Analistas acreditam que candidatura seja assumida pela vice e que tragédia deve ser utilizada para fisgar 'eleitores emotivos'

Campos estava em jatinho particular que caiu em Santos na manhã desta quarta (13)
Divulgação/Partido Socialista Brasileiro
Campos estava em jatinho particular que caiu em Santos na manhã desta quarta (13)


A morte de Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência, pode sensibilizar parte do eleitorado indeciso e capitalizar a candidatura de Marina Silva, atual vice na chapa do socialista.

Segundo analistas consultados pelo iG , caso seja oficializada como cabeça de chapa pela Coligação Unidos pelo Brasil, Marina deve angariar votos entre os eleitores brasileiros que ainda não tinham escolhido candidato e daqueles que pretendiam anular o voto. Segundo pesquisa do Ibope divulgada na última quinta (7), o porcentual de eleitores dispostos a votar branco ou anular somam 13% dos votos. 

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"O episódio, em si, traz uma carga emocional muito grande. E isso acaba sensibilizando uma parcela do eleitorado. Assim, acredito que o porcentual de indecisos deve cair em favor de Marina. Até Dilma e Aécio também devem perder alguma coisa", afirma o cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice, consultora especializada em análises eleitorais com sede em Brasília.

A opinião de Aragão é semelhante à do também cientista político Rodrigo Mendes Ribeiro, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "[O episódio] tem um caráter emocional e por mais trágica que tenha sido a morte, ela pode ser um diferencial na campanha de Marina", fala Ribeiro.

O cientista político Túlio Velho Barreto, da Fundação Joaquim Nabuco, explica que não é inédito o fato de mortes trágicas favorecerem determinada candidatura. "O caso pode ser utilizado na campanha de Marina, mas isso não seria algo inédito. A própria morte de Miguel Arraes foi algo que, de alguma medida, beneficiou Campos em 2006. O povo brasileiro é muito sentimental, muito suscetível a esse tipo de impacto", diz Barreto.

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De acordo com o também cientista político Michel Zaidan, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mesmo se utilizar o episódio durante a campanha, Marina vai enfrentar o "desafio" de sensibilizar o eleitorado nacional que "sequer conhecia" o candidato Campos.

"Se ela não for boba, ela vai tirar partido da morte dele. Mas o fato é que, diferentemente do avô Miguel Arraes, Campos não tinha um reconhecimento nacional de seu legado político. O eleitor está surpreso pela tragédia, mas não comovido pela perda do político Eduardo Campos. Foi curta a história política dele", afirma Zaidan.

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