Campos: sistema de pouso é modificado após acidente

Por Brasil Econômico I Gilberto Nascimento* |

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Aproximação em Santos, onde o avião do presidenciável tentou pousar, é considerado incompatível com aeronaves modernas

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Poucas horas depois do acidente que vitimou o presidenciável Eduardo Campos, o Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) publicou um informe - Notam (notícia ao aviador) - em que restringia os pousos por NDB (sistema de pouso por transmissões de rádio) na Base Aérea de Santos, no Guarujá, onde o piloto da aeronave do candidato havia tentando descer. O procedimento, considerado de baixa precisão, foi usado na tentativa frustrada. A aeronave arremeteu e depois perdeu o contato com a rádio da base. Diferentemente de uma torre, a rádio apenas orienta o tráfego aéreo, mas não tem poder de controle. Segundo o especialista em segurança de voo Jorge Barros, este sistema de aproximação é antigo, foi criado nos anos 1920, e não deveria ser usado por aeronaves modernas, como o jato Cessna que transportava Campos.

Reprodução
Avisão Cessna de acidente aéreo que vitimou presidenciável Eduardo Campos (PSB)


Para Barros, o sistema GPS, normalmente usado nos aviões atuais, não tem compatibilidade com o pouso por antenas NDB. No Guarujá, são usados dois desses equipamentos na aproximação. Ele lembra que a base militar foi desativada e ainda não foi decidido qual será o destino do aeroporto lá existente. A indefinição, na opinião do especialista, faz com que o Decea não instale equipamentos mais modernos no local. Um coronel aviador da reserva afirma ainda que o fato da aeronave ser certificada para voos privados é um fator que dificulta as investigações sobre as causas do acidente. Os aviões de táxi aéreo e de linhas regulares têm duas caixas-pretas, uma registra os diálogos da cabine e outra os dados de voo, como o regime dos motores e as razões de subida e descida. No transporte privado, é obrigatória apenas a primeira, que já foi localizada.

IML segue protocolos internacionais de identificação

O diretor do IML paulista, Ivan Miziara, diz que os corpos do presidenciável Eduardo Campos, de quatro de seus assessores e dos dois pilotos da aeronave serão identificados por exames de DNA. Os procedimentos, segundo ele, seguem um protocolo internacional. Ontem, 50 profissionais se dedicavam a separar e identificar os fragmentos. O recolhimento de material humano no local do acidente foi encerrado na tarde de ontem. O dentista de Campos entregou imagens da arcada dentária do político para facilitar o processo de identificação. O IML evita falar em prazos para a conclusão da identificação. O trabalho depende também de amostras de familiares das vítimas.

Homenagens

Ontem, pelas ruas de Recife, circulavam carros com fita preta amarrada na antena. Taxistas também exibiam tarjas pretas na porta de seus veículos. Em São Paulo, uma bandeira de Pernambuco foi pendurada na grade do IML, onde está o corpo de Eduardo Campos e das outras vítimas do acidente aéreo.

Família manifesta preocupação

Integrantes da família de Eduardo Campos, em conversas com políticos do PSB pernambucano, já manifestaram preocupação com o futuro do candidato do partido à sucessão no Estado, Paulo Câmara. Ele perdeu seu grande apoiador. Como no quadro nacional, haverá agora uma disputa para definir quem comandará o PSB local.

Quatro nomes na disputa pelo PSB em Pernambuco

São cotados para comandar o PSB em Pernambuco Fernando Bezerra Coelho, candidato ao Senado; Geraldo Júlio e Sileno Guedes, prefeito e secretário de Governo de Recife, respectivamente; e Danilo Cabral, deputado federal. Guedes e Cabral eram próximos de Eduardo. Terão bastante peso as opiniões de Renata, viúva de Campos, e do advogado Milton Coelho, integrante do Diretório Nacional do PSB.

“Como único irmão de Eduardo, que sempre o acompanhou em sua trajetória, externo a minha posição pessoal que Marina Silva deve encabeçar a chapa presidencial” – Antonio Campos, irmão de Eduardo Campos, em defesa da vice como substituta do presidenciável do PSB

*Com Leonardo Fuhrmann

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