Agora vitrine, Marina vira alvo de Dilma, Aécio e Luciana Genro em debate

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Candidata do PSB foi questionada sobre gasto de propostas e por usar muitas frases de efeito; debate ocorreu nesta segunda

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, se transformou em alvo dos principais candidatos no segundo debate entre presidenciáveis nesta segunda-feira no SBT. A presidente Dilma Rousseff (PT) escanteou Aécio Neves (PSDB) e polarizou com Marina, agora favorita a vencer no segundo turno de acordo com a última pesquisa Datafolha de intenções de voto.

Análise: Dilma e Marina se confrontam e deixam Aécio Neves em segundo plano

O sinal ficou claro logo na primeira pergunta, feita pela presidente Dilma Rousseff. A petista ignorou Aécio ao insinuar que Marina não teria condições de colocar em prática suas promessas para saúde e educação, que comprometeriam R$ 140 bilhões do Orçamento. Marina respondeu dizendo que pretende mudar as prioridades dos gastos, mas não disse de onde tiraria o dinheiro.

Veja imagens do segundo debate entre presidenciáveis:

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), durante o debate com os candidatos. Foto: Alice Vergueiro / Futura PressO candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, durante o debate com os candidatos . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressA candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, durante o debate com os candidatos  . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressO candidato à Presidência da República pelo PRTB, Levy Fidelix. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressO candidato à Presidência da República pelo PSC, Pastor Everaldo. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressA candidata à Presidência da República, Luciana Genro . Foto: Alice Vergueiro / Futura PressO candidato à Presidência da República, Eduardo Jorge (PV). Foto: Alice Vergueiro/Futura PressOs candidatos à Presidência da República, durante o debate . Foto: Alice Vergueiro / Futura Press

No segundo bloco, a ex-ministra precisou responder porque não revela o nome das empresas que lhe pagaram R$ 1,3 milhão em três anos para que ela realizasse palestras. Dilma, convocada a comentar a polêmica, evocou “transparência” como condição para que alguém se candidate a um cargo público.

Marina não revelou seus doadores, mas disse que essa decisão, contratual, é uma exigência das companhias. “Se as empresas quiserem revelar, quanto a mim não há problema.”

Dilma e Marina voltaram ao embate logo em seguida. A candidata à reeleição foi questionada sobre o crescimento da rejeição ao seu governo, que estaria em torno de 79%. “O eleitor não consegue ver as qualidades do seu governo?” questionou o jornalista ao lembrar que Marina vence a petista no segundo turno, segundo as pesquisas de intenção de voto.

Alice Vergueiro / Futura Press
A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, durante o debate nesta segunda-feira

A petista não comentou o favoritismo da rival, mas negou a recessão ao culpar a crise internacional pela instabilidade. Ela aproveitou para dizer que a promessa de Marina Silva de dar autonomia ao Banco Central “vai dificultar a regulação do sistema financeiro”, insinuando que a União enfrentaria maior dificuldade para conter as crises.

Dilma no ataque

No penúltimo bloco, Dilma e Marina voltaram a se enfrentar. Desta vez, a presidente partiu para cima. Ela afirmou que Marina é contraditória ao prometer “aumentar taxas e impostos e ao mesmo tempo defender políticas sociais” e por dizer que pretende governar sem “os mesmos no Congresso”. “Sem apoio político, sem negociação a senhora não consegue aprovar os programas do Brasil. Eu apostei na governabilidade. Nunca negociei contra os interesses do Brasil. Ganhei algumas, perdi outras. Agora, sem o Congresso Nacional, não se governa sem crise institucional.”

Para a presidente, “o maior risco é não se comprometer com nada”. “Só ter frases de efeito e genéricas. Não basta dizer que vai fazer uma lista de coisas sem dizer de onde vai vir o dinheiro.” A rival usou seu tempo para voltar a defender a autonomia do Banco Central.

Drogas e Aborto

Um dos temas mais delicados da candidatura de Marina, a legalização das drogas e o aborto, foram discutidas por ela e Eduardo Jorge, do PV, seu antigo partido. De acordo com o candidato, Marina é contra, mas ele e o PV são favoráveis.

Já a pessebista disse que os temas são polêmicos, envolvem questões “ética, filosófica e religiosa”, e repetiu a promessa de 2010: “O que eu quero é fazer um plebiscito para a gente chegar a uma conclusão a esse respeito.”

"Irmãos siameses"

Marina também virou alvo da candidata do PSOL, Luciana Genro, que tentou desconstruir sua imagem de “alternativa” ao PT e PSDB. De acordo com a socialista, Marina vem fazendo promessas liberalizantes, com assessores e conselheiros formados pelo PSDB. “A sua receita é a mesma, Marina. Tu és a segunda via do PSDB?”

Para Luciana, Marina, Dilma e Aécio são os “irmãos siameses” da campanha, todos candidatos do empresariado. Marina respondeu dizendo que a rival “tem a mesma visão polarizada de PT e PSDB.” Na réplica, Luciana lembrou que o PSB mudou a cláusula sobre direitos LGBT depois de “quatro tuítes do pastor Malafaia”. “Os direitos humanos não podem ser restringidos a quem precisa de mais direitos.”

No final, foi a vez de Aécio criticar Marina em suas palavras de encerramento. Ele afirmou que, embora represente alternativa ao PT, a candidata do PSB tem um discurso “contraditório”. “O que ela hoje é muito diferente do que ela defendia nas eleições de 2010.”

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