Alckmin, Skaf e Padilha: 'dieta' de candidatos inclui 18 cafezinhos e marmita

Por Ana Flávia Oliveira -iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

De acordo com especialista, candidato que não come o que lhe oferecem é visto como elitista e não passa empatia ao eleitor

Coxinha, pastel, cachorro-quente, torresmo, ovo cozido colorido, maionese e até feijoada.  No corpo a corpo com os eleitores nas ruas, os candidatos costumam ser recebidos com ofertas para saborear essas e outras guloseimas. E, querendo ou não, ele são obrigados a comê-las, sob o risco de perder o voto ao recusar o presente. 

Na semana passada, o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, passou mal, ficando internado por dois dias ao ser diagnosticado com uma infecção intestinal causada por uma bactéria (a ileíte bacteriana aguda). Por causa da doença, Alckmin ficou de fora do primeiro debate entre os candidatos ao governo paulista, no último sábado (23), na TV Band.

Leia mais: Para Suplicy, comida de campanha pode ser causa de internação de Alckmin

Apesar de oficialmente a causa do mal-estar do governador não ter sido revelada, o candidato petista ao Senado por São Paulo, Eduardo Suplicy (PT), com experiência de anos de campanha, apostou nas comidas de campanha como causa da doença do tucano.  

"Às vezes, durante a campanha, a gente sai muito e come algum alimento que não estava tão bem preparado e fica sujeito a isso", apontou o petista. O diagnótico do senador foi certeiro, na opinião do clínico geral e infectologista da Unifesp Paulo Olzon. "Provavelmente, foi isso mesmo que aconteceu. O Suplicy disse isso porque já deve ter passado por essa situação", diz Olzon.

Dilma faz carreata ao lado de Padilha, candidato ao governo de São Paulo, pelas ruas de Osasco e aproveita para comer um cachorro-quente (9/8). Foto: Ichiro Guerra/PTSkaf come um pastel durante caminhada de campanha para o governo de São Paulo (13/8). Foto: Instagram/skafoficialAlckmin, candidato ao governo de SP, e o presidenciável Aécio Neves optaram pelo pastel na Feira Tecnológica, em São Paulo (26/7). Foto:  Marcos Fernandes/ObritoNewsAlckmin, Aécio e José Serra, candidato do Senado, também aderem ao cafezinho na feira em São Paulo (26/7). Foto: Marcos Fernandes/ObritoNewsAlckmin faz mais uma pausa durante caminhada de campanha e ainda escreve no Twitter: 'Gosto muito de café' (11/8). Foto: Twitter/Geraldo AlckminNo caminho para Pindamonhangaba, Skaf toma um café e registra momento nas redes sociais (12/7). Foto: Instagram/skafoficialCandidato do PMDB ao cargo de governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, faz campanha em Queimados e bebe uma cervejinha (2/8). Foto: Divulgação/PMDBPadilha, candidato ao governo de São Paulo, faz pausa para cafezinho em padaria em Mauá ao lado de petistas (29/7). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPausa para um churrasco durante caminhada da campanha de Pezão pela reeleição ao governo do Rio de Janeiro (27/7). Foto: Facebook/LFPezaoDilma almoça no Restaurante Cidadão Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, durante campanha para a reeleição (27/8). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma também faz uma refeição durante visita à Usina Hidroelétrica Santo Antônio, em Porto Velho (19/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma almoça na Usina de Belo Monte (5/8). Foto: Ichiro Guerra/Fotos PúblicasAécio Neves bebe caldo de cana durante visita Cuiabá ao lado do candidato ao governo Pedro Taques (19/8). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilPaulo Skaf registra café da manhã em São Paulo (22/7). Foto: Facebook/Paulo SkafGovernador e candidato à reeleição almoça em restaurante do programa Bom Prato em São Paulo (11/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminMarina Silva, vice na chapa de Eduardo Campos à Presidência, se refresca em café em Belo Horizonte (22/7). Foto: Flávio Tavares/Hoje em Dia/Futura PressGarotinho faz pausa para tomar caldo de cana durante caminhada por Belford Roxo (24/7). Foto: Twitter/@blogdogarotinhoPausa para o café em mais um dia de campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais (14/7). Foto: Site oficial/Fernando PimentelPimenta da Veiga aproveita um sorvete em visita a Jequitinhonha . Foto: Instagram/jpimentadaveiga

Comer é um ato social e nem mesmo a presidente Dilma Rousseff (PT), que também é candidata a reeleição, escapou do "compromisso culinário" atrás de voto. Em uma de suas primeiras visitas de campanha a São Paulo, ela visitou, ao lado do candidato ao governo paulista pela sigla, Alexandre Padilha, a cidade de Osasco, na região metropolitana, conhecida como a capital do cachorro-quente. Os dois foram fotografados abocanhando o lanche. 

Apesar não ter dispensado o lanche, Padilha gosta mesmo do tradicional arroz com feijão, preferindo manter suas refeições de um modo regrado. Ao contrário de muitos candidatos que acabam pulando o almoço por falta de tempo, o petista tem o hábito de almoçar diariamente. Segundo pessoas próximas ao candidato, ele leva sua refeição numa marmita e come dentro do carro para não perder tempo entre um compromisso de campanha e outro.

Mas, obviamente, comer marmita rapidamente dentro do carro não pode ser considerado um exemplo de alimentação correta. O candidato, por conta da agenda pesada de campanha, perdeu até peso. 

Galeria: Campanha vira maratona de cafezinhos e petiscos para candidatos

Já o governador Geraldo Alckmin deixa muitas vezes de almoçar por conta dos compromossos do dia a dia. Mas o tucano não dispensa o cafezinho e chega a tomar 18 xícaras por dia.

O mais magro entre os três principais candidatos ao governo Paulista, Paulo Skaf (PMDB) não dispensa a salada. "Ele come pouco e, normalmente, se alimenta de salada e uma carne leve, como peixe e frango", relata um de seus assessores. Apesar da preferência pelo saudável, o peemedebista não recusa as comidas gordurosas para não desagradar o eleitor.

Na semana passada, após driblar o tradicional pastel em uma visita a uma feira livre da cidade de Bragança Paulista, comendo uma banana e tomando um caldo de cana, ele foi até a cidade de Atibaia. Lá, ele não conseguiu se livrar do sanduiche de mortadela e do cafezinho em passagem pelo Mercado Municipal local.

Twitter/Geraldo Alckmin
Na correria da campanha, Geraldo Alckmin abre mão de uma refeição, mas não do cafezinho. Ele chega a tomar 18 xícaras por dia


Quem não come é visto como elitista

"É normal do meio político. O candidato que não come o que oferecem é visto como elitista e não passa empatia ao eleitor", explica o professor Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos.

O especialista diz que o candidato deve ao menos experimentar o que as pessoas oferecem. "Se não aceitam ou pelo menos não experimentam, passam a imagem de que não gostam de comida de pobre e se não gostam de comida de pobre, não gostam de pobre. Essa é a imagem que passam", analisa Manhanelli. 

Campanha: Selfie é novo aperto de mão dos políticos, dizem especialistas em redes sociais

Para Lícia Egger, professora de cerimonial e protocolo da Universidade Anhembi-Morumbi, o único motivo para que o candidato não aceite o que lhe oferecem é um problema de saúde, como intolerância a determinados alimentos, mas mesmo assim o candidato não pode simplesmente dispensar a comida. 

"Um prática da rainha Elizabeth é mandar o assessor antes de ela chegar aos lugares e falar ao anfitrião o que ela não pode comer. Neste caso, a pessoa nem oferece", conta Lícia. 

Mosca no café frio e doce 

Manhanelli, que trabalha em campanhas desde a década de 70, conta que um candidato a deputado estatual no Maranhão chegou até mesmo a beber café com mosca para agradar o eleitor. Ele diz que uma eleitora de uma cidade do interior do Estado ofereceu um café frio e com o inseto ao candidato.

"Eram 11 horas da noite. O café tinha sido feito de manhã. No Maranhão, as pessoas adoçam o café com rapadura. No final do dia, o que tinha dentro do bule era um caldo doce grosso e frio. Aquilo conversava com o fígado da gente e o candidato assoprava o café e elogiava a dona da casa. Quando a gente saiu, ele disse que estava assoprando para empurrar uma mosca que estava no copo", conta. 

Instagram/skafoficial
Skaf come um pastel durante caminhada de campanha para o governo de São Paulo (13/8)

Outra história que entrou para o imaginário político diz respeito ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em sua campanha à prefeitura de São Paulo, em 1985,  o tucano contrariou o conselho de seu assessor e recusou a vestir um quimono e comer arroz japonês no bairro da Liberdade, tradicional reduto da colônia oriental na cidade. FHC perdeu a disputa para para Jânio Quadros. 

Para o consultor, FHC cometeu um erro com a recusa, mas aprendeu a lição. "Na campanha para presidente, ele subiu em um jegue no Nordeste e comeu até buchada de bode. A campanha tem que ter isso."

Apesar das inevitáveis aventuras culinárias a que estão sujeitos os candidatos, o infectologista Olzon alerta: "Evite a maionese e os molhos. Geralmente, ficam muito tempo fora da geladeira, o que favorece a proliferação das bactérias, que provocam diarréias, vômito e mal-estar, um quadro muito parecido com o do governador", conclui. 

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas