Marina precisa conciliar atritos e cobranças dentro da coligação do PSB

Por Marcel Frota e Wilson Lima - iG Brasília |

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Grupos disputam espaço na aliança e no PSB, com demandas como negociação sobre o futuro da Rede, manutenção de alianças e compromisso de que plano de governo não seja mudado

Não apenas no PSB, mas entre todos os partidos aliados, é consenso a escolha de Marina Silva para substituir Eduardo Campos na cabeça da chapa socialista que disputará a Presidência da República - a candidatura deve ser oficializada na quarta-feira (20). Mas, dentro da coligação, Marina terá de dedicar mais tempo para esclarecer alguns pontos delicados. Correligionários apontam acordos nos estados, questões programáticas e até o cronograma de criação da Rede como temas que precisam ser calmamente discutidos.

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A ideia de um esforço partidário para uma candidata que tem prazo de validade no PSB e cujo plano é tirar do papel seu próprio partido, a Rede Sustentabilidade, preocupa. O que socialistas dizem nos bastidores é: o partido vai se esforçar para eleger alguém que está de saída? Marina terá de assumir compromissos com seu atual partido para evitar problemas internos nas bases, o que pode comprometer sua campanha.

O grande problema de Marina, apesar de ser um nome de consenso, é ter a mesma habilidade que Campos para conseguir juntar interesses absolutamente difusos entre quatro alas distintas nos seis partidos que integram a coligação (PSB, PHS, PRP, PPS, PPL, PSL) e aqueles que ainda tentam instituir a legenda da Marina e ainda ser um nome de confiança entre os socialistas. Veja infográfico:

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Outro aspecto que preocupa os diferentes grupos internos do PSB é a costura feita nos Estados. Marina tensionou no sentido de evitar que o partido se aliasse em alguns Estados e isso exigiu uma enorme energia do próprio Campos. Seu sacrifício foi para assegurar para si bons palanques em Estados importantes. Dessa forma, o PSB acabou apoiando candidaturas do PSDB em São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

Nos três casos, Marina foi voto vencido e teve de engolir essas amarrações. O PSB não admite mudanças nesses compromissos e enxerga isso como fundamental para o bom andamento de seu plano eleitoral. Existe um receio de que Marina, após ser confirmada candidata, não respeite esses palanques regionais principalmente em São Paulo. Marina foi radicalmente contra qualquer aliança com o PSDB e existia dúvidas se ela, como vice, subiria no palanque ao lado de Geraldo Alckmin.

Programa de governo

Essa engenharia reversa também passa por questões programáticas. Internamente, o PSB não acredita que Marina pretenda mudar o programa de governo. Se o fizer, enfrentará forte resistência. O argumento dos socialistas é de que Marina e seus aliados da Rede participaram da construção do plano de governo. A própria Rede promoveu um ciclo de Encontros Programáticos com o objetivo de ouvir demandas e aprofundar o debate sobre diferentes temas. Com base no argumento de construção coletiva, o PSB não aceitará mudanças nessas diretrizes.

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Ainda que reconheça que a troca de candidato carregue consigo alguma mudança de abordagem e na forma do discurso, socialistas creem que Marina não deverá tentar uma guinada programática com aquilo que já havia sido pactuado. Um tema importante nessa discussão é a relação com o agronegócio. Tema delicado e que já rendeu algum conflito interno, o agronegócio é visto com algumas reservas pelo grupo de Marina. Não foi uma tarefa simples para Campos azeitar a discussão. O consenso, entretanto, foi alcançado e o PSB não aceitará mudanças nessa linha.

Também existe um tensionamento relacionado à própria linha de defesa da sustentabilidade abordada por Marina. Os socialistas, apesar de terem alinhado o discurso com a Marina nesse sentido, temem que ela queira dar um espaço maior do que o desejado pelos caciques do PSB, sacrificando aspectos considerados importantes para a campanha, como as críticas à política econômica, social e política.

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Os defensores do nome de Marina tem dito nos últimos dias nos bastidores que a ex-senadora vem apresentando uma postura menos radical desde o início de sua aliança com Campos e que essa postura pode facilitar a reduzir as tensões internas dentro do PSB.

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