Marina Silva poderia romper polarização PT-PSDB, diz 'Economist'

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Imprensa internacional analisa cenário eleitoral brasileiro, especulando se ex-senadora assumirá candidatura presidencial

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Uma reportagem publicada nesta quinta-feira (14) no site da revista The Economist afirma que, caso seja confirmada para disputar a Presidência no lugar de Eduardo Campos, a ex-senadora Marina Silva pode representar um "rompimento da polarização do debate político" brasileiro entre PT e PSDB.

Cenário: PSB tenta superar divergências e decidir destino de Marina Silva

Alice Vergueiro/Futura Press
A ex-senadora Marina Silva

Se for indicada: Marina enfrentará dificuldades por causa de divisões no PSB

A coalizão liderada pelo PSB terá dez dias para escolher seu novo candidato presidencial. Poucas horas após a morte de Campos em um acidente aéreo, Marina Silva falou a jornalistas que não é hora de se falar em política, diante da tragédia pessoal.

Para a revista britânica, a coalizão liderada pelo PSB "quase certamente" optará por Marina Silva. A Economist cita o desempenho dela nas eleições de 2010, quando chegou em terceiro lugar, atrás de Dilma Rousseff e José Serra.

Marina Silva: 'A imagem que quero guardar de Campos é a da despedida'

"Em 2010, Silva abalou o Brasil com sua candidatura presidencial e, em particular, com seu uso inteligente das redes sociais. Isso fez com que ela partisse do nada para chegar no terceiro lugar, com 20 milhões de votos. Seu idealismo e probidade funcionam bem com eleitores jovens e urbanos, cansados da política de sempre."

O site de negócios Bloomberg Businessweek destacou a oscilação do índice Bovespa e da cotação do real – que caíram inicialmente após a notícia da morte de Campos e depois se recuperaram. "A volatilidade reflete o debate sobre quem ganhará apoio nas pesquisas de opinião [com a morte de Eduardo Campos]", avalia a publicação.

Acidente aéreo: Morre Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência

A revista cita duas previsões conflitantes: a Nomura Securities International acredita que Dilma será prejudicada; já o Instituto Análise vê Aécio Neves perdendo votos.

Veja imagens da trajetória de Campos:

Dilma Rousseff e Eduardo Campos durante vistoria às obras do lote 13 e do canal de aproximação do Rio São Francisco. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Reunião com Campos e Fernando Coelho. Foto: Palácio do PlanaltoDilma Rousseff, Lula e Eduardo Campos, durante a campanha de 2012. Foto: DivulgaçãoCampos rompeu com o governo neste ano e foi oficializado candidato do PSB à Presidência em junho (28/6). Foto: Humberto PraderaEduardo Campo e Marina Silva registram candidatura à Presidência (3/7). Ele deixou o governo de Pernambuco em abril deste ano. Foto: Reprodução/Facebook oficial PSBMaterial de campanha de Eduardo Campos, candidato à Presidência. Marina Silva era a vice em sua chapa. Foto: Ueslei Marcelino/ReutersCampos comemora aniversário de 49 anos durante caminhada de campanha em Arapiraca- AL.   (8/8/2014). Foto: PSBEduardo Campos foi eleito governador de Pernambuco em 2006 e reeleito em 2010. Foto: Ana Carolina Dias, iG PernambucoO governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, veio a São Paulo para encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaEduardo Campos postou uma imagem ao lado do pai, Maximiano Campos, no dia dos pais. Foto: Facebook/Eduardo CamposEduardo Campos e a família durante missa. Ele deixa mulher e cinco filhos  (10/8). Foto: Facebook/Eduardo CamposEduardo postou na sua página no Facebook uma foto no nascimento de seu filho. Miguel nasceu com síndrome de down (29/1/2014). Foto: Facebook/Eduardo CamposEduardo Campos ao lado da família. Foto: ReproduçãoAo lado de Lula, Campos e a família velam o corpo de Miguel Arraes, avô do político, em Recife (14/8/2005). Foto: Ricardo Stuckert/PRCampos comemora com governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e com Lula a escolha do Brasil como sede da Copa (Zurique - 30/7/2007). Foto: Ricardo Stuckert/PRLula cumprimenta Eduardo Campos, que assume como ministro de Ciências e Tecnologia (23/1/2014). Foto: Ricardo Stuckert/PRCampos foi aliado de Lula durante seu governo e seguiu ao lado do PT até meados de 2013. Foto: Ricardo Stuckert/PREduardo Campos, ministro de Ciências e Tecnologia (2004), conversa com José Dirceu, ministro da Casa Civil na época. Foto: José Cruz/ABr Eduardo Campos, presidente do PSB e governador de Pernambuco (2006-2010), acompanha discurso do ministro da Educação Aloizio Mercadante. Foto: Antonio Cruz/ABrLula, na época Presidente, recebe governadores, entre eles Eduardo Campos, que comandou Pernambuco de 2006 a 2014. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Pouco destaque

O jornal espanhol El País especula sobre o cenário eleitoral após a morte de Campos, também citando Marina como provável candidata. O jornal lembra a popularidade da ex-senadora entre os 40 milhões de evangélicos do Brasil.

"Neste caso, o mínimo que se pode especular é que será muito difícil para a candidata do PT ganhar as eleições no primeiro turno, já que o peso não só político como também emocional em boa parte do eleitorado poderá pesar a favor da [possível] nova candidata", diz o El País.

Por pouco: Gravação tira Marina Silva de voo de Campos

"O que ninguém esquece neste momento é que a morte de Campos [...] representa uma grande perda para a política e sociedade brasileiras, já que o socialista era considerado uma das figuras mais dignas e preparadas da classe política."

Na Grã-Bretanha, a morte de Campos foi notícia em diversos veículos de grande circulação e audiência, mas com pouco destaque.

Entre os grandes jornais britânicos, apenas o Financial Times destacou em sua capa a morte de Campos, dizendo que o episódio pode "mudar radicalmente as perspectivas para as eleições mais disputadas do país em mais de uma década".

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