Para a presidente, não adianta ser uma “ótima pessoa sem compromisso” com a agricultura familiar

Em ato preparado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a presidente Dilma Rousseff aproveitou para alfinetar seu adversário Aécio Neves que, colocou entre suas propostas o fechamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), pasta responsável pelas políticas destinadas aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária.

De acordo com Dilma, os tucanos não conseguem entender a diferença entre o MDA e o Ministério da Agricultura, pasta atualmente destinada a políticas destinadas ao setor do agronegócio.

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Dilma Rousseff participa de encontro com trabalhadores da agricultura, em Brasília, nesta quinta-feira (28)
Divulgação/PT
Dilma Rousseff participa de encontro com trabalhadores da agricultura, em Brasília, nesta quinta-feira (28)


“Perguntei quais ministérios eles queriam fechar. O primeiro nome que foi dado foi MDA. É que eles acham que o MDA não tem nada de diferente do MAPA (Agricultura e Pecuária). Nós sabemos o que foi feito em decorrência do crescimento da parceira e o diálogo com os agricultores familiares. Nós sabemos o que evoluiu”, disse Dilma ao cumprimentar o atual ministro da pasta, Miguel Rossetto.

Ao falar de reforma agrária, Dilma ainda acusou os tucanos durante o governo de Fernando Henrique Cardoso de destinar aos assentamentos as “piores e mais longínquas” terras sem investir em assistência técnica, o que agravou a desigualdade no campo.

Para a campanha, o ato na sede da Contag tem o objetivo demonstrar que Dilma tem o apoio do Campo, em contraponto com a candidata verde

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Em meio a críticas explícitas contra Aécio, Dilma fez críticas veladas contra Marina Silva, candidata do PSB, que assumiu a candidatura após a morte de Eduardo Campos e que tem apresentado crescimento nas pesquisas ao ponto de ameaçar a reeleição de Dilma. A presidente agradeceu o apoio recebido da Contag e disse que esse apoio “a distingue” entre os demais candidatos.

“Nós sabemos que temos muito o que fazer. Só aqueles que fizeram sabem o que temos que fazer e ainda sabemos com quem fazer”, disse a presidente. “Eu tenho compromisso com a agricultura familiar. Não adianta a pessoa ser ótima, ser uma boa pessoa, mas se ela não tem nenhum compromisso, ela não fará. É melhor ter pessoas boas com compromisso, que pessoas boas e sem compromisso”, disse.

No início do discurso, Dilma fez questão de demonstrar estar a vontade e ensaiou momentos de animação de auditório ao inventar gritos de guerra. “Nas margaridas, eu boto fé, porque são integradas por mulher”, cantarolou a presidente, ao se referir as trabalhadoras camponesas. Em seguida, se atrapalhou para puxar o coro de outro grito de guerra. “Espera lá Alessandra, este seu não dá certo”, brincou Dilma referindo-se a secretária de mulheres do movimento, Alessandra da Costa Lunas.

Ao falar do programa Minha Casa, Minha Vida, que a presidente promete ampliar para a área rural em um eventual segundo mandato, Dilma disse que o apelido dado ao programa de Minha Casa, Minha Dilma, em 2010, surgiu da ideia de que a proposta tinha caráter apenas eleitoreiro. “A mentira foi tanta em 2010 que diziam que era uma invenção, hoje ninguém fala mais isso, tem mais de 3,5 milhões de concreto”, disse.

Dilma chegou à sede nacional da Contag, em Brasília acompanhada de seis ministros: da Casa Civil, Aloizio Mercadante; da Saúde, Arthur Chioro; do Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto; do Desenvolvimento Social, Teresa Campello; da Secretaria de Mulheres, Eleonora Menicucci, e da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, responsável pela interface do governo com movimentos sociais.

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Carvalho tem trabalhado para reaproximar o governo de movimentos sociais desde junho do ano passado quando eclodiram os protestos nas ruas das principais cidades do país, por melhor prestação de serviços por parte do Estado. Também participaram do evento, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A ida de Dilma à Contag, entidade aliada do governo, ocorre após uma semana em que o governo se esforçou para atender reivindicações por terras por parte do MST, travadas desde o ano passado. O Planalto chegou a destinar nesta semana 93,7 mil hectares para a reforma agrária em nove Estados.

Em abril deste ano, a Contag entregou à presidente uma pauta de reivindicações, com 23 pontos centrais que incluíam mais de 300 reivindicações. Entre elas, os agricultores familiares querem o assentamento de 150 mil famílias e R$ 51,4 bilhões para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar. No evento de hoje, estas reivindicações foram condensadas em 13 diretrizes e entregues à presidente.

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