Peemedebista é o único candidato no País a receber recursos do setor de armas até agora; ex-deputado defendeu indústria

Se em 2010 Paulo Skaf (PMDB) foi o único candidato ao governo de São Paulo a receber dinheiro da indústria de armas, neste ano ele é o único do Brasil – pelo menos até agora. O presidente licenciado da Fiesp tem como coordenador de campanha o ex-governador paulista e ex-deputado federal Luiz Antônio Fleury Filho, conhecido por sua postura favorável à comercialização de armas.

Skaf recebeu, neste ano, R$ 100 mil da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), segundo a primeira parcial de prestação de contas da campanha dele ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor equivale a 2,3% do que o pemedebista arrecadou até agora.

Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de São Paulo, participa de reunião com lideranças femininas no bairro do Itaim, em São Paulo (20/08)
Divulgação/PMDB
Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de São Paulo, participa de reunião com lideranças femininas no bairro do Itaim, em São Paulo (20/08)


Uma das cinco fabricantes de armas regulares do País, segundo o Exército,  a CBC foi a única a fazer doações nesta primeira fase das eleições 2014. A Forjas Taurus, que também financia regularmente campanhas eleitorais, ainda não o fez neste ano, segundo dados do TSE.

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Fleury foi um dos candidatos que contou com doações da indústria de armas em 2006, quando concorreu à reeleição para o cargo de deputado federal, num momento em que se discutia a proibição da venda de armamentos. Foram R$ 291 mil, metade da Taurus e metade da CBC, o equivalente a 9% do total arrecadado pelo ex-governador, nesta que foi a sua última candidatura.

"São situações diferentes. O Skaf é presidente [ licenciado ] da Fiesp e a indústria da CBC fica em São Paulo. Não significa que ele tenha a mesma posição que eu tenho em relação ao Estatuto do Desarmamento", diz Fleury ao iG . Em 2006, ele coordenou a frente parlamentar contra a proibição da venda de armas no plebiscito sobre o tema.

Valor recebido em 2014 é o dobro de 2010

O valor recebido por Skaf neste ano é o dobro do de 2010. Naquele ano, quando o presidente licenciado pela Fiesp disputou o governo do Estado pela primeira vez, a CBC lhe doou R$ 51 mil (em valores atualizados). A quantia representou 0,24% do que o candidato recebeu naquele ano.

Além de Skaf, em 2010, a indústria de armas financiou apenas mais uma candidata a governo estadual: Yeda Crusis, que perdeu o comando do Rio Grande do Sul para Tarso Genro (PT), na ocasião. O Estado abriga tanto a CBC quanto a Taurus.

No total, as duas empresas doaram R$ 1,5 milhão a candidatos e partidos em 2010.

A segurança pública é um dos principais temas da campanha de Skaf nesta eleição. Na última terça-feira (19), em entrevista ao programa SPTV (Globo), ele classificou como "uma vergonha" a segurança no Estado.

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O candidato tem flertado com a linha-dura. Um dos coordenadores importantes da sua campanha é Antônio Ferreira Pinto, ex-secretário de Administração Penitenciária e de Segurança Pública de Alckmin, que é favorável à redução da maioridade penal.

Advogado da campanha de Skaf, Hélio Silveira ressalta que a doação da CBC foi feita dentro da lei.

"É uma indústira, gera empregos, é legalizada, está cadastrada no próprio Exército", diz Silveira. "O armamento de fogo hoje, no Brasil, tem uma restrição muito grande que não vai ser alterada por vontade de qualquer governador que venha a ser eleito", completa.

Procuradas até o início da noite desta quarta-feira (20), a CBC e a Taurus não responderam a reportagem.

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