Lideranças do partido acreditam que só viúva de Campos teria condições de apaziguar ânimos acirrados contra ex-senadora

Integrantes do PSB querem a ajuda de Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, para tentar apaziguar os ânimos e superar a crise interna deflagrada após a decisão da candidata Marina Silva de nomear pessoas de sua confiança para a coordenação geral da campanha e para a área de finanças. A decisão provocou a saída do coordenador-geral da campanha, Carlos Siqueira, que acusou Marina de não respeitar o partido.

Mudanças impostas Marina Silva provocaram forte reação  na cúpula do PSB
Futura Press
Mudanças impostas Marina Silva provocaram forte reação na cúpula do PSB

Alguns membros do PSB ficaram de entrar em contato com lideranças de Pernambuco, como o prefeito de Recife, Geraldo Júlio, e com a própria viúva, pedindo que ela interceda junto aos coordenadores com o objetivo de mantê-los na campanha. Além da saída de Siqueira, os socialistas querem evitar mais baixas na candidatura.

Entre os nomes que podem pedir para sair estão o do coordenador de finanças, Henrique Costa, amigo de Eduardo, e o coordenador de mobilização, Milton Coelho que, segundo integrantes do partido, concorda com as razões explicitadas por Siqueira. Alguns socialistas acreditam que somente Renata teria condições de influenciar para fazer com que os coordenadores permaneçam.

Mais sobre a crise no PSB:
“Ela está longe de representar o legado de Campos”, diz Siqueira sobre Marina
'Há de se ter compreensão com as pessoas', diz Marina após saída de coordenador

A saída de Siqueira expôs a difícil convivência entre os socialistas e os integrantes da Rede, abrigados temporariamente na legenda até que Marina consiga registrar seu partido. Siqueira explodiu após o anúncio das mudanças no comando da campanha, feito por Marina na última quarta-feira (20). De acordo com relatos, Marina, após anunciar Walter Feldman na coordenação-geral e Basileu Margarido na área de finanças chegou a dizer que o PSB é que deveria decidir se Carlos Siqueira deveria ficar ou não na coordenação.

Esta frase teria sido a gota d’água de um desgaste que, antes, tinha Campos como moderador. Na reunião, Siqueira reagiu irritado. Se dirigindo a Marina, disse que ela não o conhecia e que nem o ex-governador sabia de tudo que estava acontecendo.

A substituição de Carlos Siqueira na campanha de Marina Silva detonou uma crise na candidatura do PSB à Presidência
Alan Sampaio / iG Brasília
A substituição de Carlos Siqueira na campanha de Marina Silva detonou uma crise na candidatura do PSB à Presidência


O ex-coordenador de campanha disse também que Marina não tinha ideia de quantas arestas ele teve que aparar para que ela fosse aceita e permanecesse no partido como candidata a vice.

Com a reação, Marina tentou amenizar a situação dizendo que ele teria a entendido mal. No entanto, Siqueira havia deixado claro para os mais próximos que as críticas de Marina à coordenação da campanha tinham começado logo após a morte de Campos, na quarta-feira (13), quando ocorreu o acidente.

Cenário: Campanha de Marina poderá sofrer novas baixas após saída de coordenador

Já na quinta-feira (14), um dia após a morte, de acordo com relatos, Marina teria dito que não estava gostando da coordenação da campanha, pensamento que ela repetiu na manha de ontem, na reunião que antecedeu o anúncio.

Após a briga, a cúpula do PSB se mobilizou para acalmar os ânimos, sem sucesso até o momento. O marqueteiro da campanha, Diego Brandy, foi um dos que tentou conversar com Siqueira para tentar acalmá-lo.

“Estive em Brasília e conversei com Carlos, que é meu amigo. Mas é preciso entender que ele está há 40 anos no PSB e há bastante tempo com Eduardo Campos. Não consegui acalmá-lo. É necessário entender que existe um abalo emocional de todos. Pretendo conversar com ele quando estiver mais calmo”, contou Brandy ao iG.

Veja imagens da campanha de Marina Silva: 


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.