PSDB veta propaganda eleitoral de 'kit macho' de candidato a deputado

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Partido considerou conteúdo homofóbico; Matheus Sathler promete ir à Justiça para manter vídeo no ar

Reprodução/Facebook
Em seu perfil no Facebook, Matheus aparece em fotos ao lado do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), notório inimigo da comunidade gay.

O  diretório do PSDB  no Distrito Federal determinou a suspensão da divulgação do vídeo de campanha de Matheus Sathler, candidato a deputado federal que propõe a criação do que chama de "kit macho" e é acusado, por outros integrantes do partido, de praticar discurso homofóbico.

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A propaganda foi veiculada em rádio e TV na última quinta-feira (22), durante o horário eleitoral gratuito. Nela, Sathler defende a criação de cartilhas para ensinar "meninos a gostarem somente de mulher."

O PSDB-DF alega desconhecimento sobre a postura do candidato e argumentou que o vídeo foi gravado em uma produtora terceirizada. 

"O Sr. Matheus Sathler, desde a sua filiação no partido e enquanto pleiteava sua candidatura nunca manifestou e nem defendeu essas posições hoje defendidas", diz nota do partido, assinado pelo presidente do PSDB-DF, Eduardo Jorge. "[O PSDB]  não admitirá utilização de seu nome em propaganda contrárias aos ideais do partido."

Ao iG, Satlher prometeu ir à Justiça para garantir o direito de manter o vídeo no ar. 

"É uma censura. Não pode se falar desse tema [homossexualidade]. Tive promessas de que ele [Jorge] vai reavaliar a postura dele porque se não eu vou entrar com um mandado de segurança na Justiça garantindo a minha liberdade de expressão."

Desde 2013, o estatuto do PSDB estabelece como objetivo programático o respeito "às diferentes orientações sexuais e identidades de gênero". O partido conta ainda com um núcleo LGBT, o Diversidade Tucana, que pediu providências contra o candidato.

Para candidato, mulher deve ficar em casca

Advogado, Sathler afirma que a homossexualidade é uma "doença espiritual" e está relacionada à pedofilia, embora ele admita não ter dados sobre o que alega.

"Proporcionalmente, apesar da dificuldade de obtenção desses dados precisos pelos órgãos públicos – já que eles omitem esses dados –, a pedofilia homossexual é maior que a pedofilia não homossexual", disse Satlher, em entrevista à reportagem, em junho.

O deputado também considera que apenas os homens deveriam trabalhar – a presença das mulheres no mercado de trabalho diminuiria o salário de ambos.

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