Presidente do Conselho de Ética: Decisão sobre Argôlo será tomada após eleição

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Izar aponta articulações e agenda eleitoral como aspectos que devem impedir a votação do relatório pelo plenário da Câmara

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara, Ricardo Izar (PSD-SP), acredita que dificilmente será possível votar, no plenário da Casa, o relatório referente ao processo envolvendo o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA) antes das eleições. Argôlo é alvo de representações no Conselho de Ética com base em reportagens que apontam troca de mensagens entre ele e o doleiro Alberto Youssef para supostamente acertar detalhes da transferência de R$120 mil que teriam como destino a conta de Vanilton Bezerra, chefe de gabinete do deputado baiano. “Não vejo muita chance de votar o relatório no Plenário antes das eleições”, resumiu Izar.

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Agência Câmara
Deputado federal Luiz Argôlo (PP/BA)

Com isso, existe uma chance de que um eventual pedido de cassação feito pelo relator do caso, deputado Marcos Rogério (PDT-RO), tenha seus efeitos severamente reduzidos. E, pelas previsões de Izar, a votação só poderá ser feita depois do segundo turno eleitoral, em 26 de outubro. Considerando que em 17 de dezembro começa o recesso e, em 2 de fevereiro de 2015, começa a nova legislatura, Argôlo teria uma eventual punição vigente num espaço de tempo bastante reduzido.

Nos bastidores, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que é candidato ao governo do Rio Grande do Norte, tem feito movimentos no sentido de garantir celeridade ao processo que apura suposta quebra de decoro de Argôlo e ao que analisa a situação de André Vargas (ex-PT-PR), cujo relatório que pede sua cassação já foi votado pelo Conselho de Ética. Os planos de Henrique eram no sentido de votar os dois casos no esforço concentrado que será realizado na primeira semana de setembro.

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Essa meta é tida como praticamente impossível de ser realizada em função das enormes dificuldades para atrair os parlamentares para o Congresso durante a disputa eleitoral. Izar revela que teve dificuldades de assegurar quórum para a votação do relatório do caso Vargas. “Isso deve ter sido fruto de uma articulação justamente para evitar que se realizasse a sessão”, disse Izar, que não quis entrar em detalhes sobre quem poderia ter articulado a ausência coletiva.

Os problemas para atrair deputados para a sessão que, na quarta-feira (20) aprovou o relatório que pede a cassação de Vargas, foram tamanhos que dois deputados acabaram substituídos na última hora por parlamentares que se encontravam no Congresso numa articulação que envolveu o DEM e o PSD. Para Izar, é possível que o cenário eleitoral cause problemas semelhantes quando da apreciação do relatório final do caso Argôlo. Considerando que Argôlo poderá recorrer à Comissão de Constituição e Justiça para tentar derrubar o relatório do Conselho de Ética, a decisão final sobre o caso deverá ser ainda mais retardada.

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