Se for indicada, Marina enfrentará dificuldades por causa de divisões no PSB

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* | - Atualizada às

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Posições de Marina contra alianças regionais do PSB geraram atritos e podem fazer partido não seguir unido na campanha

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A vice na chapa do PSB à presidência, Marina Silva, nem vai querer tocar no assunto nos próximos dias em respeito ao luto da família de Eduardo Campos, morto ontem em acidente de avião em Santos (SP). Mas é a opção natural para substituí-lo. Essa decisão, no entanto, não será adotada tão facilmente no partido. Políticos e analistas ouvidos citam a divisão interna no PSB, manifestada após a aliança com Marina. Houve reações duras da Rede diante de alianças em Estados como Minas Gerais e São Paulo. Campos era o polo aglutinador, o líder que unificava o partido. A líder da Rede pode vir a ser confirmada como candidata - o partido tem dez dias de prazo para substituir Campos, de acordo com a legislação eleitoral. -, mas há o risco de o PSB não permanecer unido em torno de seu nome.

DIVULGAção/PSB
Na última terça-feira (12), Marina e Campos tinham se reunido com Dom Orani Tempesta, Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro


Posições de Marina e da Rede contra alianças geraram sérios atritos com lideranças do PSB como Márcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, e Márcio França, presidente do partido em São Paulo, indicado como vice na chapa do governador tucano Geraldo Alckmin. Em razão dos conflitos internos, o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas, acredita na possibilidade de o PSB optar por não ter candidato à presidência – liberando seus diretórios em cada Estado – e até apoiar uma candidatura já existente. Essa terceira opção é muito mais remota, mas também possível. No caso dessa alternativa, é bom lembrar que líderes do PSB no Nordeste não nutrem simpatia pelo tucano Aécio Neves. Na região, o partido era mais próximo de Lula e Dilma Rousseff. No Sul do País, a identificação é muito maior com o PSDB.

Líder da Rede é melhor nome para oposição

Petistas acreditam no lançamento do nome de Marina. Reservadamente, parlamentares diziam ser essa a melhor proposta para a oposição a fim de garantir a realização de um segundo turno. Também não acreditam que um clima de comoção dificulte a disputa para Dilma.

Avião teria ficado um tempo em Jundiaí

Na 11ª. edição da Labace, a segunda maior feira da aviação do mundo, ontem em São Paulo, circulavam informações de que o avião Cessna em que viajou Eduardo Campos teria ficado um tempo parado no aeroporto de Jundiaí (SP) e retirado de lá depois por supostas irregularidades. O Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo disse não ter conhecimento dessa informação.

Mulher de Campos queria ir a Santos

A mulher do presidenciavel Eduardo Campos, Renata, chegou a manifestar o desejo de viajar para Santos a fim de acompanhar o resgate do corpo do marido. Foi desencorajada por outros integrantes do partido. No final da tarde, o ex-deputado Mauricio Rands, um dos coordenadores do programa de governo pessebista chegou aa cidade do litoral paulista para acompanhar os procedimentos. Eles sao parentes.

Temer e Mercadante representaram Dilma

Nascido em Santos, o ministro-chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante acompanhou o vice/presidente, Michel Temer, na ida ontem a Santos. Ele lembrou que conheceu o presidenciável do PSB em 1989, na primeira campanha presidencial de Lula. O petista recebeu o apoio de Miguel Arraes, avô de Campos. Mercadante e Campos eram dois jovens assessores. Depois conviveram juntos na Câmara dos Deputados e no Ministério do presidente Lula.

Coordenador de campanha diz Que PSB “não vai desistir do Brasil”

Coordenador/geral da campanha de Campos, Carlos Siqueira, usou uma frase dita por Eduardo Campos no dia anterior ao acidente para abrir seu pronunciamento. “Nao vamos desistir do Brasil”. Ao seu lado, visivelmente abalada, a vice da chapa, Marina Silva, pediu que Deus sustentasse Renata, os filhos deles. Ela citou cada um nominalmente (e também os familiares das outras vitimas do acidente).

“Pernambuco vai parar. Miguel Arraes era um mito, mas Eduardo Campos era mais acessível” - Aline Corrêa (PP-PE), pernambucana e deputada por São Paulo

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