Em entrevista ao JN, tucano disse que tio-avô foi principal prejudicado na questão do aeroporto de Cláudio (MG)

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, admitiu, em entrevista ao Jornal Nacional nesta segunda-feira (11), que promoverá um “realinhamento” dos preços das tarifas de energia e da gasolina. Aécio não quis entrar em detalhes sobre a forma e a intensidade do “realinhamento” e explicou que tudo dependerá de uma avaliação sobre a “realidade do governo”.

“No meu governo vai haver previsibilidade em relação a essas tarifas e em todas as medidas do governo. Ninguém espere no governo Aécio Neves pacote A, PAC disso, PAC daquilo ou algum plano mirabolante”, disse o tucano.

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“Vamos tomar as medidas necessárias. É óbvio que teremos de viver um processo de realinhamento desses preços. Quando e como, obviamente quando você tiver os dados sobre a realidade do governo é que você vai estabelecer isso. Não vou temer tomar aquilo que for necessário, as medidas necessárias para controlar a inflação, retomar o crescimento e principalmente a confiança perdida no Brasil”, afirmou o tucano.

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, participou nesta segunda-feira (11) de entrevista no Jornal Nacional (Globo)
Reprodução
Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, participou nesta segunda-feira (11) de entrevista no Jornal Nacional (Globo)


Fazenda não, apenas  sítio de “30 alqueires“

O senador mineiro também respondeu a respeito da construção de um aeroporto no município de Cláudio, próximo a uma propriedade de sua família. Aécio minimizou o episódio e disse que a fazenda na verdade é apenas um sítio de “30 alqueires“ que seria usado por seus familiares apenas para viagens eventuais.

“Essa fazenda que você se refere está com a minha família há 150 anos. Tem lá 14 cabeças de gado. Essa é a grande fazenda. É um sítio, que valorizado ou não, é um sítio aonde minha família vai eventualmente nas férias. Ali ninguém está fazendo negócio. Essa cidade precisava desse aeroporto como todas as outras que tiveram investimento em Minas. Nunca fiz nada que não pudesse defender de cabeça erguida”, declarou o candidato.

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Ao responder sobre o caso, Aécio disse não sentir nenhum constrangimento ético por ter usado a pista quando visitou a fazenda da família. “Não há nenhum constrangimento”, resumiu. “Visitei praticamente todos os aeroportos de Minas Gerais trabalhando como governador”, minimizou ele, que procurou detalhar o processo, dizendo que se houve algum prejudicado pela construção do aeroporto, foi seu tio-avô.

“Fiz um programa chamado ‘ProAero’ que ligou 29 cidades de um total de 92 aeroportos que existem espalhado por Minas como instrumento do desenvolvimento regional. Nesse caso, especificamente, se houve algum prejudicado foi esse meu tio-avô porque o estado avaliou aquela área em R$ 1 milhão, ele reivindica da Justiça R$ 9 milhões, não recebeu um real até hoje. Foi feito de forma transparente e absolutamente republicana e a população daquela localidade sabe a importância desse aeródromo.”

Veja imagens da campanha de Aécio Neves pelo Brasil:

Bolsa Família

Aécio respondeu ainda sobre programas sociais e voltou a falar que manterá o Programa Bolsa Família. Ao tratar do assunto, ele poupou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de críticas, obedecendo uma diretriz de sua campanha de não fazer críticas ao petista, mirando suas baterias preferencialmente para a atual gestão.

“O Bolsa Família é a junção do Bolsa Escola, Bolsa Alimentação e do Vale Gás, que vieram do governo do presidente Fernando Henrique, e corretamente o presidente Lula os unificou e adensou. Não só vou continuar com o Bolsa Família como quero que, além da privação da renda, as pessoas que o recebem possam ter uma ação do Estado para que outras carências, de saneamento, educação, de segurança, possam também ser sanadas”, prometeu ele.

Inflação
Em entrevista ao Jornal das 10, da Globo News, Aécio admitiu dificuldades para combater a inflação, apesar de repetir o mantra de que “a inflação voltou a atormentar” a população. “Não vamos conseguir alcançar o centro da meta (de inflação) em um ano de governo. Mas vamos chegar, até o final do nosso mandato, com a inflação no centro da meta. A partir daí vamos diminuir as bandas de tolerância, que me parecem excessivamente largas, para caminharmos na busca da redução do centro da meta para o futuro”, disse ele.

Perguntado a respeito da tese de alguns economistas de que a inflação só poderá ser controlada com o aumento da taxa de desemprego, Aécio respondeu apostando na “confiança do mercado”. “Não acredito que esse seja o único caminho (aumento do desemprego). Temos a capacidade, mais do que o atual governo, de gerar confiança no mercado. Crescimento, investimento e até inflação se movem muito em relação às expectativas”, declarou ele.

PMDB
Apesar de contar com o apoio do PMDB em estados importantes, como Rio de Janeiro e Bahia, Aécio disse, ao ser perguntado sobre as forças do partido que controlam o Congresso Nacional, que não governará com o apoio do partido, se eleito. “Sou adversário deles todos. Em todos os estados onde essas forças políticas recentemente e permanentemente nominadas são, sou adversário deles. Vou governar com aqueles que compreendam que o Brasil precisa dar um salto ético, moral e de eficiência na vida pública. Vou buscar alianças, mas não serão feitas como ocorre no Brasil, em troca de ministérios, de diretoria de bancos, para se garantir alguns segundo a mais na televisão”, disse ele.

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