Propaganda na TV: Dilma e Aécio ressaltam biografias; Marina aposta no coletivo

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Análise das palavras mais usadas pelos candidatos no horário eleitoral: Dilma e Aécio usam verbos exaltando realizações, Marina abusa do 'não' para rechaçar sistema político atual

Enquanto os programas de TV de Dilma Rouseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) repetem insistentemente os nomes dos candidatos, o de Marina Silva (PSB) explora verbos na 1ª pessoa do plural.

A palavra "vamos", por exemplo, é citada 14 vezes, o dobro das menções a "Eduardo" (Campos), nome do ex-governador que encabeçava a chapa socialista até o acidente aéreo que o matou, em 13 de agosto. "Marina" aparece 4 vezes.

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E enquanto Dilma e Aécio ressaltam as suas ações – "Dilma criou", "Dilma avançou", "Dilma também" ou "Aécio cortou", "Aécio governou", "Aécio liderou" –, Marina nega.  Usa 20 vezes a palavra "não". Quatro delas no bordão "não vamos desistir do Brasil" e as 16 restantes em frases como PT e PSDB "não conseguem dialogar" entre si ou "não conseguem escutar" a população.

Os dados fazem parte das nuvens de palavras elaboradas pelo iG com a ferramenta Many Eyes, disponibilizada pela IBM. Foram usadas as propagandas eleitorais divulgadas a partir de 19 de agosto e que estavam disponíveis nos sites dos candidatos até a última quinta-feira (28). 

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"O discurso da Dilma é mais institucional, das realizações institucionais [do governo]. Aécio aparece como liderança, [alguém] melhor, [com] capacidade gestora. E é interessante que eu esperava  encontrar mais ataque [do tucano]", diz Rudá Ricci, sociólogo, doutor em Ciências Sociais e membro do Observatório Internacional da Democracia Participativa.

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Esse papo, entretanto, está um tanto distante do eleitor, que tem falado mais de rejeição da política atual –  algo tornado claro pelas manifestações de junho de 2013. E com esse grito, Marina parece soar mais afinada.

"Ela tem um discurso mais próximo da população que é o da negação", afirma o sociólogo. "E essa é uma tradição da política, embora ela diga que seja novo. Foi [o discurso de] Jânio Quadros, de Itamar Franco e, até de certa forma, de Lula."

Divulgação
Dilma, Marina e Aécio: os três principais candidatos da corrida presidencial

O discurso de Marina também se aproxima do que emergiu das manifestações por ser um "carnaval político" – há espaço para gente de ponto de vista divergente no programa da candidata do PSB, que tem ressaltado o interesse em trabalhar com pessoas de diversos partidos.

E mesmo a falta de clareza no horário eleitoral sobre como será um governo de Marina está em linha com a voz das ruas. "Havia uma dificuldade imensa de falar sobre o Estado [nas manifestações]", diz Ricci.  

Datafolha:
Marina dispara, empata com Dilma e derruba Aécio
Dilma Rousseff lidera no interior, e Marina, nas regiões metropolitanas

Mas isso vai mudar caso a candidata chegue, de fato, ao segundo turno, como as pesquisas indicam. Ela terá de ser mais propositiva, avalia Ricci.

"Claro, porque aí você está num pé no planalto", diz o sociólogo. "O interesse do eleitor multa para o que é que ela vai fazer com o dinheiro público."


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