Procurador quer saber se retomar o voo após tentativa frustrada de pouso "é praxe" na base aérea de Santos

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) pediu informações à Aeronáutica e à Agência Nacional de Avião Civil (Anac) sobre o acidente que matou na última quarta-feira (13) o ex-governador Eduardo Campos (PSB) , candidato à Presidência, em Santos, no litoral paulista.

O avião que transportava Campos caiu após uma tentativa de pouso frustrada. Além do ex-governador, outras seis pessoas morreram. Os motivos da queda são desconhecidos.

Entre as solicitações, o procurador da República Thiago Nobre pergunta ao comandante da base aérea de Santos, major Olympio de Carvalho Mendes Neto, se o procedimento de arremetida – quando uma aeronave interrompe o pouso e volta a ganhar velocidade –  foi "o de praxe".

Nobre também busca saber se outras aeronaves iguais à de Campos – um jato Cessna modelo 560XL – já haviam arremetido após tentar pousar em Santos. Foi logo após o procedimento que o acidente ocorreu.

"Também foram feitos questionamentos [ ao comandante da base aérea ] sobre algum tipo de contato e eventual relato de instabilidade ou falha na aeronave reportada pelos comandantes do voo", informou o MPF-GO.

A caixa-preta não guardou as conversas do voo, segundo a Aeronáutica, embora o gravador de voz tivesse, por regra, de estar em funcionamento para que a aeronave pudesse decolar. O procurador da República pediu, então, que sejam esclarecidos quais registros havia no equipamento. 

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Nobre questinou, ainda, a eventual existência de Veículos Aéreos Não-Tripulados (Vants) próximo da área do acidente. A Aeronáutica diz ter autorizado voos de drones  na região entre os dias 11 e 31 de agosto, mas alega numa área a 19,5 km da base aérea de Santos. 

Durante as investigações, também surgiram questionamentos sobre a propriedade da aeronave. Na Anac, o jato está em nome da AF Andrade Empreendimentos, mas reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo indicaram que ele teria sido vendido.

Além desses pontos, Nobre exige ainda a apresentação, pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), de todos os laudos e relatórios sobre o incidente elaborados até o momento, e um prazo para a conclusão dos trabalhos de apuração.

À Anac, o procurador da República pede também esclarecimentos sobre eventuais restrições de pouso na base aérea de Santos, eventuais pendências não regularizadas ou  "relatos de situações desfavoráveis no aeródromo".

Nobre notificou ainda a Secretaria Geral de Aviação Civil da Presidência da República, para obter informações sobre eventuais investimentos no local.


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