No JN, candidato foi taxado "principiante"; apresentadora chegou a perguntar se qualquer um pode se presidente

O candidato do PSC à Presidência, Pastor Everado , prometeu isentar de Imposto de Renda todas as pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês – hoje, o limite é de cerca de R$ 2 mil –, e privatizar tudo o que for possível, inclusive a mais importante das estatais brasileiras, a Petrobras. 

Everaldo também fez questão marcar posição contra o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

"Casamento para mim é homem e mulher. Sou contra a legalização das drogas. Vou criar o Ministério da Segurança Pública", elencou o candidato do PSC, em entrevista ao Jornal Nacional (Globo) na noite desta terça-feira (19). Assumindo um postura agressiva, os apresentadores deixaram transparecer a ideia de que Everaldo era uma figura menor na corrida presidencial. 

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Candidato do PSC à Presidência, Pastor Everaldo participou nesta quarta (19) de entrevista no Jornal Nacional
Reprodução
Candidato do PSC à Presidência, Pastor Everaldo participou nesta quarta (19) de entrevista no Jornal Nacional


Durante a entrevista, a apresentadora Patrícia Poeta ironizou o candidato, pouco experiente em cargos públicos, ao questionar se "qualquer pessoa pode ser presidente da República."

Patrícia e William Bonner também usaram os termos "inexperiência" e "principiante" para se referir a Everaldo, que nunca exerceu um cargo eletivo – seu cargo público mais alto foi o de subchefe da Casa Civil de Anthony Garotinho (PR) no governo do Rio de Janeiro (1999-2002). Ele  tem 3% das intenções de voto, segundo a pesquisa Datafolha feita em 14 e 15 de agosto.

Bonner também afirmou que, "no mundo real", Everaldo teria de fazer muitas concessões para conseguir implementar as mudanças de seu plano de governo, muitas das quais, argumentou o apresentado, exigiriam mudanças constitucionais.

Veja momentos da corrida presidencial: 

Everaldo disse não se achar inexperiente. Justificou-se dizendo que trabalhava desde pequeno, tornou-se um empreendedor – abriu uma corretora – e que se cercaria de bons quadros.

"O líder tem que saber o que o País está precisando e trazer os melhores quadros", disse o pastor. "Eu acredito que trazendo uma liderança para o Brasil e dando exemplo, é suficiente para governarmos este País."

O candidato também foi questionado sobre o fato de ter desembarcado do governo Dilma Rouseff (PT) apenas no início deste ano e basear sua campanha em ataques à gestão da petista, sobretudo de que ela é estatizante – Everaldo se diz a favor do Estado mínimo.

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"Minha ideologia foi sempre a mesa", disse, ao ser perguntado por Bonner se sua ideologia havia "mudado recentemente".

Everaldo se defendeu, ainda, da sugestão de que havia vendido por R$ 5 milhões o apoio a Dilma Rouseff na eleição de 2010, e da crítica por ter reclamado de o PSC não ter nenhum cargo na Esplanada apesar de sua base parlamentar ser maior que a do PC do B, hoje no comando do Ministério do Esporte e da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

"Em de 30 de junho foi quando nós fizemos aliança, baseada em princípios", argumentou Everaldo. "Quando chegou a 22 de setembro é que foram feitas essas doações legais, transparentes, para custos de campanha."

As perguntas incisivas têm sido a tônica das entrevista no Jornal Nacional. O candidato do PSDB, Aécio Neves, foi duramente questionado sobre o aeroporto construído junto a uma fazenda de sua família em Cláudio (MG). Dilma Rousseff chegou a reconhecer que a saúde pública no País não é "minimamente razoável" – como perguntou Patrícia Poeta. Eduardo Campos (PSB) teve de justificar sua campanha a favor da nomeação da mãe, Ana Arraes, para o Tribunal de Contas da União.


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