Com poder diminuído, ex-coordenador criticou duramente a ex-senadora. Candidata do PSB disse que houve mal-entendido

Menos de 24 horas depois de ser lançada oficialmente, a candidatura de Marina Silva à Presidência da República pelo PSB já vive uma enorme crise. No início da tarde desta quinta-feira (21), Carlos Siqueira oficializou a sua saída da coordenação da campanha socialista, depois de ter seu poder diminuído por ordem de Marina, que indicou o ex-deputado Walter Feldman para o comando. Ao deixar a sede do partido em Brasília, Siqueira foi categórico ao dizer que não há menor possibilidade de acordo com a candidata.

“Não há acordo com a senhora Marina Silva. Quando uma pessoa é acolhida numa instituição, ela se torna uma hospedeira. É isso que ela é. Então, ela tem de respeitar esta instituição”, disse Siqueira. O ex-coordenador apontou como principal motivo de sua revolta a atitude de Marina nomear homens de sua confiança para a coordenação geral e financeira da campanha sem ouvir o PSB.

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Carlos Siqueira, que era coordenar da campanha da chapa presidencial do PSB, Eduardo Campos e Marina Silva (20/8)
Alan Sampaio / iG Brasília
Carlos Siqueira, que era coordenar da campanha da chapa presidencial do PSB, Eduardo Campos e Marina Silva (20/8)


“Quem ela pensa que é? Ela manda na Rede dela, não no PSB”, criticou Siqueira, citando o Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina, que ainda não teve o seu funcionamento oficializado. A ex-senadora se filiou aos socialistas neste ano com o compromisso de migrar para a própria agremiação em 2015.

Siqueira apontou a incoerência de Marina ter colocado um nome da Rede, Bazileu Margarido, para comandar a chapa encabeçada pelo PSB. “Como ela indica uma pessoa [de fora] para coordenar as finanças, quando a responsabilidade pela prestação de contas é do partido.”

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Bazileu assumiu na última quarta o comitê financeiro da campanha de Marina, escanteando Henrique Costa, que disse mais cedo ao iG não ter certeza se permanecerá trabalhando com as finanças da candidatura .

"Renata Campos não deve saber" 

“Ela está muito longe de representar o legado de Eduardo Campos”, prosseguiu Siqueira em suas críticas, dizendo ainda que a viúva do ex-governador, Renata Campos, não deve estar a par do que está acontecendo. “Ela não deve saber o que está se passando. Não podemos oferecer um partido a uma pessoa que nos trata assim”, completou ele.

Durante a manhã de quarta, toda a cúpula do partido se empenhou em apaziguar a crise, mas não conseguiu acalmar Siqueira. Roberto Amaral, presidente nacional do PSB,  preferiu não falar com o ex-coordenador devido ao momento de ânimos exacerbados.

“Eu nem tentei falar [com ele]. Não esperava por isso. Ele participou em Pernambuco de todas as reuniões que definiram Marina como cabeça de chapa”, admitiu Amaral.

Questionada sobre a crise, Marina disse que houve um mal-entendido. “Houve um equívoco, uma incompreensão com o que está acontecendo. É um momento delicado para todos nós. Há de ser ter uma compreensão com a sensibilidade das pessoas. Não é porque você sofreu uma injustiça que você tem que fazer outra injustiça”, respondeu a socialista.

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