Diferentemente da era FHC, PF e MP tiveram autonomia para investigar escândalos nos governos petistas, afirma presidente

A presidente Dilma Rousseff recorreu ao apelido de “engavetador-geral” para comparar as ações de combate à corrupção desenvolvidas nos governos petistas e o tratamento dado às investigações no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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Presidente Dilma Rousseff durante entrevista para RBS
Ichiro Guerra/ Dilma 13
Presidente Dilma Rousseff durante entrevista para RBS

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De acordo com Dilma, os casos de corrupção que se tornaram escândalos durante o seu governo e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só vieram à tona porque a Polícia Federal e o Ministério Público, além de toda estrutura de controle criada no Estado, tiveram autonomia para investigar.

“Acabou o engavetamento”, disse Dilma. “Nós criamos todo mecanismo que investiga o crime organizado, a lavagem de dinheiro, integrado a várias áreas. Nosso governo foi muito mais transparente e muito mais firme em relação à corrupção. Por isso aparecem mais casos”, disse Dilma em entrevista ao veículos do grupo RBS.

Sem citar nomes dos adversários, a presidente fez questão de enfatizar que falava do governo FHC e não dos tempos da ditadura militar. “Não aparecia tanto porque não se investigava tanto. Estou falando no passado recente”, disse Dilma.

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O apelido de engavetador-geral da República foi dado nos corredores do Ministério Público ao procurador Geraldo Brindeiro, que comandava o órgão no governo tucano. Entre as denúncias “engavetadas” por Brindeiro está a do suposto esquema de compra de votos para a aprovação da emenda constitucional que permitiu a reeleição para presidente, beneficiando o então presidente FHC.

Burocracia

Na entrevista, Dilma culpou a burocracia do Estado como principal fator de atraso para a realização de obras no País. Ao justificar a não realização de alguns projetos em sua gestão, a presidente disse que pretende investir, em seu eventual segundo mandato, na simplificação dos processos de autorização de obras.

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“Existe todo um cronograma a ser realizado, e nós realizamos obras que ninguém esperava”, defendeu-se. “É muita burocracia, e uma das questões que eu quero focar é simplificar os processos de realização de obras”, disse Dilma. “Nós precisamos simplificar processos e modernizar o Estado brasileiro”, afirmou.

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Para a presidente, os órgãos que opinam em relação à construção de obras devem ter prazos para emitir seus pareceres, e isso não pode significar interferência no trabalho desses órgãos. “Quando chegamos ao governo, não havia prazo para o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis)”, exemplificou a presidente. “Eu, que sou presidente, tenho prazo”, declarou Dilma.

De acordo com a presidente, a simplificação também terá de atingir a arrecadação tributária e isso inclui a unificação do tributo, cadastro único e universalização de todos os setores dentro do sistema simples. Ela não descartou a reforma tributária, um dos pontos de seu programa de governo. “Terá de ter no Brasil um processo tributário que pode ser composto de reforma ou de leis específicas”, disse Dilma. “Isso não foi feito porque há um conflito tributário no País. Vai avançando, se a gente perceber que dá para fazer a reforma, devemos fazer”, disse Dilma.

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