Músicas de ataque dominarão eleições, não belos jingles, aponta especialista

Por Carolina Garcia , iG São Paulo |

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Colecionador de temas eleitorais há 40 anos prevê período político sem hits. Ele escolhe os 5 maiores jingles da história

Caminhar entre milhares de santinhos descartados nas ruas ou cantarolar mentalmente jingles chicletes são consequências do intenso período eleitoral. A disputa de 2014, no entanto, não deve grudar no ouvido dos eleitores. Essa é a previsão de Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (ABCOP) e especialista em marketing político. Após estudar as peças publicitárias dos presidenciáveis e governadores deste ano, ele concluiu que o tom será de ataque e não o comum ‘eu sou o melhor’ entre belas melodias.

História: Após 30 anos, autor de 'Ey ey Eymael' prepara nova versão de jingle histórico

Carolina Garcia/iG São Paulo
Carlos Manhanelli já participou de 260 campanhas eleitorais nacionais e internacionais

[Após o estudo] vi que não há nada que desponte como excelente. Nenhum vai grudar, os discursos serão de combate e não de exaltação. É uma fórmula característica de reeleição, que é sempre um período morno nos ataques comunicacionais”, disse Manhanelli ao iG nesta sexta-feira (8). Buscando decifrar as receitas dos jingles de sucesso há 40 anos, ele coleciona peças publicitárias e conta com um acervo digital de 200 gravações. A pesquisa sobre o tema rendeu o livro Jingles Eleitorais e Marketing Político – uma dupla do barulho (Summus Editorial), e outros 16 sobre marketing e estratégias eleitorais.

Arquivo pessoal
Manhanelli coleciona jingles e estuda estratégias eleitorais há 40 anos

A tática de usar marchinhas militares e carnavalescas para conquistar o eleitorado chegou ao Brasil em 1929, ano que Júlio Prestes disputou a Presidência da República com Getúlio Vargas. E Prestes ganhou com o hit “Vem Julinho vem”. O surgimento de novos ritmos da música popular brasileira e o avanço tecnológico da comunicação garantiram novos horizontes aos jingles, como o “Ey ey Eymael”, composto pelo alfaiate José Raimundo de Castro em 1984, que ganhou sete versões pelo País.

O especialista garante que não existe receita de sucesso para criar os “chicletes de ouvido”, como especialistas em marketing político chamam os hits eleitorais. “Tem jingles que são muito bons e grudam e outros passam despercebidos, como o da campanha do Lula em 1993. ‘Lula Brasil’ foi péssimo, ninguém se lembra dele”, comenta Manhanelli classificando ainda a composição como um “lamento”.

A pedido do iG, o colecionador selecionou os cinco melhores hit eleitorais que escreveram a história dos presidentes brasileiros: 

1º - “Vem Julinho vem” (1930), usado na campanha de Júlio Prestes

2º - “Retrato do velho” (1950), que marcou o retorno de Getúlio Vargas à cena política

3º - “Varre, varre, vassourinha” (1960), feito para a campanha de Jânio Quadros

4º - “Lula lá” (1989), campanha de Lula à Presidência contra Collor

5º - “Deixa o homem trabalhar” (2006), que ajudou Lula a conquistar a reeleição


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