Fraga como seu futuro ministro da Fazenda e prometeu tornar público o time completo ainda durante a campanha.

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“Acho que está chegando a hora da verdade. Fala-se muito em uma crise econômica que afeta o Brasil, mas nossos adversários não conseguem explicar exatamente com que ferramentas farão isso. Para que qualquer ideia dê certo, é preciso ter quadros qualificados dando suporte ao presidente”, afirma o coordenador da campanha, José Agripino Maia (DEM-RN).

Aécio não deverá fazer um debate muito diferente do primeiro encontro de presidenciáveis realizado na semana passada, iniciará com uma estratégia essencialmente propositivo. Sua equipe ficará atenta ao comportamento dos adversários para fazer adequações na estratégia, é isso que definirá para que lado Aécio atirará, em qual momento. O tucano também deverá buscar se distanciar das adversárias, falando sobre propostas de forma a diferenciar-se dos demais. O discurso deverá ser feito com firmeza, com uma linha clara e objetiva.

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Na campanha de Dilma, o discurso é cauteloso. A presidente, de acordo com integrantes da coordenação da campanha, foi municiada pelo marqueteiro João Santana com informações para rebater eventuais ataques dos adversários. A campanha petista acredita que a presidente será alvo constante dos rivais e espera evitar qualquer tipo de contradição no discurso.

Dilma também voltará a falar sobre realizações do governo e sobre medidas que possam aparecer num eventual segundo governo. Ainda assim, a ideia “é não inventar muito”, de acordo com um interlocutor. “Tentar tirar coelho da cartola em debate pode piorar as coisas”, afirma.

Na tentativa de expor contradições de Marina, Dilma deve voltar a investir num discurso para desconstruir a tese da “nova política” defendida pela ex-senadora. O treinamento da ex-presidente é para conseguir apontar inconsistências, mas evitando qualquer tipo de agressividade. A tese é que ataques mais ferozes podem ter um efeito contrário, de colocar a adversária como vítima.

Polêmica

Marina deve ser cobrada pelos adversários sobre opiniões relacionadas a geração de energia, uso de matrizes nucleares, exploração de petróleo na área do pré-sal. Em tese, tucanos e petistas tratam com cautela o tema da polêmica troca no programa de governo de Marina, relacionada aos direitos de homossexuais. Falam na necessidade de evitar repetir o quadro de 2010, quando a questão do abortou tornou-se central na corrida presidencial.

Dilma, por exemplo, costuma alegar a existência de uma pasta, criada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, só para cuidar da pauta de Direitos Humanos, com uma secretaria específica para a pauta LGBT. No entanto, ela também cedeu em alguns momentos de seu governo aos líderes evangélicos. Um dos momentos de desgaste que atravessou foi em relação à suspensão da distribuição do kit Escola Sem Homofobia, preparado pelo Ministério da Educação para ser distribuído à 6 mil escolas

*Com reportagem de Luciana Lima, iG Brasília

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