PSDB tem mais pressa para desconstruir Marina

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Aécio Neves enfrenta dificuldade maior por contar com três semanas a menos para garantir ida ao segundo turno

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Tucanos e petistas desdenham publicamente da ascensão de Marina Silva na pesquisa do Ibope. Mas as direções de campanha do PSDB e PT exibem grande preocupação. O presidenciável tucano Aécio Neves enfrenta dificuldade maior por contar com três semanas a menos para tentar desconstruir a imagem da ex-ministra do Meio Ambiente e, assim, garantir a ida ao segundo turno.

Dilma, na hipótese de enfrentar Marina na segunda fase da disputa, levaria vantagem com o rescaldo dos ataques vindos do PSDB em direção à candidata do PSB. No debate da Band, anteontem, tanto Dilma como Aécio tiveram dificuldades para se contrapor a Marina. Dilma questionou quais ministérios ela cortaria, ficou sem resposta. Aécio apontou supostas incoerências no discurso, mas foi rebatido.

Ibope: Marina abre dez pontos sobre Aécio e venceria Dilma no segundo turno

Marcos Bezerra/Futura Press
Aécio Neves (PSDB) é o maior interessado na desconstrução de Marina Silva (PSB)


O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirma que a campanha de Dilma não deve ter mudanças e continuará a “mostrar o que ela fez durante o mandato”. A própria candidata, no entanto, se apresentou muito mais confortável no debate quando os confrontos foram com o adversário tucano. Nesses momentos, explorava a comparação entre os doze anos de governo petista com a gestão tucana.

Debate: No ataque, Aécio tenta desconstruir imagem de Marina e confronta Dilma

Enquanto o ex-presidente Lula é considerado um bom cabo eleitoral, FHC traz sua rejeição elevada ao candidato de seu partido. Apesar de não saberem bem como reagir, tanto tucanos como petistas acreditam que, em razão da debilidade e falta de estrutura do PSB e de incoerências na aliança política firmada por Marina, a candidata não conseguirá sustentar até outubro os índices alcançados agora. A comoção pela morte de Eduardo Campos no acidente aéreo seria a maior razão de seu súbito crescimento.

Neca ressalta experiência em educação

Ao rebater, durante debate da Band, comentário de Levy Fidelix (PRTB) de que seria a “banqueira” que apoia Marina, a socióloga Maria Alice Setúbal, da coordenação do programa de governo do PSB, recorreu ao repórter para comprovar seu trabalho na área de educação. “Você conhece meu trabalho”, disse Neca, como é conhecida. “Sou professora. Participo de conselhos de várias entidades. Integro uma família que faz parte de uma sociedade”, justificou a herdeira do Itaú. Autora de dez livros, Neca é presidente do Centro de Estudos em Pesquisas e Educação (Cenpec).

Petista critica veto

Ironia de um parlamentar petista sobre o veto da presidente Dilma Rousseff à lei para criação de novos municípios. “E dizem que ela está querendo ganhar as eleições. Desse jeito, entrega o cargo para a Marina no primeiro turno.” A decisão foi publicada ontem no Diário Oficial da União.

Candidato não é o Ariano Suassuna

A participação do presidenciável Eduardo Jorge (PV) no debate da Band pode ter surpreendido quem não o conhece. Mas o espanto foi maior para quem conviveu com o ex-deputado, também ex-secretário na capital paulista nas gestões Erundina, Marta Suplicy, Serra e Kassab. E não só pelo estilo teatral apresentado. Baiano, ele morou na Paraíba antes de chegar a São Paulo, em 1974. Seu sotaque de sertanejo, ao estilo do dramaturgo Ariano Suassuna, não era tão carregado. Tornou-se uma novidade de campanha.

Eduardo Jorge faz questão de citar Tolstói

Uma característica de Eduardo Jorge não mudou. Ele fez questão de citar durante o debate o escritor russo Liev Tolstoi, de quem é fã. Em 2011, quando era secretário do Verde, o candidato teve seus bens bloqueados por decisão judicial. Na mesma semana, uma de suas poucas aparições públicas foi no lançamento de uma nova tradução de Guerra e Paz, obra máxima do autor.

“Para que apresentar um candidato que está inelegível? Fica parecendo uma decisão de faz de conta” - Luiz Fux, ministro do TSE, ao defender que a campanha de José Roberto Arruda (PR) ao governo do DF seja retirada do ar

*Com Leonardo Fuhrmann e Edla Lula

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