Crescimento da aprovação é 'ainda mais importante do que a intenção de voto neste estágio da campanha', afirma analista

Reuters

Apesar de uma nova pesquisa eleitoral mostrar que a presidente Dilma Rousseff (PT) repentinamente enfrenta uma estrada mais difícil de reeleição, ela também viu uma forte recuperação nos índices de aprovação de seu governo e apoio resiliente de eleitores no que deverá ser provavelmente o período mais emocional e volátil da campanha.

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A sondagem Datafolha , a primeira desde a trágica morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB) em um acidente de avião na semana passada, foi divulgada na madrugada desta segunda-feira e mostra um empate técnico no caso de um segundo turno entre Dilma e a provável substituta de Campos, a ex-senadora e ambientalista Marina Silva .

Embora com cautela, os mercados financeiros no Brasil reagiram bem após a pesquisa aparentemente excluir qualquer chance de que Dilma possa evitar um segundo turno e vencer a eleição em 5 de outubro. Muitos investidores não gostam de Dilma e o mercado acionário local subiu nos últimos meses toda a vez que surgiu um novo sinal de que ela pode não ser reeleita.

No entanto, há vários sinais fortes em favor de Dilma na pesquisa Datafolha mais recente, e a moeda brasileira e a Bovespa reduziam o ímpeto inicial desta sessão, com investidores olhando mais atentamente para os números do levantamento.

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O percentual de eleitores que dizem que o governo Dilma é "bom" ou "ótimo" subiu seis pontos em relação à pesquisa anterior do Datafolha em julho, para 38% agora. Quem disse que o atual governo é "ruim" ou "péssimo" diminuiu seis pontos, para 23%, enquanto aqueles classificando-o como "regular" continuaram em 38%.

"Pelo lado da Dilma, é óbvio ser ruim o fato de ter aumentado a chance de segundo turno. Mas a pesquisa mostra que, por incrível que pareça, a aprovação dela cresceu bem. E acreditamos que essa variável é ainda mais importante do que a intenção de voto neste estágio da campanha", disse à Reuters o diretor para a América Latina da consultoria de risco político Eurasia Group, João Augusto de Castro Neves.

"Depois de vários meses de noticiário negativo para ela, o fato de a popularidade ter aumentado é uma luz no fim do túnel. Foi uma boa notícia para ela", acrescentou. Os índices de aprovação do governo Dilma melhoraram durante um período em que a inflação caiu abruptamente.

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Seu mandato tem sido marcado por um crescimento econômico fraco e os preços subindo em cerca de 6% ao ano, perto do teto de tolerância da meta do governo, que é de 4,5% com margem de dois pontos para mais ou para menos.

Os oponentes de Dilma têm consistentemente batido na tecla da inflação, mas em julho o IPCA surpreendeu e desacelerou para o menor patamar em quatro anos, com alta de 0,01% no mês. Contribuíram o alívio nos preços de hotéis e passagens aéreas com o fim da Copa do Mundo e a queda nos preços dos alimentos.

O Datafolha começou a fazer sua pesquisa mais recente na quinta-feira (14), um dia após a morte de Campos.

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Desde então, a imprensa local tem feito uma cobertura extensiva do acidente de Campos, ex-governador de Pernambuco que era bem visto por empresários e que aparecia em terceiro lugar na corrida presidencial, com cerca de 8% das intenções de voto. O socialista era amplamente visto como um dos mais brilhantes jovens políticos do Brasil e, provavelmente, habilitado a montar uma campanha forte para presidente em 2018.

Marina, que era vice na chapa encabeçada por Campos, é muito mais conhecida nacionalmente, graças ao seu perfil como uma ativista ambiental e um forte terceiro lugar como candidata presidencial na última eleição em 2010, quando ela obteve perto de 20 milhões de votos, ou quase 20% dos votos válidos.

Marina Silva chega à casa da família de Eduardo Campos em Recife (16/8)
Agência Brasil
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Marina pode sustentar a força?

Alguns analistas já esperavam uma aparição forte de Marina nesta pesquisa Datafolha, diante da emoção com a morte Campos.

A ex-senadora aparece na sondagem com 21% dos votos, um ponto à frente do outro principal candidato da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB), mas atrás de Dilma, com 36%. Surpreendentemente, Marina não tirou votos de Dilma nem de Aécio, que apareceram com os mesmos percentuais da pesquisa anterior feita pelo Datafolha.

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Isso significa que o crescimento de Marina de 13% em relação a Campos veio de eleitores que anteriormente tinham dito que estavam indecisos ou votariam em branco ou nulo.

Em um segundo turno, que para analistas agora parece praticamente certo, o Datafolha mostrou Marina com uma vantagem de 47% sobre 43% de Dilma, um empate técnico no limite da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.

Alguns analistas questionam se Marina será capaz de crescer muito nas pesquisas, considerando a relativamente fraca presença de sua coligação em âmbito nacional, fundos de campanha mais modestos e tempo menor para propaganda obrigatória na TV e no rádio, bem como por sua reputação passada de ser uma política de decisões imprevisíveis.

Alguns membros do PSB de Campos também duvidam do compromisso de Marina com a plataforma do partido, o que poderia provocar algumas tensões durante a campanha. A ex-senadora, que concorreu à Presidência como candidata do PV em 2010, tem procurado minimizar essas preocupações.

Desafio: Marina precisa conciliar atritos e cobranças dentro da coligação do PSB

Marina tentou fundar um novo partido no ano passado chamado Rede Sustentabilidade, mas não conseguiu registrar assinaturas suficientes a tempo para a eleição de 2014. Ela surpreendeu o mundo político brasileiro com a decisão de apoiar Campos, cuja plataforma do partido diferia muito do dela.

Aécio e o PSDB têm uma base nacional muito mais forte do que a coligação apoiando a candidatura de Marina. Mas a pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostrou o apoio ao tucano diminuindo no caso de um segundo turno contra Dilma, quebrando uma sequência de pelo menos quatro sondagens em que ele reduzia a distância para a presidente.

Em um segundo turno entre Dilma e Aécio, a petista aparece com 47% contra 39% do tucano. O Datafolha ouviu 2.843 eleitores em 176 municípios em 14 e 15 de agosto.

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