Governador candidato à reeleição foi criticado por tolerar corrupção no metrô, pela crise hídrica e por falta de segurança

Mesmo ausente no debate, por estar internado com infecção intestinal, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi o assunto principal do primeiro debate de candidatos ao governo de São Paulo, realizado pela TV Band, na noite deste sábado (23). Principais adversários do tucano, segundo as pesquisas, Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) atacaram a administração Alckmin em questões como segurança, crise hídrica, transportes e corrupção.

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Além de Skaf e Padilha, também participaram do debate outros quatro candidatos: Laércio Benko (PHS), Gilberto Natalini (PV), Walter Ciglioni (PRTB) e Gilberto Maringoni (PSOL).

Em sua chegada aos estúdios da Band, Padilha apresentou o CD "Por que não fez?”, que continha supostas promessas que Alckmin fez há quatro anos quando se elegeu e que não cumpriu em seu mandato. "Eu me preparei. Torço para que o governador se recupere para enfrentar os problemas de São Paulo e estar nós próximos debates. Quero estar frente a frente, cara a cara”, afirmou o petista, abrindo as críticas contra o tucano.

Depois, já no debate, Padilha continuou tendo Alckmin como seu principal alvo. Na segundo bloco, quando foi questionado por Natalini sobre a “corrupção endêmica” no Estado brasileiro, Padilha aproveitou para citar as denúncias de corrupção nas obras do metrô da capital paulista.

"Quero ter uma postura diferente do atual governador que durante 20 anos conviveu com esquemas de corrupção relacionados ao Metrô”, atacou Padilha. 

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Skaf também dirigiu suas críticas para o atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes. O peemedebista falou, por exemplo, da crise hídrica, que tem colocado a população de São Paulo sob ameaça de falta de água.

“Há um desperdício. A cada três trilhões de água retirados, um trilhão fica no caminho. Faltou investimento, obras, acabar com o desperdício, investimentos na captação e reservatório”, declarou Skaf.

Mas a segurança foi o setor que Skaf escolheu para atacar Alckmin mais diretamente. "Os bandidos não podem estar mais equipados que as polícias de São Paulo. Precisamos recuperar a cultura investigativa da Polícia Civil. Metade dos policiais militares, ao invés de estar nas ruas, está presa a burocracias", aponto peemedebista ao ser questionado por um jornalista da Band.   

Skaf evita pronunciar nome de Dilma 

Aliado de Marina Silva em nível federal, o candidato do PHS conseguiu colocar Skaf numa saia-justa ao questioná-lo com a seguinte pergunta: “O senhor apoiou a Dilma em 2010. O senhor vai trazer o estilo Dilma de governar para São Paulo?”. O peemedebista fez malabarismos para evitar que dizer textualmente que irá votar na candidatura da petista à Presidência da República.

"Michel Temer é presidente do meu partido e vice da Dilma. Meu voto é do Temer", desconversou Skaf. Diante da resposta, Benko ironizou, dizendo que Brasil não vive mais o tempo em que se vota separadamente para vice e para presidente.

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Enquanto Skaf evitou citar o nome da presidente, Padilha fez exatamente o contrário. O petista citou mais de uma vez que integrou os governos tanto de Dilma quanto de Lula, respectivamente, como ministro da Saúde e Relações Institucionais.

Padilha também procurou ressaltar que tem origem humilde e que, ao se formar como médico infectologista, foi trabalhar como médico não nos consultórios de luxo da Avenida Paulista, mas em áreas carentes da Amazônia.

Alexandre Padilha (PT), Paulo Skaf (PMDB) e Gilberto Maringoni (PSOL) no debate da Band
Paulo Pinto/ Fotos Públicas
Alexandre Padilha (PT), Paulo Skaf (PMDB) e Gilberto Maringoni (PSOL) no debate da Band


Skaf e Padilha não se atacam

Apesar de Skaf deixar claro sua oposição ao PT em São Paulo, o peemedebista em nenhum momento fez um ataque mais duro ao rival petista. Da mesma forma, Padilha poupou de criticas mais contundentes às propostas do adversário do PMDB.

O único momento em que eles divergiram de forma mais clara foi sobre a possibilidade de reduzir a maioridade penal para 16 anos. O petista se mostrou contrário, dizendo que 98% dos crimes cometidos no estado de São Paulo são executados por maiores de 18 anos.

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"A mudança no Constituição não enfrentará os donos dos crimes. Com isso, jovens de 12 ou 14 anos serão iniciados no crime", argumentou Padilha. Skaf foi na direção oposta, se dizendo a favor da redução da maioridade. Segundo o peemedebista, “se um jovem de 16 e 17 anos tem direito de escolher o presidente", deve estar preparado para enfrentar as consequências de seus atos em sociedade. 

Discurso de candidato a prefeito

Em boa parte do debate, os candidato pareciam estar disputando à Prefeitura de São Paulo e não o governo estadual. Os seis concorrentes se concentraram muitas vezes em problemas da capital ao falar. "Todos serão cidadãos iguais, o morador do Capão Redondo e dos Jardins”, declarou Benko, falando das fragilidades da segurança no Estado.

Do mesmo modo, a questão dos transportes no Estado se resumiu a discussão da lentidão na construção do metrô paulistano.

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